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29 de novembro de 2007

VÊNUS DESPIDA

Quem acompanha o blog desde seu início sabe que uma das temáticas preferidas de seu “dono” é a ficção-científica, porém, esse gosto nasceu associado a uma profunda curiosidade sobre o espaço aberto, as estrelas, planetas e astronomia em geral, além da eterna pergunta sobre a possibilidade de existência de vida em outros rincões. Arthur C. Clark e Carl Sagan estão na bibliografia básica da formação desse gosto. Foram muitos outros livros e quadrinhos que li com essa temática, mas também houve outras influências. Na televisão sem dúvida a série clássica de Jornada nas Estrelas, Babylon 5 e Jornadas nas Estrelas a nova geração estão entre as favoritas. No cinema 2001, a saga Star Wars, O segredo do abismo, Cocum, entre tantos outros.

Sempre que vejo noticias ligadas ao tema “espaço” me interesso em dar uma olhada. Lembro-me uma vez quando tinha lá meus 15 anos, e ainda não era fã de Star Trek, que escrevi uma redação na qual no futuro a sonda Voyager era encontrada próxima ao planeta Marte e que trazia uma mensagem/resposta para os terráqueos. Quem viu Jornadas nas Estrelas – o Filme, deve se lembra do V’ger. Na época eu ainda não tinha assistido e nem sabia dessa idéia colocada no filme, fiquei surpreso quando assisti. As vezes achamos que temos a idéia mais original do mundo e quando vamos ver alguém já fez isso.

Pois bem, introduzi esse post com o tema ficção/ciência e como me interesso por isso para anunciar/reproduzir duas matéria sobre os primeiros resultados da nova missão exploratória a estrela Dalva, que na verdade é o planeta Vênus, promovida pela Agência Espacial Européia. Pra quem gosta as matérias tem mais ou menos a mesma abordagem, mas com pequenas diferenças em relação a linguagem e em alguns detalhes.

Acho que é isso

Aproveitem

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Separados no nascimento

29/11/2007

Agência FAPESP – De todos os planetas do Sistema Solar, Vênus é o mais parecido com a Terra, além de ser o mais próximo também na distância. Os dois têm massa, volume, área superficial, raio, densidade e velocidade de escape semelhantes.

Mas as similaridades na forma e origem não se estenderam para um ponto fundamental: a vida. Enquanto o clima permitiu que a Terra florescesse, Vênus se tornou um lugar infernal, com atmosfera composta por 96,5% de dióxido de carbono e nuvens de ácido sulfúrico, pressão atmosférica 92 vezes maior e temperatura superficial que ultrapassa os 450ºC.

Tentar entender o que deu errado, descobrindo os motivos não das semelhanças, mas das diferenças, é o objetivo da missão Venus Express, lançada em 2005 pela Agência Espacial Européia (ESA).

Em oito artigos publicados na edição desta quinta-feira (29/11) da revista Nature, diversos grupos de cientistas apresentam os resultados das mais extensas análises feitas até o momento sobre o vizinho terrestre. Chamá-los de gêmeos não é exagero, ainda que tenham crescido de modo tão diferente.

No artigo principal, que resume as conclusões, Hakan Svedhem, da ESA e colegas destacam que, apesar de Vênus não ter nem sombra da vida existente na Terra, as semelhanças entre os dois é o principal destaque – e foi muito maior na infância dos planetas.

“A constatação geral dos resultados do primeiro ano de operação da Venus Express é que as diferenças, particularmente em relação ao clima, entre Vênus e a Terra são muito menos misteriosas do que se pensava anteriormente”, destacaram.

“Essas diferenças são consistentes com teorias e interpretações que sugeriam que os dois planeta tiveram ambientes superficiais semelhantes no passado e que eles evoluíram diferentemente, com os oceanos terrestres convertendo a maior parte do dióxido de carbono atmosférico em rochas carbonadas e Vênus perdendo a maior parte de sua água para o espaço”, afirmaram os pesquisadores.

Segundo os estudos, as altas temperaturas, os ventos zonais (que circulam pela latitude) e a turbulência próxima ao equador de Vênus resultaram na densa atmosfera e na grande quantidade de gás estufa retida na atmosfera do planeta.

