7 de outubro de 2010
STAR WARS EM PAPEL - A SÉRIE CLÁSSICA EM UMA CANÇÃO
12 de março de 2009
PINK & CÉREBRO, MATRIX E UMA DEDADA

Cientistas norte americanos ligados ao Instituto de Tecnologia da Geórgia utilizaram hamsters para testar equipamentos capazes de converte em energia elétrica movimentos biomecânicos irregulares.
Essa técnica é baseada em nanotecnologia e sua aplicação poderá se vista em nosso cotidiano. Como assim? Seguinte. A idéia é que essa tecnologia possa ser utilizadas em celulares, notebooks e em outros eletroeletrônicos de pequeno e médio porte, pois a medida que utilizamos as pontas dos dedos para teclar esses pequenos conversores transformariam nossa dedada em eletricidade.
Mas o potencial dessa tecnologia não para por ai, os mesmos receptores poderiam ser colocados em nossos corpos para aproveitar os movimentos e transformar isso em energia.
Imaginem o seguinte cenário. 2012, fim do mundo tal qual o conhecemos. (segundo o calendário maia). As máquinas dominam tudo (ou o Google, dá quase na mesma), as fontes naturais de energia acabaram ou entraram em colapso devido a uma crise mundial e da natureza. O que restaria? Colocar esses dispositivos em seres humanos e nos obrigar a correr em rodas (iguais as de hamsters) para gerar energia. Seriamos os ratos mais inteligentes do planeta!!!
[entendeu o título agora? - o que passa na cabeça de um cara que faz uma associação esdrúxula dessas!?!]
Tirando a parte do sarro, as possibilidades são muito interessantes.
Leia o artigo completo aqui
7 de julho de 2007
SOBREHUMANO - 3° EPISÓDIO (3ª PARTE)
O debate entre os generais da Corte estava ficando cada vez mais acalorado. Abraham permanecia em silêncio, sentado com as mãos unidas próximas ao rosto, tocando delicadamente seu nariz, parecia que estava orando. Seu corpo estava um pouco curvado para frente, e os cotovelos estavam apoiados sobre a mesa. Em seus quase sessenta anos nunca havia ficado tão ansioso em sua vida. Ele olhava atentamente para os monitores, os guerreiros digladiavam com palavras e saliva que espirrava nas câmeras, seu rosto mantinha a mesma expressão calma de sempre, sua mente fervilhava e toda a tensão daquele momento se externava por meio de suas mãos que transpiravam e suavemente gotejavam sobre a mesa.
A luz na sala onde Abraham estava começou lentamente a diminuir, os generais começaram um a um a olhar para o monitor que exibia a imagem do intelectual. Todos ficaram perplexos quando viram repousando sobre o ombro daquele civil uma mão grandiosa e muito conhecida.
Abraham sorriu de canto.
A hora era agora.
***
Skyline City
Na Zona Portuária o jovem casal estava muito assustado com os eventos recentes. O rapaz arrumou rapidamente suas roupas e foi em direção ao homem que havia surgido do meio do clarão.
Ele estava completamente nu, a luz da lua permitia que algumas características dele fossem identificadas, como os cabelos lisos e castanhos, a pele clara e o corpo levemente musculoso com cerca de um metro e oitenta de altura. Um cara, aparentemente, comum.
— Leo, não toca nele, por favor!!!! – a moça estava muito nervosa.
— Fica calma, não vou tocar nele com minha mão – Leonard olha para o lado direito e vê um cabo de guarda-sol enferrujado largado a poucos metros dele e a uns 100 metros um andarilho cambaleante que parece estar vindo na direção deles.
Leonard pega o pedaço de ferro e cutuca o homem no chão. No primeiro contato não há nenhuma reação, ele insiste colocando cada vez mais força.
— Ei cara! Você ta legal?
Um esboço de reação começa a surgir, o andarilho estava bem próximo e dava para perceber que cambaleava por estar bêbado. A moça ficou mais próxima de Leonard, segurando seus ombros. O homem nu começava a acordar.
— Puta merda!!! Que dor de cabeça!!! Onde estou? Quem são vocês? – com a cara e a boca suja de areia sua voz saiu meio engasgada e ele começou a cuspir.
