Páginas

4 de agosto de 2014

CASA NOVA COM NOVIDADES




Olá  a todos os visitantes e seguidores!

Agora estamos de casa nova e com uma excelente novidade: um PODCAST dedicado a temas históricos.

Um Podcast é uma especie de programa de Rádio feito para a Internet. Saiba mais 1; Saiba Mais 2 (recomendado)

Para conferir acesse www.fronteirasnotempo.com

Ouça também o primeiro episódio do nosso podcast, sobre 2ª Guerra Mundial, clicando na imagem a seguir:



 Podcast Fronteiras no Tempo

Curta também nossa Fã Page no Facebook clicando AQUI

FICO POR AQUI - UM NOVO COMEÇO

8 de junho de 2014

A Copa do Mundo

Voltando às atividades do Blog...

Vivemos um momento de muitas controvérsias com relação à Copa do Mundo. Uma análise fria do assunto me leva a reconhecer que, de fato, teremos um legado muito menor do que foi prometido, de que se trata de um evento puramente comercial, organizado por uma entidade cuja idoneidade é muito suspeita, enfim, teria uma série de ressalvas a fazer a respeito de tudo isso que vem acontecendo. Entretanto não quero me lembrar deste momento como algo negativo.
À parte destas amarguras está a beleza do futebol. Aquela beleza e emoção que ainda podemos encontrar numa partida, não importando se estamos vendo um jogo da Champions League ou do "amadorão" de alguma cidade do interior. Sempre é uma alegria ver a bola correndo de pé em pé, os dribles, chutes certeiros, defesas e demais lances. Mesmo aqueles momentos em que o juiz erra, causando certa confusão, são garantidores de momentos de emoções incomparáveis. Apesar de ter que confessar que está cada vez mais chato assistir futebol na TV - talvez eu esteja ficando ranzinza também - a Copa do Mundo exerce um fascínio muito grande em mim e, pouco a pouco, venho experimentando o aumento da expectativa por assistir aos jogos, especialmente do Brasil. É inevitável: ficarei sim, em frente à TV torcendo como um maluco, sem muito tempo para lembrar de todos os problemas da administração do futebol atual. É da nossa cultura, dessa identidade criada que eu racionalmente sei que não deveria ter tanta importância, mas da qual não consigo - e nem quero - me desvencilhar. Não há como apagar aquilo que desde a infância tem me proporcionado tantas emoções. 
Sendo assim, fiz uma seleção modesta de alguns dois momentos das Copas passadas que mais me marcaram. 

Brasil 3 X Holanda 2 1994

Talvez o jogo em que eu tenha descoberto o que é torcer em uma copa do mundo. Brasil vencendo fácil a Holanda, que empata em pouco tempo. Falta e chute de Branco, desviada providencial do gênio Romário. Gol. Vitória.


Brasil 0 X Argentina 1


A primeira grande decepção em uma Copa. Tinha 11 anos, vivia toda a empolgação de assistir a um jogo já entendendo alguma coisa. Meu pai havia feito uma festa em casa. Mas hoje em dia sei que o time não era grande coisa. O técnico, medíocre. Lembro bem da sensação ruim, fui pra rua, encontrei uns amigos, a frustração era total. 

Eu também estava presente nas copas de 1982 e 1986 e me lembro de algumas coisas, mas vivemos a chance de reconstruir as memórias daqueles momentos graças aos vídeos disponibilizados na internet. Como não falar do maravilhoso time de 1982? Estão ali, para quem quiser ver, talvez a última vez em que se pode observar um futebol jogado com maestria e - outra beleza do esporte - a injustiça de que o melhor não tenha ganhado. Se fosse sempre a vitória do melhor time, não teria a menor graça torcer. 

Um tributo à seleção de 1982

É um evento especial. Quem quiser passar os próximos dias torcendo o nariz, fique a vontade. Eu vou aproveitar para viver novas emoções com meu esporte predileto. Vou guardar meu espírito crítico para quando estivermos falando de um assunto mais sério. É o que, em inglês, denomina-se "guilty pleasure": hora de vestir a camisa amarela, convidar uns amigos, preparar os petiscos e curtir um futebol. Quem vem comigo? 