A superfície inóspita de Vênus teria sido causada pela quebra das grandes quantidades originais de vapor de água em moléculas de hidrogênio e oxigênio. A primeira, mais leve, escapou no espaço, enquanto o elemento mais pesado permaneceu e se oxidou na atmosfera, resultando na superfície quente e seca atual.

A Venus Express também descobriu algo intrigante: descargas elétricas. A questão é que os cientistas achavam que não deveriam existir raios no planeta por conta do tipo de nuvens, parecidas com as de poluição observadas na Terra. Além disso, apesar da proximidade, os astrônomos nunca observaram qualquer raio em Vênus. Entretanto, a sonda identificou ondas eletromagnéticas de baixa freqüência e curta duração que se estima tenham origem em descargas elétricas.

A missão européia está prevista para durar até 2013. Segundo os autores do estudo, futuras análises ampliarão não apenas o conhecimento a respeito de Vênus, mas também da própria Terra. Afinal, dizem, a atual atmosfera venusiana pode ser vista como uma extrapolação radical da terrestre, em ritmo de aquecimento promovido pelo efeito estufa. Ou seja, semelhantes na origem e no fim.

Os artigos podem ser lidos por assinantes da Nature em www.nature.com

Sonda "Venus Express" traz novos dados sobre planeta gêmeo da Terra

Paris, 28 nov (EFE).- Cientistas da Agência Espacial Européia (ESA, em inglês) apresentaram hoje os resultados da missão da sonda "Venus Express", ainda em andamento, com imagens inéditas que dão pistas sobre as especificidades de Vênus, planeta considerado gêmeo da Terra.

Lançada ao espaço em novembro de 2005, a sonda européia partiu com uma missão: encontrar uma resposta para o fato de Vênus, tão parecido com a Terra em termos de massa e tamanho, ter evoluído de uma forma tão distinta, até se transformar em um planeta inóspito.

"Esta é a pergunta de um milhão de dólares", disse hoje Fred Taylor, um dos cientistas responsáveis pela "Venus Express", na sede da ESA, em Paris.

Os dados compilados pela sonda européia revelaram algumas pistas sobre a atmosfera e o clima de Vênus. A temperatura chega aos 450ºC em sua superfície e a pressão atmosférica é quase cem vezes superior à da Terra.

O planeta mais brilhante do Sistema Solar é coberto por uma camada atmosférica quente de quase 100 quilômetros de espessura - "uma pele planetária", algo que o diferencia da Terra.

Segundo o cientista Giuseppe Piccioni, Vênus convive com uma "variabilidade enorme": os ventos, por exemplo, podem passar de 200 km/h a 50 quilômetros de altitude para 400 km/h a 70 km de altitude.

Estes fatores vêm acompanhados por ventos solares que, somados à falta de campo magnético do planeta, provocam a "perda" de atmosfera.

"Vênus perde íons de oxigênio, hidrogênio e hélio, e definitivamente perde água", explicou Piccioni.

Tal perda é vista na superfície planetária, onde a água é inexistente: "Os oceanos desapareceram, só há três centímetros de água na atmosfera", disse o físico Stanislav Barabash.

Para justificar a eliminação das superfícies aquáticas, os cientistas da ESA apontam para a numerosa presença de hidrogênio pesado nas moléculas de água, 150 vezes superior a das moléculas terrestres.

Outra revelação proporcionada pela "Venus Express" é a confirmação da existência de relâmpagos. Para Barabash, trata-se de uma poderosa fonte de energia que, na Terra, altera a química da atmosfera e, portanto, também deve modificar a de Vênus.

"Estes são os primeiros resultados globais dados pela sonda européia, que está no apogeu de sua trajetória", comentou Dmitri Titov, coordenador científico desta missão da ESA, cujo orçamento é de quase 220 milhões de euros.

A ESA prevê apresentar nos próximos meses os resultados das análises químicas da atmosfera de Vênus, assim como uma cartografia técnica de sua superfície. EFE ap bba/dp.

22 de novembro de 2007

CAPITÃÃÃÃÃÃOOOO INTERROGA II – A MISSÃO

Pois é, parte da ação do segundo filme do gigante esmeralda, o incrível Hulk, acontecerá no Rio de Janeiro. O protagonista dessa vez será o Edward Norton, um dos meus atores favoritos. Espero que nesse filme o herói não fique parecendo um personagem de um jogo de Playstation, por que o longa-metragem anterior foi sofrível. Mas, deixe estar.