— Cara, não sei dizer pra você o que aconteceu, eu tava com a minha mina aqui na praia de repente tudo ficou claro e aí depois você tava ai, caído feito um bêbedo no chão e peladão.
O homem se dá conta de sua condição, olha para os lados e vê a moça atrás de Leonard. Suas vistas começaram a embaralhar e ele começa a ver um quarto de motel barato, meia luz, um ventilador girando e rangendo a cada rotação. A cama de casal que mais parecia uma cama de viúva acomodava o jovem casal que estava ali, em pé, bem em sua frente.
— Carolinie
A moça se assusta, pois não consegui imaginar como aquele homem poderia saber seu nome.
— O que?
— Você está grávida.
— Ham!!!!! – Leonard e Carolinie pronunciaram espantados ao mesmo tempo.
— Seu namorado mentiu pra você, naquele motel barato a camisinha estourou e ele gozou dentro de você – num flash ele viu a cara de assustado de Leonard no momento em que ele percebeu que a o preservativo tinha estragado –, ele não te disse nada antes para não assustá-la.
— Isso é verdade Leo?!?
— Não sei como ele sabe isso. Não contei pra ninguém.
— Seu desgraçado – a menina começou a chorar.
Próximo dali, com os olhos ainda queimando por causa do clarão, Joe Lambert, o Pyscho Crush, voltou a observar a praia e via que o casal estava conversando com um homem nu e que um maltrapilho se aproximava deles. Lambert aumentou o zoom e não demorou muito para reconhecer o peladão. Rapidamente ele correu até seu Closet e pegou um sobretudo e começou a descer as escadas resmungando:
— O que será que o porra do Vincent aprontou dessa vez?
Fim do 3° Episódio
Próximo Episódio: O que diabos está acontecendo?
15 de junho de 2007
SOBREHUMANO - 3º EPISÓDIO (2ª PARTE)
Na parte sul da baía da cidade, na Zona Portuária, em uma praia da cidade pouco freqüentada a lua iluminava discretamente um casal jovem de pouco mais de vinte anos que estavam sendo levado pelos impulsos hormonais. O leve som das ondas quebrando na orla criava um ambiente interessante, a areia grossa penetrava entre os dedos dos pés, a aspereza do muro alto que separa a avenida da praia contra as costas da moça já nem era mais percebida.
O rapaz já estava com as calças no meio dos joelhos, as coxas da mulher mexiam e o roçavam de maneira frenética, a pele dela era macia, coberta por pequenos e delicados pêlos descolorados ao sol, os dois estavam prontos para o ápice daquele amasso.
Ela, voluptuosa, estava ofegante, erguia ainda mais sua saia e desamarrava lentamente a calcinha nas laterais enquanto tinha seus seios quase devorados. Tudo estava pronto, era hora.
A poucos metros dali um homem obeso observava com um binóculo de visão noturna – e muito excitado – o casal, um espelho estava no chão para que ele pudesse enxergar seu pênis para se tocar, a poucos minutos atrás ele se levantou por que a luz havia acabado e não poderia mais usar o computador.
Na praia, a moça tirava do bolso da camiseta do amante a camisinha e com grande habilidade abriu a embalagem e já estava pronta para colocar quando a terra começou a tremer. Um abalo sísmico de pequenas proporções, mas suficiente para assustá-los. Acompanhando o tremor um ponto luminoso surgiu no meio da praia e rapidamente ganhou mais intensidade chegando a um brilho intenso, descomunal, iluminando toda a praia e alguns navios atracados a poucos quilômetros dali. O casal ficou muito assustado e Pyscho Crush que os observava pelo binóculo levava as mãos aos olhos e usou todos os palavrões que conhecia para expressar a dor.
Com a mesma rapidez e intensidade que surgiram o brilho e o tremor desapareceram. No epicentro do clarão estava um homem, caido com o rosto contra a areia, desacordado e completamente nu.
Continua...
16 de maio de 2007
SOBREHUMANO (3° EPISÓDIO - 1ª PARTE)
Tudo estava escuro, fazia muito frio ao mesmo tempo em que um calor intenso tomava conta dos sentidos. Vincent acabara de recuperar a consciência, mas ele não conseguia definir se estava de pé ou deitado, de frente ou de costas, todas as referências de espaço foram perdidas, como se o vidente estivesse flutuando em um grande, quase infinito, espaço vazio.