SEMPRE ME LEMBRAREI DE FRED

Toda história está marcada em nosso corpo, em nossos genes, em nossa subjetividade fluída e flexível. Mas não mergulharei fundo nesse tema, apenas quero que pense no que nós humanos podemos fazer com nossos corpos, de como os sentidos dados e os percebidos sobre nossa forma de estar, da nossa biologia transplantada e suplantada pela cultura, são fenômenos históricos.

Provavelmente o alto desempenho atlético dos corpos na contemporaneidade não repete ou se aproxima do desempenho obtido por nossos antepassados longínquos, que caçavam e lutavam, embora acreditar que os primeiros homo sapiens sapiens vivessem em constante perigo seja um exagero de perspectiva. Isso, porém, é apenas um exercício de imaginação. O que podemos afirmar, e esse é objetivo desse pequeno texto, é que somos capazes de imprimir com nossos movimentos, nosso gestual, nossa voz, nosso silêncio sentidos múltiplos, que ultrapassam a simples trivialidade do dia a dia, transformando a nós mesmos em objetos de arte.

Um mancebo é simplesmente um mancebo, que serve para pendurarmos chapéus, guarda-chuvas, casacos ou simplesmente para cultivarmos poeira. Mas se o mesmo mancebo ganhar vida ao ser tocado, girado e ritmado ele ganhará personalidade, um sentido romântico, de uma sensibilidade construída na história. Junte o mancebo ao seu criador e terá uma experiência quase transcendente, pois ao dançar e utilizar-se do objeto como uma extensão da nossa própria engenhosidade, do nosso próprio corpo, vislumbramos possibilidades infinitas, nosso caminho dourado. 

Verás de forma translucida que temos como nosso único elemento invariante no tempo a capacidade de mudar, de nos reinventarmos continuamente e, com isso, podemos criar pontes com outras dimensões do tempo, das memórias perdidas, ou podemos imaginá-las e num esforço hercúleo narrá-las.

Tudo isso apenas para dizer apenas uma frase:

- Fred Astaire é objeto e sujeito da arte quando dança.














FICO POR AQUI - ESSE FOI O TOQUE DA PRIMEIRA TROMBETA QUE ANUNCIA NOSSA VOLTA


13 de fevereiro de 2013

Cloud Atlas como pretexto







Cloud Atlas é uma produção dirigida pelos irmãos Lana e Andy Wacholski, de Matrix, juntamente com o alemão Tom Tykwer, de Corra Lola, corra. É uma adaptação do livro de mesmo nome, escrito por David Mitchel. O filme foi lançado no final do ano passado e conta com um super elenco, com nomes como Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, entre outros.
A narrativa é composta por histórias que ocorrem em tempos diferentes e que se cruzam de alguma maneira; as pessoas que são “marcadas” acabam se encontrando – no filme a marca é uma marca mesmo, mas a metáfora é muito maior que sua caracterização palpável. Isso me lembrou bastante um certo livro do Hermann Hesse em que, após a leitura, a gente fica com essa impressão forte de que quem tem que se encontrar, acaba se cruzando em algum momento por aqui.
Apesar de as expectativas geradas serem maiores do que o que o filme tem a oferecer – eu mesmo esperava mais – no final, a recorrente leitura otimista de um mundo com sentido, onde não estamos sós, onde nossa vida é compartilhada, acaba deixando uma boa sensação pela maneira como é apresentada.
Isso me lembrou bastante um poema que tenho em mãos, parte de um livro sem título e sem data, de um autor desconhecido. O nome é bem curioso; se chama “Versos que escrevi para uma moça que encontrei em doze de outubro último em frente à livraria da rodoviária”. Não entendo o motivo de um título tão extenso, mas aí vai ele:


Versos que escrevi para uma moça que encontrei em doze de outubro último em frente à livraria da rodoviária

 E se o dia passase
a madrugada se fosse
a luz se acendesse
e tivesse você ao meu lado?

e se isso isso não fosse
e eu tivesse saudade
se meus versos não fossem originais
se minha confusão não fosse original
e se o vazio tomasse conta das minhas palavras?
e se eu alimentasse o silêncio

enchesse o peito e o papel de saudades
cada milímetro meu de você
e se estivesse presente
mesmo aí, do outro lado
e se eu não soubesse dizer?