O Maurício Ricardo, do charges.com, após sugestão de internautas promoveu o interrogatório do Hulk/Bruce Banner pelo mais novo herói nacional, o Capitão Morrimento. Um dia se eu animar escrevo algo mais detalhado sobre essa questão.

Essa charge ficou muito boa, vale a pena dar uma conferida.



Capitão Interroga – Hulk


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21 de novembro de 2007

DE OLHO NO CÉU


Aumento inexplicável

21/11/2007

Por Thiago Romero

Agência FAPESP – Em duas madrugadas de observações realizadas no fim de outubro, Valmir Martins de Morais, astrônomo independente de Juazeiro do Norte, no Ceará, coletou cerca de 10 mil imagens do cometa P/17 Holmes.

O cometa chamou a atenção de astrônomos em todo o mundo ao sofrer uma espécie de erupção e, sem razão aparente, aumentar sua magnitude de forma dramática: cerca de 1 milhão de vezes no intervalo de algumas horas.

Segundo Morais, que realiza observações em parceria com entidades internacionais como as agências espaciais norte-americana (Nasa) e européia (ESA), essas imagens do cometa, descoberto em 1892 pelo norte-americano Edwin Holmes, foram as primeiras coletadas no território brasileiro.

O astrônomo conta que ainda não há uma resposta conclusiva para o alto brilho do P17/Holmes, que está a cerca de 243 milhões de quilômetros da Terra. A magnitude, que normalmente era de 14, estava no momento das observações entre 2 e 3.

“Quanto menor o número da magnitude, maior o brilho do cometa. Ainda estamos aguardando uma confirmação oficial de observatórios internacionais, mas supõe-se que o P17/Holmes teve seu núcleo colapsado ou tenha colidido diretamente com fragmentos de asteróides, por se encontrar justamente no caminho desses astros situados entre as órbitas de Marte e Júpiter”, disse Morais à Agência FAPESP.

Por não ter formação acadêmica na área, Morais é considerado um astrônomo independente ou amador. Apesar de o nome remeter a uma atividade de “principiante”, muitos desses astrônomos fazem não apenas observações de cometas, planetas ou estrelas, mas também desenvolvem estudos, coordenam trabalhos de observação e publicam resultados em revistas ou sites especializados.

“Embora existam, no mundo, centenas de profissionais de astronomia engajados no campo das observações de cometas, historicamente os astrônomos amadores são os que fazem a maior parte das descobertas”, disse Morais, que é professor de geografia na rede de ensino municipal.

Ele afirma que existem dezenas de grupos organizados de astrônomos amadores no Brasil, coordenados pela Rede de Astronomia Observacional (REA Brasil), e em diversos outros países das Américas e da Europa. Esses grupos realizam observações e descobertas que, posteriormente, são reconhecidas por institutos de pesquisa.

“A intenção dos astrônomos amadores é contribuir para o avanço do conhecimento na área, principalmente com o compartilhamento de imagens pela internet”, explica o pesquisador, que realiza observações em casa.

Os astrônomos amadores, segundo Morais, normalmente transmitem suas observações e descobertas diretamente à União Astronômica Internacional ou a instituições a ela vinculadas, que repassam as informações para a comunidade científica para análise e confirmação. “Já enviei os dados sobre posição e magnitude do P/17 Holmes”, contou.

Condições favoráveis

Os cometas são comparados pelo astrônomo a “bolas de neve suja” por serem formados basicamente de poeira, pedras dos mais variados tamanhos e dióxido de carbono. “São astros que circulam ao redor do Sol e, ao receberem a radiação, se aquecem e dissipam parte do material do núcleo, formando a cauda característica”, explicou Morais.

Segundo ele, ainda é cedo para saber por que o brilho do P17/Holmes sofreu um salto tão intenso de magnitude. Entre os dias 23 e 24 de outubro, o cometa, que só podia ser observado em grandes observatórios astronômicos, expandiu-se em um disco bastante visível em determinados pontos do planeta.