A “sala dos mistérios” já não existia, Skyline há muito fora destruída, oceanos haviam secado e o sol, agora uma gigante vermelha, já engoliu Mercúrio e Vênus. Num piscar de olhos o primeiro ser pluricelular deixava os mares e iniciava sua longa jornada – não planejada, mas dominada completamente pelo acaso.
Vincent estava perdido no fluxo do Tempo, futuro e passado iam e viam, se misturavam, davam origem a séries infinitas de eventos possíveis na cadeia de possibilidades que se perpetuavam ad infinito. A mente do místico não conseguia captar tudo o que estava acontecendo, a ausência de lugar e de tempo era insuportável. As memórias de outra criatura invadiam e se mesclavam com suas próprias lembranças.
Ele tremia da cabeça aos pés, em uma convulsão desgovernada e acelerada, nenhuma dor, nenhuma sensação, ele não sentia nada. Suas mãos tentavam se agarrar em algo, mas não havia onde se agarrar. Descargas elétricas de seu cérebro tentavam controlar o movimento descontrolado de seu corpo, um líquido quente e viscoso jorrava pelo nariz, os olhos, então começaram a arder, a cabeça por um pequeno instante doeu como se tivesse sido atingida por uma grande e pesada bigorna que espalhava os pedaços de ossos do crânio por toda a parte. A escuridão persistia.
Um grito agudo, seco e inumano rompeu o silêncio...
***
Metade dos generais estava com Liu, admitir que Papillon não estava mais entre nós, que ele transcendeu para um estágio verdadeiro de divindade, sem admitir que ele foi atacado e aumentar ainda mais o domínio militar sobre as regiões tutoradas.
Os outros quatro, em especial Marco, responsável pelo policiamento da região latina (que se estende do México até a Venezuela) e um dos comandantes mais competentes, acreditava que o poder deveria ser dividido entre os generais em novas zonas de controles (todas já definidas por esses militares) e novos Estados deveriam ser fundados, além disso, uma caçada aos assassinos de Deus deveria ser decretada e se novamente um país quisesse se opor ao poder da Corte deveria ser completamente destruído para servir de exemplo.
Abraham permanecia em silêncio, os generais estavam exaltados, ele como era um intelectual já arquitetava algo, não deixaria escapar a oportunidades e manter sob seus auspícios o mundo que ele e Papillon haviam construído, ou melhor, que estava em construção.
A hora de se pronunciar estava chegando
A jovem morena de ascendência latina ajoelhou-se e tocou no hindu, ele estava gelado, mas ainda respirava, seus pulmões se enchiam de ar bem vagarosamente e o movimento da respiração mal conseguia ser percebido sob a camisa branca de seda levemente rasgada. A mulher com a mão tremula aproximou a vela do rosto de Mohamed, a boca estava levemente aberta e seus olhos estavam escancarados, ela tocou em algo estranho no rosto do homem e aproximou ainda mais a chama e percebeu que os olhos do homem sangravam.
Ela chamou por Vincent e não obteve resposta, seu coração que já estava acelerado pelo som do grito inumano escutado a poucos segundos atrás disparou desenfreadamente, ela não sabia o que esperar e muito menos o que estava acontecendo, suas pernas começaram a tremer e ela não conseguiu ficar de pé, engatinhando percorreu os poucos metros que deveriam separar Vincent de Mohamed, na apertada “sala dos mistérios”, sua angústia aumentou ainda mais quando ela percebeu que Vincent não estava lá
Continua...
30 de abril de 2007
SOBREHUMANO (2° EPISÓDIO)

Episódio 2 – Um ponto de Luz
Um ponto de luz cruzou meio mundo e agora entrava pela baía de Skyline City, circundou o centro comercial e financeiro e se dirigiu a periferia da cidade. Pequenos incidentes ocorriam no trajeto: televisores se ligavam sozinhos, celulares descarregavam, torradeiras transformavam os pães deixados para o dia seguinte em partículas de carvão e vários telefones tocavam ao mesmo tempo.
Vincent entrava em uma espécie de transe, Mohamed estava cada vez mais impressionado. O cheiro de mirra inundava todo o ambiente, a fumaça começava a irritar os olhos, uma leve luz vermelha acendia gradualmente as costas do místico e sua voz começava a mudar, ficava mais feminina e carregada por um sotaque hindu.