Nada disso contaria...

se eu não dissesse
que foi minha inspiração em um fevereiro passado
que foi minha inspiração em outubro
que o pacífico me lembrou você
que meus últimos versos foram só seus?

mas eu não sei dizer...

e se eu pegasse um avião
se pegasse um cometa
e se eu fosse te ver?

mas e se não estivesse em casa
e se compartilhasse a cerveja com outro
e se eu dormisse na praia
olhando as estrelas e lembrando você?

e se...

Fernando Alves Pe
 

12 de setembro de 2012

Retire-me as certezas







Retire-me as certezas
leve como uma blusa surrada
do tempo em que eu caminhava entre castelos de cartas
Hoje eu só quero a leveza dos que se perdem
dos que vagueiam sob a chuva
dos que buscam se fartar em teus seios
se espraiar em seu colo em forma de nuvem
saciar a língua em teu corpo
Hoje eu só quero ser mais um entre os teus

PRO

7 de setembro de 2012

Tropeçando nas palavras - fragmentos




Boa madrugada, caros!

Tenho aqui em mãos um livro com páginas faltando, onde pode-se ler somente o título - esse que vai aí no post - e o autor, um tal de Fernando Alves Pe. Alguns textos parecem não concluídos; as páginas também estão embaralhadas.

No último fim de semana terminei de ler "A queda", de Albert Camus e revi "Into the Wild". Por isso, essa semana tem sido bem reflexiva. Sorte minha que topei com esses fragmentos e encontrei um que fala de projeções, de encontros e desencontros...
Não sei o motivo, mas lendo me lembrei de uma música do André Abujamra.

O texto vai em seguida:

Tropeçando nas palavras - fragmento


- Eu escrevi para você...
- Como você escreveu para mim??
- Olhei para você, estava bem ali, na minha frente. Olhei nos seus olhos e não pude resistir...
- Mas eu nunca te vi antes. Como pode ter feito isso?
- Não acredita?
- Não.
- Você estava bem ali, na minha frente, numa daquelas noites  em que o sono escorre pelo ralo, numa daquelas madrugadas em  que parece  que o Sandman caiu em alguma armadilha e que a gente nunca mais vai fechar os olhos...
- Ei, não dispersa. Não pode, você nunca me viu antes...
- Também nunca vi um átomo, nunca vi Deus, nem um monte de coisas ...
- Tô falando de coisas palpáveis...
- E existem coisas palpáveis? A gente sempre busca o palpável sem nunca alcançar. Desde o início dos tempos que estamos condenados ao meio do caminho. A gente parte buscando conhecer e acaba voltando modificado.  Ao final, a gente não é mais quem partiu, nem o que buscou. Estamos condenados ao meio do caminho minha cara! Estamos condenados à perdição. E a perdição - ah, a perdição! - pode ser algo doce. Me perderia muito bem ao teu lado...
- E você, o que busca?
- Nesse momento?
- Sim.
- Vou acabar essa cerveja, virar esse meio copo num gole só. Depois vou sentar desse seu lado da mesa, vou olhar nos seus olhos, colocar minha mão esquerda na sua nuca, por debaixo do seu cabelo, vou aproximar minha boca da sua e falar baixinho “eu escrevi pra você.”
- E se eu me levantar agora, virar as costas e ir embora te achando um louco? Pior, e se eu esperar você sentar do meu lado e derrubar acidentalmente a minha cerveja nesse seu jeans anos oitenta?
- De qualquer forma, já estou no meio do caminho - a sorte está lançada!  Minha vida sempre foi tropos. Afinal, é tarde demais, minha cara. Sempre foi tarde. Felizmente. E, felizmente, já me sentei ao seu lado sem que você se desse conta. Deus salve a cerveja e o meio do caminho!

Fernando Alves Pe

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails