Essa brincadeira do amigo secreto entre os blogueiros foi uma das idéias mais interessantes que vi nos últimos tempos. Com ela vamos poder conhecer uma série de blogs que, talvez, nunca iríamos encontrar ou ler mais atentamente.
A surpresa que tive foi extremamente agradável quando li o blog que tirei.
Vou começar citando a frase do perfil da D. Cardoso, uma jovem paulistana de 19 anos:
"Nela estava escrito: Quem é você? Nada mais. A mensagem não tinha qualquer fórmula de saudação, tampouco um remetente, só estas três palavras escritas a mão,seguidas de um grande ponto de interrogação."
A partir dessa descrição posso me arriscar a categorizar, mas sem rotular, o Deixa Estar: um blog literário, com prosa, verso e um talento promissor. As poesias e os textos são intimistas e revelam um pouco da visão de mundo da garota como no post Me deixe aqui, estou bem assim, no qual diz:
“Levando minha vida de maneira boémia, fazendo poemas em bares pela Augusta,saindo e bebendo com meus amigos porque eles não me julgam, me aceitam com todos os meus defeitos.”
Lembra muito os textos da querida blogueira Eni, do Delirium Tremens (veja nos parceiros).
Ela quer viver intensamente e expressar tudo o que sente, sem fazer do blog um diário, mas utilizando a escrita para fazer arte.
O blog de D. Cardoso é um recém-nascido (tem 2 meses de existência) e muito promissor. A autora precisa de uma certa atenção com o uso da letra “r” no final das palavras, como no conto/crônica Hey, por que essa menina escreve tanto?, dividido em duas partes. Não é uma critica destrutiva, mas um conselho de professor. Embora as palavras com grafia não oficial nesse texto dêem o tom do ambiente em que se desenrola, esses deslizes aparecem em outros momentos. A prática leva ao aperfeiçoamento, continue por que nós leitores precisamos!
Mas digo a todos em alto e bom tom: ESSA MOÇA TEM MUITO TALENTO E VALE A PENA A LEITURA DE SEUS TEXTOS.
Sobre fracassos, artes marciais, surpresas, intimidade e cine de autor...
Eu assisti o filme esse fim-de-semana aqui na Espanha. Estreou em pouquissímas salas, a que eu fui estava vazia, e ainda por cima, algumas das poucas pessoas que estavam na sala abandonaram o cinema aos 20 minutos... fiquei pensando, devo fazer o mesmo? Resolvi ficar ali e terminar de ver o filme... Eu já sabia que não era o típico filme de ação do Van Damme. De tanto que havia lido que era um filme ironizando a figura do ator pensei que poderia ser interessante, não pela ironia e sim pela criatividade. Além do mais, li críticas excelentes, tanto de leigos como de especialistas e, finalmente, continuei na sala assistindo, praticamente sozinho...
Antes de entrar vi gente rindo do poster do filme, e até se espantando de que alguém fosse assistir ele...
Blergh!!! Pensei...
Eu teria mais vergonha de ir ver Disaster Movie ou High School Musical 3 que, por certo, estavam com as salas lotadas. Reconheço que esse filme do Van Damme será um fracasso de bilheteria, acho que até ele sabia disso antes de fazer. Parece que ele saiu de moda definitivamente...
Agora eu queria dizer uma coisa sobre o filme... é um filmaço! Dos poucos que valem o ingresso hoje em dia. Não é ironia gente, é sério!
O cara simplesmente deixou de lado todo o clichê dos filmes, tais como, bundas de fora, porradaria a torto e direito e pegar as mulheres mais gatas... Nesse filme o nu de Jean-Claude é emocional, algo muito mais difícil de se fazer que o nu físico. Ele tem a audácia de interpretar o personagem mais difícil de sua carreira; ele mesmo!
O filme não é uma comédia como saiu em alguns lugares, tampouco é um drama ou uma aventura. É um cine de autor, uma homenagem singular a um ator que caiu no esquecimento do público e, diga-se de passagem, Jean-Claude Van Damme demonstrou ser um excelente ator nesse filme! Destaque para a cena onde sua filha diz que não deseja viver com ele... e onde ele faz um monólogo sobre o que ele considera sua própria vida. Essa é uma das melhores cenas do filme, muito intíma e introspectiva, jamais imaginei o Van Damme assim.
Creio que os fãs do cara vão odiar o filme. O fato é que o Van Damme de JCVD amadureceu, e talvez, alguns fãs do cara não. Se você é uma pessoa que conhece um pouco da vida pessoal dele sentirá que fazer esse filme não deve ter sido fácil para o ator. E o diretor fez algo simplesmente fantástico com o roteiro, com planos bem escolhidos, música de bom gosto, além do que, ele consegue fazer cenas engraçadas estarem associadas a tristeza da situação sem que você note muito a diferença... rir e chorar no filme é quase uma obrigação em determinados momentos.