– Pai...
– Nadja, minha princesa – as lagrimas escorriam como cataratas.
– Eu estou bem. Aqui é muito bom. Não se preocupe comigo. Diga a “mamani” que ela pode tentar ser feliz de novo, que não irei ficar magoada dela viver, que não foi culpa dela o que aconeteceu...
–...
– Eu perdoei o homem que fez aquilo comigo e que ela deve perdoá-lo também. Preciso ir agora, estou cansada... – uma longa pausa se fez, o silêncio na sala era torturante, Mohamed não se agüentava em ansiedade, seu estomago doía, o vomito estava prestes a romper os limites da civilidade...
– Papain, da próxima vez quero lhe dizer coisas especiais
– Não vá Nadja, não vá, por favor...
A luz vermelha ao fundo se apagou de repente e a bola de cristal se ligou sozinha, o celular de Mohamed, mesmo desligado, começou a tocar, o alarme da casa e o mecanismo anti-incêndio dispararam e um pequeno ponto de luz entrou na “sala dos mistérios” por baixo da porta. Ele parou sobre a cabeça de Mohamed e começou a diminuir de tamanho.
Nenhum dos dois estava entendendo nada, Vincent sentiu um frio na espinha e Mohamed estava imobilizado. A luz começou a mudar de cor vertiginosamente, percorrendo todos os espectros visíveis e invisíveis, diminuindo, e na medida que encolhia a intensidade de seu brilho aumentava.
Repentinamente, quando estava do tamanho de um grão de feijão, disparou na direção de Vincent, atingindo-o no peito. Um enorme clarão se formou, de forma tão brilhante quanto uma super-nova...
...os olhos de Mohamed viram pela última vez a Luz.

Em Londres, Abraham convocava os generais das forças da Corte para discutir a situação inesperada por vídeo conferência. Papillon não dava sinais. A Corte que tutorava (aos moldes europeus do século XIX e por boa parte do XX) cerca de 50% dos Estados do planeta e contava com o apoio e parceria da outra metade, esperava que este poder não se perdesse ou se dividisse caso as noticias sobre a morte de Deus fossem verdadeiras. O clima de ansiedade imperava.
O Big Ben marcava meia noite, a reunião teve início...
***
Joe Lambert, também conhecido como Psycho Crush, estava devorando sua segunda cachinha de Macarrão Shop Sue (Yakisoba) e arrotava os gazes contidos na Coca-Cola de 3 litros que já estava no fim. Habilidoso com computadores ele estava salvando no HD-DVD as informações confidenciais dos clientes de Vincent e das pessoas que num futuro poderiam vir se consultar. Ele fazia a sistematização dos dados colhidos via Internet, investigação e abordagem direta realizada pela equipe de Vincent. Quando o cliente entrava na “sala dos mistérios” o vidente já tinha tantas informações que mesmo o mais incrédulo dos incrédulos cairia diante aos talentos e encantos do místico charlatão.
Joe ria, ria alto, quase descontroladamente quando ele começou a se lembrar de John, o funcionário da vídeo locadora que sonhava em ser “super-herói” de quadrinhos. Sua barriga começou a doer, ele parou de rir, respirou profundamente, deu mais um sorriso e se perguntou por onde andava o Looser do John. Faz muito tempo que ele não o via, se bem que não era muito de sair de casa e como já tinha visto todo os filmes pornôs daquela locadora não ia mais lá.
A gravação estava terminada e o CD estava sendo ejetado quando tudo em sua casa apagou. O Hacker levantou sues 150 KG da cadeira e foi até a janela, tudo estava escuro, dava até para ver estrelas no céu. Skyline sofreu um apagão.
Continua...
25 de abril de 2007
SOBREHUMANO
Aguardo por ilustrações e comentários
De bandeja publico hoje dois episódios: o piloto e o primeiro

EPISÓDIO PILOTO
– Eu acreditava que era um Deus.
Nunca achei que isso pudesse me acontecer, quer dizer, desde que me transformei em algo que nunca imaginei que me tornaria. Nesse exato momento consigo sentir cada célula do meu corpo se desmanchando e os átomos que as compõe estão subdividindo-se em partículas cada vez menores e imprevisíveis, como se fosse a origem de um novo universo, ou o ressurgimento de efêmeras lembranças do início do tempo, do Big Bang.