As observações do cometa por Morais foram facilitadas pelas boas condições atmosféricas do Nordeste do país, em especial pela pouca incidência de nuvens durante a madrugada, e pelo equipamento utilizado: um telescópio refletor com 27,5 centímetros de abertura (diâmetro), acoplado a uma câmera de vídeo para o registro contínuo de imagens, que são enviadas a um computador para processamento com o auxílio de softwares específicos como o QCFocus V2.1 e o Registax V2.

Outro fator fundamental para as observaçõe do P17/Holmes é a latitude de Juazeiro do Norte, em torno de 7 graus, posição privilegiada, uma vez que o cometa encontra-se muito próximo do horizonte norte e só pode ser visto em latitudes baixas, menores de 10 graus. No Sudeste, a latitude fica entre 15 e 25 graus.

Morais atualmente trabalha na criação de um centro de estudos astronômicos no Cariri, no Ceará, região composta por cerca de 35 cidades. O objetivo é realizar pesquisas, divulgar a astronomia e aproximar a população local das ciências astronômicas.

Algumas imagens obtidas por Valmir Martins de Morais foram publicadas no site do astrônomo japonês Seiichi Yoshida, um dos mais renomados observadores de cometas no mundo.

Mais informações: www.aerith.net/comet e valmirmmorais@yahoo.com.br

18 de novembro de 2007

O ÚLTIMO JANTAR

Estava indo dormir e vi essa notícia, achei tão macabra que decidi compartilhar. Nessa mesma matéria tem links para outros casos semelhantes, além disso encontrei a imagem acima no blog Sinhazinha, que falou da mesma coisa nesse post

<Ctrl C+Crtl V>

Homem cozinha corpo e serve a amigos para ocultar assassinato

O cúmplice de um assassinato decidiu cozinhar o cadáver e servi-lo a seus amigos para ocultar o crime, informou hoje a Promotoria da região siberiana de Tiumen.

» Britânico mata e come a namorada
» Mexicano admite que cozinhou namorada
» Canibal alemão é condenado à perpétua
» Canibal de 16 crianças comove a Índia

"No começo de novembro foram encontrados restos humanos em uma casa de Tiumen onde ele havia se reunido com vários amigos", informou Timur Lviv, funcionário da Promotoria que investiga o caso, segundo a agência Interfax.

Lviv informou que "o dono da casa esquartejou o cadáver, o cozinhou e o ofereceu a seus convidados, que não suspeitaram de nada".

Desta maneira, o proprietário pretendia ajudar a suposta assassina a apagar os rastros do crime, disse.

"Eles acharam que era perigoso dar o corpo para os cachorros comerem, por isso decidiram queimar os ossos e servir a carne", indicou.

Alguns dos convidados se surpreenderam com o estranho sabor da carne que, segundo o anfitrião, se devia a temperos diferentes.

O canibalismo não está contemplado no código penal da Rússia, e por isso o proprietário do apartamento deve ser acusado somente de "cumplicidade em assassinato", indicou Lviv.

O caso de canibalismo mais famoso na história da Rússia é o de Andrei Chikatilo, assassino em série que matou e comeu partes dos corpos de 52 crianças e mulheres. Chikatilo foi condenado à morte e executado em fevereiro de 1994.

14 de novembro de 2007

SAIO DA VIDA PARA ENTRAR NA HISTÓRIA OU QUASE ISSO...

Youtubeando, do verbo youtubear, assisti a uma animação muito boa “Famous Last Words” – não, não tem nada a ver com a musica do My Chemical Romance, que é bem chatinha, diga-se de passagem.

A história da animação consegue ser simples e inusitada ao mesmo tempo. Como assim? Explico. É o seguinte: um fulano tenta agarrar seu gato no alto de um prédio, quando ele se aproxima acaba acidentalmente pisando no rabo do bicho e os dois caem vertiginosamente, no entanto, no meio do caminho a Morte vem a seu encontro e pergunta “quais são suas as últimas palavras?”. O homem em queda pergunta que diferença isso faz. A morte responde: “toda a diferença no mundo”.

Para provar isso a Morte começa a cantar uma música que relata a história de palavras finais celebres pronunciadas ao longo da história. É justamente essa canção que conduz a narrativa do vídeo.

O ritmo é contagiante, antes do final ele já gruda em você. A única pena é que não tem legenda (se alguém encontrar ou se habilitar a fazer passe o link), mas a pronuncia em inglês não é das mais complicadas, dá para entender. Para pegar os detalhes é só assistir mais de uma vez.

É muito divertido, bem, pelo menos eu achei.

Espero que se divirtam


FAMOUS LAST WORDS

Ficha Técnica
Duração: 4:29min
Roteiro e Direção: Ransom Riggs
Música: Bill Johnson
Letra: Kellen Blair
Animadores: Ramiro Cazaux e Sam Yousefian
Vozes: David Holmes (morte); Levin O’Connor (Homem em queda)
Produção: Shona Kulkarni
Mental_floss Productions
Tem mais, só que me deu preguiça de continuar... veja você mesmo nos créditos ;-)


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11 de novembro de 2007

ENTRE O CÉU E A TERRA, ENTRE O PASSADO E O FUTURO DO PRETÉRITO

Hoje posto duas notícias. A primeira trata de uma questão ligada a história da escravidão no Brasil e a segunda fala sobre a descoberta da possivel origem dos raios cósmicos, tal achado contou com a participação de cientistas brasileiros. Espero que apreciem.

Reed Richards que se cuide...


Letrados e escravizados

07/11/2007

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – A crença, difundida por muito tempo, de que os escravos trazidos para o Brasil não sabiam ler nem escrever faz parte da representação negativa dos povos africanos construída pela colonização portuguesa. Mas uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Educação levanta indícios de que havia uma “disseminação da cultura escrita”, das mais variadas formas, entre escravos e alforriados.

De acordo com a professora Christianni Cardoso Morais, do Departamento de Educação da Universidade Federal de São João del-Rei, em Minas Gerais, os dados coletados para o estudo, a partir de análises de anúncios de jornais e de assinaturas em documentos como testamentos e processos-crime, lançam luz sobre um tema pouco estudado na história da educação no país.

“O estudo pretende contribuir para desmistificar a idéia de que os escravos e forros, mesmo iletrados, não sabiam se utilizar do escrito em seu cotidiano, em uma época em que eram proibidos legalmente de freqüentar escolas públicas no país”, disse Christianni à Agência FAPESP.

A pesquisa se concentrou na região da Comarca do Rio das Mortes, na vila de São João del-Rei, em Minas Gerais, no período que vai de 1731 a 1850. Segundo a historiadora, a delimitação geográfica se justifica pela importância econômica e cultural que o município conquistou no final do século 18. E o recorte temporal seguiu a lógica imposta pela própria documentação, que é mais abundante naqueles anos.

“A praça comercial de São João del-Rei exercia a função de entreposto, pois era um dos principais centros de exportação dos produtos mineiros e de redistribuição das mercadorias trazidas da Corte. Tinha ainda vida política e cultural muito intensa. Além disso, contava com uma biblioteca pública e uma imprensa periódica bastante significativa no cenário brasileiro. Uma região com tamanha importância gerou grande quantidade de documentos”, explicou.

A pesquisadora analisou um universo de 1.612 documentos produzidos entre 1731 e 1850. As principais fontes foram relatórios do Ministério da Agricultura, analisados por Marcus Vinícius Fonseca, no livro Educação de negros, testamentos e processos-crime e nos anúncios do jornal O Astro Minas, que circulou nesse período.

Nos anúncios – fontes já utilizadas por Gilberto Freyre – há, em muitos casos, a descrição física e também das habilidades dos escravos foragidos ou à venda. Eram descritas marcas, escarificações, cicatrizes provocadas por acidente de trabalho, além das habilidades dos escravos: se tocavam algum instrumento musical, se sabiam ler, escrever, seus ofícios, entre outros.

“Ter profissões especializadas, como ofícios de alfaiate, pedreiro, carpinteiro, que exigiam a utilização de medidas e cálculos cotidianamente, indica um grau bastante refinado de letramento, que é o termo que utilizo na pesquisa para entender os usos sociais, cultural e historicamente atribuídos à palavra escrita”, afirmou Christianni.

Segundo ela, o fato de os escravos e forros solicitarem que alguém lhes escrevesse um documento ou o próprio ato de roubar uma carta de alforria alheia e de usá-la como se fosse sua também demonstram que os cativos sabiam se utilizar da palavra escrita, mesmo não sendo identificados na documentação como capazes de ler e escrever.

Para determinar os graus de “letramento” dos escravos, Christianni utilizou um método de análise das assinaturas a partir de uma escala desenvolvida pelo português Justino Magalhães, que tem cinco níveis. Segundo a escala, o nível 1 corresponde à utilização de siglas ou sinais; o 2 à assinatura rudimentar, de “mão guiada”; o nível 3 indica uma assinatura normalizada; o nível 4 registra uma assinatura caligráfica e o 5 apresenta uma assinatura personalizada, criativa.


Análise de assinaturas

“Fotografei assinaturas e analisei os traços dos assinantes tomando como referência a caligrafia da época. O objetivo foi perceber se a pessoa tinha um traço firme, bem organizado e bem distribuído na folha. Se conseguia fazer arabescos, se ligava as letras umas às outras e se tinha uma boa escrita cursiva, o que não era fácil de se fazer na época, porque o ensino da leitura e da escrita estavam dissociados. Primeiro se aprendia a ler e depois a escrever. Então, se o assinante se encaixa no nível 2, provavelmente sabia ler alguma coisa”, explicou.

A pesquisadora chama a atenção para o fato de que o método não é exato nem preciso. Mas, devido à ausência de fontes diretas, as assinaturas foram utilizadas como fontes históricas, sobretudo pelo poder simbólico que adquiriam entre os assinantes.

Outro aspecto importante é que o ensino da leitura e o da escrita de forma combinada só se disseminou mesmo depois de 1850. De acordo com ela, “a partir dessa data encontram-se pessoas com assinaturas maravilhosas, mas que não sabiam ler. A partir daí, não é mais possível aplicar as escalas de assinaturas.”

“O fato de os sujeitos afirmarem que eram capazes de assinar, apesar de não conseguirem fazê-lo em determinadas circunstâncias, revela o quanto eles podiam, a partir do momento em que sabiam assinar, aumentar seu status em uma sociedade basicamente iletrada”, destacou.

Para ler o artigo Ler e escrever: habilidades de escravos e forros? Comarca do Rio das Mortes, Minas Gerais, 1731-1850, de Christianni Cardoso Morais, disponível na biblioteca eletrônica SciELO (FAPESP/Bireme), clique aqui.


Raios cósmicos vêm dos buracos negros

Estudo com participação de brasileiros mostra que núcleo ativo das galáxias são a fonte dessas raras e energéticas partículas


Revista Pesquisa FAPESP Edição Online 08/11/2007 (fonte: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4307&bd=2&pg=1&lg=)

As partículas raras e extremamente energéticas conhecidas como raios cósmicos que chegam à Terra a todo momento são provavelmente gerados por buracos negros no centro de núcleos ativos de galáxias situadas a menos de 300 milhões de anos-luz de distância, anunciou hoje um grupo internacional de 370 pesquisadores de 17 países, incluindo o Brasil, com base nos resultados obtidos pelo Observatório Pierre Auger, na Argentina. Até agora o Sol era a única fonte conhecida de raios cósmicos.

Essas conclusões, publicadas como artigo principal da edição de amanhã da revista científica Science, tomam como base a análise da trajetória de 81 raios cósmicos de energia mais alta detectados desde janeiro de 2004 pelo equipamentos do observatório. Descobertas em 1938 pelo físico francês Pierre Auger, essas partículas são tão raras que somente algumas delas podem ser registradas em uma área de 1 quilômetro quadrado em mil anos. Por essa razão é que o observatório construído no oeste da Argentina a um custo de US$ 54 milhões consiste de 1.600 detectores de solo que se distribuem em uma área de 3 mil quilômetros quadrados no oeste da Argentina e funcionam em conjunto com seis telescópios ópticos.