Aconselho muito as pessoas que gostem de filmes alternativos e sem clichês hollywoodianos a assistirem. Mas quando assistir no cinema, em dvd ou filme no PC retirem qualquer pudor referente ao passado do ator da cabeça e prestem atenção no que ele realmente quer dizer. A mensagem é forte, mas se você não estiver com os ouvidos atentos pode acabar deixando ela passar...
Sobre dias eternos, amores vazios, viagens, rockboys e saudade...
Clica aí vai:
Viagem total! Ouvir Violetas de Outono é isso. Uma aventura surreal pela Terra-do-Nunca. E eu não me refiro a drogas, a música é tão bacana que faz você participar da melodia só escutando mesmo. O grupo foi formada em 1984 no bairro de Pinheiros em São Paulo. Começou a ser conhecida no circuito underground paulistano no ano seguinte, quando gravou uma demo com as músicas "Outono", "Dia Eterno", "Declínio de Maio" e "Reflexos da Noite". Em 1986 gravaram um EP de três faixas, e no ano seguinte lançaram o primeiro LP da banda, Violeta de Outono. Em 2007 eles lançaram o Volume 7, albúm mais recente da banda.
Extremamente recomendado!
Clica aí vai:
AUMENTA QUE ISSO AÍ É ROCK ´N ROLL!!!! Precisa falar mais?! Celso é muito bom! Clica de novo e curte o show, eu não digo nada mais...
Clica aí vai:
Vamos na fé amigos! Esse vídeo está fraco, mas a música é um clássico do underground carioca! Baía & Rockboys - Na Fé.... Viva a sociedade alternativa!
Só queria compartir um pouquinho do que eu cresci ouvindo com vocês. Essas músicas fizeram parte da minha adolescente, a fase mais chata, marcante, deprimente, ridícula e encantadora na nossa vida...
Caros e parcos leitores, leitoras e visitantes casuais.
Novamente estou na capital fluminense e por aqui devo permanecer até o fim desse mês ou começo do outro, depende das variantes.
Por enquanto o Fronteiras vai ficar sem meus posts, a não ser no dia 25 de novembro, quando vai ao ar por diversas regiões da blog-esfera o tão esperado amigo secreto dos blogueiros. Já comecei a ler o que foi sorteado para receber o nosso presente e estou ansioso para saber o que vou ganhar (uma postagem amigável ou um esculacho? rsrs)
Porém, pode ser que dê tempo de postar mais coisas nesse intervalo, mas isso não é uma promessa... assine nosso feed e acompanhe as atualizações.
Enquanto isso se divirta e delicie-se com as postagens de rdelton-negrito. Leiam a ultima postagem dele, ficou show!!!! Vocês também podem acompanhar nossos parceiros. Recomendo.
Sobre a conspiração da pólvora, o dia 5 de novembro, vingança e otras cositas más...
Guy Fawkes Night "Remember, remember the Fifth of November, The Gunpowder Treason and Plot..."
Guy Fawkes(Iorque, 13 de abril de 1570 — Londres, 31 de janeiro de 1606), foi um cidadão inglês que participou da chamada "Conspiração da pólvora" (Gunpowder Plot), conspiração tal que desejava matar o rei protestante Jaime I da Inglaterra e todos os membros do parlamento durante uma sessão em 1605, objetivando o início de um levante católico. Este homem estava encarregado de guardar os barris de pólvora que seriam utilizados para explodir o parlamento inglês. Porém os planos de Guy Fawkes e seus acólitos foram por água abaixo e ele acabou sendo interrogado e torturado, fato que o leva a forca por traição ao Estado e tentativa de assassinato. Sua captura é celebrada até os dias atuais no dia 5 de novembro, na "Noite das Fogueiras" (Bonfire Night).
Porquê eu disse tudo isso?
Simples... a história de Guy chegou ao conhecimento de um senhor chamado Alan Moore nos anos 80. E a partir daí, a lenda que esse homem já tinha criado com sua atitude audaciosa e inovadora se transformou em fábula. E essa fábula virou quadrinhos, e os quadrinhos viraram filme... e nesse filme há um discurso entre tantas cenas clássicas... Clique abaixo e lembre também...
A graphic novel é muito melhor que a versão live-action. Mas o filme ficou bacana também... Sempre que leio V for Vendetta, lembro que o final de Watchmen é bem parecido, pelo menos no quesito dramático e extremista que os principais responsáveis pelas mudanças no mundo tem. Tanto "V", quanto Ozymandias fazem da desgraça e do terror a razão da paz e da liberdade. São como terroristas com ideais humanos e lógicos... e isso é o que dá mais medo.