Tudo acontece tão rápido, minha vida toda passa diante dos meus olhos como se fosse um pequeno salto de um ponteiro. Olho para baixo e vejo a Terra ficando cada vez mais distante, desgovernada... Consigo lançar a última gota de consciência que me resta para encontrar um homem que escreverá minhas memórias, que terá minhas memórias.
Minha primeira derrota foi a derradeira
– É triste descobrir que os deuses também morrem.
Fim do prelúdio.
Episódio 1 – Luto ou Júbilo?
O sol começava a se esconder no horizonte quando as principais emissoras de TV internacionais interrompiam suas programações para dar a noticia do século: Papillon estava morto, havia sido desintegrado no limiar da atmosfera terrestre.
No mais respeitado canal jornalístico da América a noticia era dada da seguinte maneira:
CNN – “O auto-proclamado Deus da Terra, também conhecido como Papillon, recebeu um misterioso ataque a poucos instantes enquanto patrulhava o planeta do Espaço. Autoridades ligadas a Corte e sua acessória de imprensa ainda não se manifestaram oficialmente a respeito, mas o raio que atingiu e matou o herói pode ser visto de vários pontos do hemisfério Leste e imagens produzidas pelas câmeras da Estação Espacial Internacional captaram de relance o momento do impacto. Vejamos a imagem...”
Nesse momento as transmissões foram interrompidas e Abraham, um dos principais porta-vozes da Corte, aparecia dizendo que as noticias eram falsas e que Papillon ainda estava lá em cima “olhando por nós”.
A repercussão foi imediata. Na Internet fóruns excediam sua capacidade de acesso, blogues e sites das mais diferentes matizes discutiam sobre a veracidade da noticia e das imagens que circulavam pela rede.
Na China a policia vermelha agia violentamente contra os manifestantes dos grupos anti-Deus; na França as forças da Corte engrossavam suas fileiras com os seguidores de Papillon e rapidamente abafavam qualquer tipo de manifestação; no Brasil a bateria da Mangueira estava saindo do recuo e o desfile em homenagem a Papillon agitava a marques de Sapucaí. O mundo não sabia direito como reagir, mas o certo era que agora ele estava mais dividido do que nunca.
Enquanto isso na periferia de Skyline City, maior cidade dos EUA, uma guatemalteca de meia idade estava consultando seu vidente para saber se seu marido ainda a estava traindo com Tina, sua ex melhor amiga.
Vincent concentrava-se para atender o pedido de sua cliente mais fiel, as cartas mostravam que Hugo estava andando na linha e que ela poderia ficar tranqüila. Ao mesmo tempo Steak, principal ajudante de Vincent recolhia a mesada de Hugo e Tina em um Motel barato a duas quadras do “escritório” do vidente.
A latina estava muito feliz, beijava incessantemente a mão de Vincent e logo tirava da bolsa um envelope com o valor da consulta e o depositava no pequeno altar dedicado a virgem de Guadalupe.
O próximo cliente aguardava ansioso, era Mohamed, um indiano dono da mercearia. A secretária pedia que ele aguardasse alguns minutos enquanto o vidente re-alinhava suas energias com o Cosmo. Dentro da “sala dos mistérios” a virgem de Guadalupe era substituída pela estatua de uma vaca sagrada.
Quando Mohamed abriu a porta Vincent estava usando um turbante de cor púrpura, um recipiente no canto direito atrás da mesa branca queimava mirra. O mensageiro do vento anunciava a entrada. Vincent olhou diretamente nos olhos do indiano e com voz incisiva disse que hoje Nadja iria entrar em contato por meio dele. Mohamed começou a chorar e o místico sorriu por dentro...
Um pequeno ponto luminoso, pouco maior que uma bola de tênis, entrava vertiginosamente na órbita terrestre e pairando sobre o Indico entrou no continente africano atravessando-o como um minúsculo ponto, logo o atlântico testemunhava silenciosamente a pequena partícula atravessá-lo e adentrar a baia de Skyline city...
Continua...