Os resultados obtidos sugerem que os raios cósmicos de energia mais alta podem integrar o plasma ejetado pelos buracos negros dos núcleos de galáxias ativas como a Centauro A, situada além de nossa galáxia, a Via Láctea. Os campos magnéticos do espaço intergaláctico encurvam a trajetória dos raios cósmicos, que se fragmentam em um chuveiro de partículas ao colidirem com a atmosfera terrestre. Para o físico Alan Watson, da Universidade de Leeds, que idealizou o Observatório Pierre Auger ao lado do Prêmio Nobel James Cronin, esse pode ser o começo da astrofísica dos raios cósmicos. “Os resultados que agora apresentamos inauguram uma nova era na astrofísica, a era da astronomia com raios cósmicos, através da qual poderemos estudar, de maneira inaudita, fenômenos extremos no domínio da assim chamada astrofísica relativística”, diz o físico Carlos Ourivio Escobar, pesquisador do Instituto de Física Gleb Wataghin da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador da atuação dos brasileiros no Auger.

A participação nacional no observatório conta com o apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Rio de Janeiro (FAPERJ).

Além de pesquisadores da Unicamp, participam dos estudos do Auger cientistas da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do ABC (UFABC), Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB).


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6 de novembro de 2007

VANESSA DA MATA, DA SELVA, DO SERTÃO, DA CIDADE E DE TODO O LUGAR

A mato-grossense de 31 anos, Vanessa da Mata, lançou esse ano seu terceiro álbum, Sim. Nesse CD ela conseguiu demonstrar sua maturidade e identidade sonora e caminha a passos largos para se consolidar como um dos principais nomes da Nova MPB. Seu primeiro álbum, Vanessa da Mata (2002), foi bem tateante, com sambas e músicas que lembravam muito as interpretações de Marisa Monte. No entanto, o trabalho intitulado Essa boneca tem manual (2004), soou muito mais moderno e original, sobretudo.

Essa boneca... trouxe em suas faixas o hit Ai, Ai, Ai..., tocado até no carnaval da Bahia, o que elevou a compositora e cantora ao status de cantora popular, rendendo-lhe um disco de platina. Ela tem um timbre bem interessante, em alguns momentos, especialmente ao pronunciar algumas frases e nos seus finais, lembra Gal Costa, em outros, Marisa Monte, mas nunca nos esquecemos de quem está cantando.

Nome estabelecido no meio musical brasileiro, Vanessa compõe boa parte de suas canções e produziu pérolas como “Ela x Ele na Cidade Sem Fim”, canção lenta, de versos simples, melodia cinematográfica e com um resultado belíssimo (escute nesse post). Além disso, suas composições foram gravadas por nomes de peso como Maria Bethânia, por exemplo.

Em Sim, temos uma levada Reagge em algumas das faixas, e não seria de estranhar, pois boa parte do trabalho contou com a participação de músicos jamaicanos (5 das 13 faixas). Sim, traz um pouco do primeiro e do segundo álbum, mas com um grau de amadurecimento que só grandes artistas apresentam. Os sons com ritmo de samba, tocados de maneira tradicional em Vanessa da Mata, aparecem em Sim com elementos eletrônicos e balanço moderno, como, por exemplo, na faixa “Fugiu com a novela”, segunda do disco.

A música de trabalho é "Boa Sorte-Good Luck", composta por Vanessa, com a participação do músico norte-americano Ben Harper. Essa canção já está rolando no blog faz uma semana. Quem gosta de boa música os álbuns Essa Boneca tem Manual e Sim são extremamente recomendados.

Acompanhem duas músicas de Vanessa e assistam o vídeo clipe da canção Boa Sorte-Good Luck e a outro que contem a matéria exibida no Fantástico sobre o processo de produção e a parceria com Ben Harper e o encontro entre os dois.

Acesse a página oficial da cantora clicando aqui

Deliciem-se

Ela x Ele na Cidade Sem Fim




Ela não tem preço
Nem vontade
Ela não tem culpa
Nem falsidade
Ela não sabe me amar
Ela não tem jogo
Nem saudade
Ela não tem fogo
Nem muita idade
Ela não sabe me amar
Ela não saberá

Coisa de amor
De irmão
Que ela insiste e que me dá
Toda vez que eu tento
Ela sofre
Poderia ser medo
Mas como é possível

Mas então seu amor não é meu
Nem eu o seu
Pois então que será minha amada
Amadora?

Ele não tem preço
Nem vontade
Ele não tem culpa
Nem falsidade
Ele não sabe me amar
Ele não tem jogo
Nem saudade
Ele não tem fogo
Nem muita idade
Ele não sabe me amar
Ele não saberá

Mas então seu amor não é meu
Nem eu o seu
Pois então que será meu amado
Amador?

Se eles não têm pose
Nem maldade
Eles não têm culpa
Nessa cidade
Eles não sabem amar
Coisas da vida

(Esta letra foi retirada do site Letras.mus.br)



Boa Sorte-Good Luck



É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte

Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará

Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz

Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais

That’s it
There's no way
It's over, Good luck

I have nothing left to say
It’s only words
And what l feel
Won’t change

Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
É demais / It's too much
É pesado / It’s heavy
Não há paz / There is no peace

Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais / Isn’t real
Expectativas / that Expectations
Desleais

Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha

Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais

Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who advises you

There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
So many special people in the world in the world
All you want
All you want

Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
É demais / It's too much
É pesado / It’s heavy
Não há paz / There's no peace

Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais / isn’t real
Expectativas / that Expectations
Desleais

Now we're falling, falling, falling , falling into the night, into the night
Falling, falling, falling, falling into the night
Um bom encontro é de dois
Now we're falling, falling, falling , falling into the night, into the night
Falling, falling, falling, falling into the night

(Esta letra foi retirada do site Letras.mus.br)


Vanessa da Mata Boa Sorte/Good Luck – Clipe Original



Encontro entre Vanessa da Mata e Ben Harper – Reportagem do Fantástico


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1 de novembro de 2007

EIS QUE A F.A.R.R.A VIRA FESTA

Para baixar o Farrazine clique aqui
Bem...

Leitores e visitantes casuais, o post de hoje é muito especial, pois nele temos o prazer de anunciar que o maior projeto coletivo iniciado e concluído por Revolucionários da Rapadura Açucarada foi lançado... o F.A.R.R.A Zine.

O Fórum de Agrupamento de Revolucionários da Rapadura Açucarada (F.A.R.R.A) reuni gente de todas as idades, profissões, sexos, sexualidades, estatura, cor de cabelo e até residentes no exterior, mas todos têm uma grande e incontestável paixão: História em Quadrinhos, ou Gibis, como popularmente ficaram conhecidas no Brasil. Atualmente o F.A.R.R.A. conta com mais de 14 mil membros.

Eis que nesse fórum foi criado um tópico para alojar projetos de seus membros, tais como HQs, contos, novelas, tirinhas e até e-books (entre os projetos está SOBREHUMANO, narrativa desenvolvida nesse blog). Desse espaço surgiu a idéia de se criar um fanzine que foi discutida com certa empolgação no início, mas logo perdeu força. Porém, o homem que pariu o blog que deu origem ao fórum, ou seja, o “vovô” da idéia, o Mrs Rapadura Man, vulgo Eudes Honorato, publicou um tópico com a seguinte intimação: O Farrazine sai ou não sai?


Treze mil e quinhentas exibições e mais de mil e seicentas respotas depois, o Zine foi finalizado e publicado como um scan e em pdf.

A coordenação do projeto ficou a cargo do Kio (Caio Canovas) e os membros mais ativos foram dando suas contribuições para a conclusão desse projeto, que já tem previsão para a edição do n.2, e deus salve a rainha, para que muitas outras edições venham. No começo das discussões até me envolvi, mas infelizmente não consegui tempo para participar mais ativamente do projeto, mas em breve, quem sabe, dou minha contribuição.

O resultado final ficou muito bom, têm um pouco de tudo: música, cinema, conto e até uma HQ produzida no próprio fórum. Tudo isso feito com muito humor e com dedicação. O resultado gráfico é o ponto forte, com contribuições decisivas dadas pelo Snuck (do blog plano B) – mas não só ele. Cada nova página salta aos olhos e o conteúdo não fica atrás, a começar pelo editorial escrito pelo Ricardo Andrade terminando com as tirinhas, passando por um crossover entre Duende Verde e Coringa (obra da mente do querido Rdelton - blog do negrito) e até uma receita com ingredientes pouco ortodoxos. Por fim, só tenho a dizer que ler o farrazine é garantia de bom entretenimento.

Eis que a F.A.R.R.A. virou festa

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