Uma exposição muito interessante sobre o físico alemão Albert Einstein está disponível na web com acesso livre para todos, graças a Revista Pesquisa FAPESP, publicação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, uma das principais agências de fomento do país.
Na exposição são discutidos os impactos da teoria da relatividade em diversas áreas do conhecimento, como a História, Antropologia e Política, por exemplo.
Vale a pena acompanhar.
Os lados ocultos de Einstein
Mauro Almeida conta como a antropologia usa o conceito pop de relativismo e Olival Freire traz à tona o físico engajado contra a segregação racial. Veja trechos das palestras em vídeo clicando aqui
Obs.1: Se estiver acessando o blog pelo Internet Explorer poderá assistir o vídeo por aqui mesmo
Obs.2: Link dos vídeos de todas as palestras no final do post
Edição Online - 30/10/2008
Pesquisa FAPESP -
“O relativismo pop leva a uma espécie de niilismo”, explicou o antropólogo Mauro Almeida, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no dia 25/10, na palestra “Pluralismo e relativismo nas sociedade humanas: o impacto das idéias de Einstein”. Ele se referia à noção popularizada de que tudo é relativo, portanto nada absoluto existe. A apresentação fez parte da programação cultural da mostra científica, organizada por Pesquisa FAPESP, com apoio do Instituto Sangari.
Almeida contrapôs esse conceito ao relativismo formulado e adotado pela física. Segundo Galileu Galilei, o italiano que nos séculos XVI e XVII foi responsável por avanços cruciais na física, na matemática e na astronomia, os movimentos são relativos. “Para ele, as leis da mecânica são geralmente verdadeiras para todos os observadores em movimento não acelerado”, disse o antropólogo. No século XX, Einstein estendeu o conceito para fenômenos que têm a ver com a propagação da luz. Com isso, as medidas de comprimento e de tempo passaram a ser relativas.
Ao contrário da relatividade descrita por físicos, que parte de leis gerais do Universo, o relativismo pop entende que, como tudo é relativo, não existem leis verdadeiras para todos os observadores. De acordo com Almeida, esse pseudo-relativismo entrou nas humanidades – na antropologia, sugere que cada sociedade tem seus princípios.
A grande mudança veio nos anos 1920, quando antropólogos passaram a viajar para estudar diferentes sociedades e investigar se no fundo todos vivem da mesma maneira. No entanto, antropólogos como o francês Claude Lévi-Strauss e o brasileiro Eduardo Viveiros de Castro acabaram revelando diferenças profundas em como as sociedades funcionam.
Suspeito de espionagem - Em sua palestra “O dossiê Einstein no FBI: a documentação de sua luta pelos direitos civis”, o historiador de ciência Olival Freire, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), apresentou ao público uma faceta pouco conhecida de Einstein: a de opositor da segregação racial nos Estados Unidos.
Esse lado do físico veio à tona em 2002, quando o jornalista Fred Jerome publicou o livro The Einstein File a partir do material disponível no site do FBI [http://foia.fbi.gov/foiaindex/einstein.htm], que supostamente investigou uma das maiores personalidades da ciência devido à sua associação com o partido comunista. Freire contou que o objetivo de Edgar Hoover, “diretor quase eterno do FBI”, era expulsar o físico do país. “Imaginem vocês se o Hoover tivesse obtido sucesso. A história e a própria exposição que nós estamos assistindo talvez não existissem ou teriam sido bastante diferentes”, comentou o historiador.
De origem alemã, Einstein chegou em 1933 à Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. Alguns anos depois obteve a cidadania norte-americana, o que só reforçou suas posições políticas. Como cidadão, ele não poderia se calar numa sociedade em que linchamentos de negros eram corriqueiros e aconteceram até os anos 1960.
Mesmo avesso a homenagens e honrarias, Einstein aceitou o título de doutor honorário pela Universidade Lincoln em 1946. O motivo era condizente com sua militância: era uma universidade que se propunha a educar homens negros que não eram aceitos em outras universidades. “A separação das raças não é uma doença das pessoas de cor, mas uma doença dos brancos”, disse em seu discurso. “Não pretendo me calar a esse respeito.” Não se calou. Há inúmeros registros de cartas escritas a autoridades e manifestações diversas de apoio aos negros por esse cientista que visitava amigos na rua dos negros em Princeton.
Mesmo que os registros estivessem disponíveis há anos no site do FBI, demorou muito tempo para que essa faceta viesse à tona. Para Freire, esse atraso denota o desconforto que a forte segregação causa aos norte-americanos e sobretudo à Universidade de Princeton, que já foi “uma fortaleza de segregação e racismo”.