6 de abril de 2007
ESPAÇO ABERTO (2° post)

Capítulo 1 – Perdida (parte 2)
Novembro, 2, 2150 – 00h10m – a bordo da UK-Explorer
Juan imediatamente tocou na parede transparente e acessou o menu do sistema para ampliar e aproximar a imagem do recém-nascido. Ele conseguiu ver que alguns detritos haviam se desprendido do meteoro e que estavam seguindo uma órbita contrária a que deveriam, sinal de que algo havia se chocado com o cometa. Abrindo um outro link Carrijo acessou o controle de navegação de uma das naves automáticas e inseriu as coordenadas do novo cometa. O artefato terráqueo gastou poucos segundos para planejar a melhor maneira de realizar a aproximação.
Os sensores indicavam que o objeto não era mineral e que havia sinais fracos de atividade orgânica complexa.
Juan estava muito excitado e sua voz tremia
— Capitão suba até a torre de observação, preciso te mostrar uma coisa com urgência.
O capitão era um homem experiente em missões de observação e investigação científicas como aquela e conhecia muito bem seus homens, Carrijo era um homem sério e sua voz denunciava que se tratava de algo realmente importante. Terence Haggar se vestiu rapidamente e atravessou o corredor que levava até a escada de acesso à torre de observação, no meio do caminho flagrou Pierre dormindo sentado, encostado na parede, ele parecia exausto, um pouco pálido. Hagar tentou em vão acordar seu subordinado, ele parecia estar em um estado delicado. Rapidamente o capitão levou a mão à cintura e acionou seu comunicador.
— Cindy, venha agora ao corredor B rápido – Gritou. Pierre desmaiou e não consigo acordá-lo.
— Estou a caminho Capitão. Cindy era a especialista em medicina espacial – especialidade criada para compreender a fisiologia e a psicologia humana em ambientes com baixa gravidade e em situações de confinamento espaçonaval.
A maleta com os equipamentos estava sempre em um local fácil de se encontrar, em caso de situações de emergências. Cindy estava um pouco nervosa, pois a última emergência que atendeu habitava seus sonhos até hoje. Ela hesitou por um pequeno momento e as recordações vieram como uma martelada. Foi em uma viagem para o micro-sistema jupteriano, há pouco mais de seis anos a bordo da UK-Avalon, quando o seu ex-namorado, Lorenzo Smith, saiu para realizar um pequeno conserto no casco da nave, tudo corria bem, mas uma ferramenta escapou de sua mão, ele fez um movimento muito brusco para apanhá-la e acabou se enroscando no cordão umbilical (cabo que prende o astronauta a nave), ele começou a se debater na tentativa de se soltar, acabou rasgando o traje profundamente na altura da barriga. A pressão do ar saindo foi tão grande que a roupa interna não resistiu e o tecido do abdômen também não...
Cindy cortou a lembrança, pegou a mala e correu ao encontro do Capitão e de Pierre. Por sorte a enfermaria não ficava muito longe do corredor onde ela deveria ir. Começou a correr, em poucos segundos avistou Hagar e Pierre. Ajoelhando-se ao lado do paciente apenas olhou para o capitão que se afastou.
Pierre não respondia aos primeiros estímulos. A doutora abriu seu palm e plugou um fio na ponta do dedo do paciente desacordado. Os sensores começaram mostrando que a pressão sanguínea e batimentos cardíacos estavam bem, ela, então, colocou uma tiara na cabeça do companheiro e esperou alguns segundos para o diagnóstico...
O comunicador do capitão começou a apitar.
— capitão o que houve, estou aguardando.
— Carrijo, estava a caminho, mas encontrei Pierre desacordado no corredor e chamei Cindy, ela o está examinado agora.
— Tudo bem capitão, mas creio que você gostaria de ver isso. Acho que uma nova situação de emergência precisa ser decretada.
— Do que você está falando Juan.
— Capitão temos um caso de...
— Ahhhhh.
— Cindy, o que está acontecendo?
— Capitão, Capitão, o que aconteceu.
— Ele acordou – tremia Cindy – agarrou com muita força meu braço e me disse que ela está lá fora, esperando por nós. Eu a vi, eu a vi, ela estava num lugar perigoso, ela, ela, ela...
— ela quem Cindy?
— Ela... Cindy repetia incessantemente esta palavra e, por fim, desmaiou.
— Cindy, Cindy, Cindy!!!!!
Continua...
28 de fevereiro de 2007
ESPAÇO ABERTO
O Eduardo Kuninari, um grande amigo que fiz em Araraquara-SP, leu a primeira parte do cap. 1 da Espaço Aberto (história em vários capítulos que estou escrevendo) e fez alguns comentários, muito pertinentes por sinal, então decidi acatar algumas de suas sugestões e manter algumas coisas. Por isso estou republicando o texto, a história é a mesma, apenas os excessos foram retirados. Aguardo pela leitura e comentários do Du e de outras pessoas também.Em breve a 2ª parte.
Uma novela Sci-fi
Capítulo 1 – Perdida (parte 1)
— Iara.
O comandante Ryu Bergman repetia esse nome incessantemente quando foi encontrado sentado em estado quase catatônico na ponte de Lady Jane. A nave estava a deriva no limiar do sistema solar, com muitas avarias, inclusive no sistema de comunicação. Não conseguiria ser encontrada a não ser por obra do acaso, pois estava encrostada em um meteoro.
Lady Jane, um cargueiro espacial de grandes proporções, tinha partido de Júpiter em direção ao Sistema de Alfa Centaury a mais de 10 meses terrestres e não havia dado nenhum sinal, já era dada como desaparecida, um caso perdido.
Na época do desaparecimento do cargueiro, Louis Stendhal, chefe da Agência de Controle do Trafego Espacial pelos Buracos de Minhoca (ACTE-W), disse que provavelmente havia sido um erro do piloto que provocou o desaparecimento da nave espacial dos sensores de verificação de trânsito, conseqüência de um choque ou de sobrecarga dos motores.
O piloto de Lady Jane era o jovem Thomas W. Stauton Jr., filho do grande navegador e explorador Thomas W. Stauton – responsável pelo mapeamento de muitos buracos de minhocas, encontrados 100 anos atrás, em 2050.
O acaso mostraria que Sthendal estava enganado.
Fim do Prólogo
Novembro, 1, 2150 – 23h40m – a bordo da UK-Explorer
Já passava a hora de ser rendido no turno e Juan Carrijo estava impaciente precisando descansar, flutuava de um lado para o outro na torre de observação. O local era apertado, suas paredes compostas por um material transparente possibilitavam que ele enxergasse tudo ao redor, embora não tivesse muita coisa para ser vista. No chão, sob o piso, estavam os equipamentos que o auxiliavam na vigilância e nas pesquisas, com seus monitores coloridos desenvolvidos para projetarem uma imagem tão perfeita que os olhos humanos não conseguem captar todas as nuances de cor. As leituras dos sensores não apontavam para nada estranho.
Juan ainda esperava Pierre para a troca de turno, queria sentir seus pés no chão novamente. Havia apenas uma única seção da nave que possuía um sistema de gravidade. Ele olhou para o lado esquerdo e contemplou o vazio – uma leve sensação de tristeza se abateu sobre ele –, decidiu olhar a direita para o berço dos cometas (Nuvem de Oort), como costumavam chamar a fronteira do sistema solar com o espaço sideral.
Há alguns dias ninguém saia da nave, e já se passara mais de 6 anos que não voltavam para casa. As “férias” na estação Monólito, na órbita de Saturno, será apenas no ano que vem. Juan sentia falta das tortillas, do tango, dos vinhos, do clássico San Lorenzo versus River Plate, das mulheres, do mar e dos amigos. Perdido em pensamentos quase não percebeu que um novo cometa estava nascendo a poucas centenas de quilômetros dali. Ele estava se deslocando de sua órbita normal e mergulhando em direção a um ponto de luz a 30 trilhões de quilômetros dali, ou 3 anos luz, um ponto que as vezes passava desapercebido dos tripulantes e em outras ocasiões era admirado por horas, o Sol. O novo cometa iria gastar o tempo de gerações humanas inteiras para completar sua nova órbita, despejando pelo caminho um registro fragmentado da história do universo, um feixe composto por gases, água, rochas e as sementes da vida. Seus segredos seriam largados ao sabor dos ventos solares e sua calda, assim que começar e se formar, poderá ser contemplada pelos habitantes da colônia de Europa, no micro-sistema jupiteriano, e pela estação Monólito, na órbita de Saturno em décadas.
A poesia do momento afastava a tristeza de Carrijo que logo começou a realizar seus cálculos para prever a rota do novo astro. No entanto, os sensores registravam que esse nascimento não foi natural, o parto foi forçado.