CIÊNCIA QUEBRANDO MITOS

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Dinossauros tinham sangue quente

11/11/2009

Agência FAPESP – Os dinossauros ganharam esse nome do biólogo inglês Richard Owen (1804-1892), com o significado de “lagartos terríveis”. Mas estudos feitos por paleontólogos nos últimos anos têm enfatizado não a semelhança, mas sim a diferença na fisiologia dos vertebrados gigantescos pré-históricos com a dos lagartos atuais.

Uma nova pesquisa, publicada nesta quarta-feira (11/11) pela revista PLoS One, investiga se os dinossauros eram endotérmicos ou ectotérmicos. Ou seja, se eram mais parecidos com os mamíferos e aves atuais, com sangue quente, ou com o répteis, com sangue frio.

A questão tem implicações importantes. Se os dinossauros eram endotérmicos, eles teriam tido capacidades físicas similares às dos mamíferos e das aves. Poderiam, por exemplo, ter sobrevivido a hábitats mais frios, como montanhas e regiões polares, que matariam os animais ectotérmicos.

Mas essas vantagens têm um preço. Os animais de sangue quente precisam de mais comida do que os outros, porque seu metabolismo mais acelerado exige uma provisão constante de energia.

Segundo o estudo, os dinossauros provavelmente foram endotérmicos. Eram animais atléticos com exigências energéticas muito superiores às que os animais de sangue frio são capazes de suprir.

A pesquisa combinou análise de fósseis, dados da fisiologia de animais atuais e técnicas de modelagem em computador. Um importante dado utilizado foi que o gasto energético de andar e correr está fortemente associado com o tamanho da perna – a medida do quadril aos pés é capaz de estimar com 98% de eficácia o gasto energético de diversos animais terrestres.

Estudos anteriores feitos com animais atuais mostraram que os endotérmicos podem sustentar taxas muito mais elevadas de gasto energético. Mamíferos e aves estão sempre em movimento e queimando energia. Como se estima que os dinossauros também se movimentavam bastante, os cientistas sugerem que eles não poderiam ter sido ectotérmicos.

No novo trabalho, Herman Pontzer, da Universidade de Washington em Saint Louis, nos Estados Unidos, e colegas aplicaram esses princípios para examinar modelos anatômicos de 14 espécies de dinossauros. Em computador, os pesquisadores reconstruíram os membros dos animais extintos, calculando o volume de músculo necessário para andar ou correr em diferentes velocidades.

Ao comparar os resultados para cada espécie, e organizá-las em uma árvore familiar evolucionárias, os autores verificaram que a endotermia pode ter sido uma condição ancestral para todos os dinossauros. Isso levaria a característica de sangue quente para muito tempo antes do que se imaginava.

Os pesquisadores apontam que a endotermia pode ter sido um dos principais motivos do sucesso evolucionário dos dinossauros durante os períodos Triássico, Jurássico e Cretáceo.

O artigo de Herman Pontzer e colegas pode ser lido na PLoS One (acesso livre), em www.plosone.org.

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MÉMORIAS DO ANTISSEMITISMO E DO HOLOCAUSTO

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História de sobreviventes

30/10/2009

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Ao analisar documentos emitidos pelas missões diplomáticas sediadas no exterior entre 1933 e 1950 percebe-se a postura do governo brasileiro diante do antissemitismo e da perseguição aos judeus na Alemanha nazista e nos países colaboracionistas. Ofícios e relatórios secretos dão uma dimensão dos bastidores da política brasileira no período, como aponta pesquisa coordenada pela historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, professora do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

Milhares desses documentos estão disponíveis na internet desde 17 de outubro, no portal Arquivo Virtual sobre Holocausto e Antissemitismo (Arqshoah), projeto do Laboratório de Estudos de Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER) do Departamento de História da FFLCH.

Na base de dados, documentos oficiais podem ser cruzados com passaportes, fotografias, passagens e relatos de sobreviventes, permitindo reconstituir o cotidiano de algumas cidades europeias, como Berlim, Viena e Varsóvia, em um momento em que os judeus eram expulsos, presos ou exterminados. Todo esse acervo documental pode ser consultado livremente por pesquisadores, professores e pelo público em geral.

O projeto, intitulado “Arquivo virtual sobre Holocausto e antissemitismo: o Brasil diante do Holocausto e dos judeus refugiados do nazifascismo em 1933-1945”, tem apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular. Tucci Carneiro também coordena o Projeto Temático “Arquivos da repressão e da resistência. História e memória. Mapeamento e análise da documentação do Deops/SP e Deip/SP”, apoiado pela Fundação.

De acordo com a coordenadora, cerca de 10 mil cópias dos documentos originais foram reunidas durante sua pesquisa de doutorado sobre o antissemitismo na Era Vargas (1930 a 1945), concluída em 1987 e publicada pela Editora Perspectiva. A coleta dessa documentação teve continuidade na investigação para sua tese de livre-docência, defendida em 2001 – “Cidadão do mundo – O Brasil diante da questão dos judeus refugiados do nazifascismo (1933-1950)”.

“Grande parte são documentos secretos confidenciais produzidos durante a época de Getúlio Vargas e o período do pós-guerra. Tendo em vista o volume e a riqueza dessas fontes, muitas das quais ainda inéditas, resolvi disponibilizá-las da melhor forma possível por meio de um arquivo virtual. Dessa forma, novos projetos de pesquisa podem ser elaborados ,contribuindo para a construção de novos conhecimentos sobre a história do Holocausto e do Brasil contemporâneo”, disse à Agência FAPESP.

Foram necessários dois anos para selecionar, classificar e digitalizar uma parte significativa do acervo da historiadora, que, somente sobre esse tema, reúne 10 mil documentos que estão sendo identificados pela equipe técnica.

“A maioria dos documentos foi reproduzida do Arquivo Histórico do Itamaraty, que nos autorizou a publicar na internet. Importante ressaltar que esses documentos estão disponíveis para consulta pública no Rio de Janeiro desde 1995. Devemos levar mais dois anos para digitalizar o restante, sem contar com novos documentos cedidos por sobreviventes e de outras bases, como o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro”, explicou.

Os documentos fornecidos pelo Itamaraty revelam, segundo Tucci Carneiro, as “decisões diplomáticas articuladas nos bastidores, a postura do governo brasileiro diante do genocídio praticado pela Alemanha nazista e os desdobramentos políticos na Europa durante a Segunda Guerra Mundial”.

“O governo brasileiro se tornou, indiretamente, colaboracionista. Fechou as portas, negando vistos de entrada aos judeus que procuravam fugir da Alemanha e dos países invadidos por Adolf Hitler”, apontou. Apesar de a política emigratória no país estar identificada com a postura intolerante da Alemanha, a posição pública do governo brasileiro era ambígua em relação ao Holocausto e à Segunda Guerra Mundial, disse a cientista.

“O governo se posicionava como solidário à política de salvamento aos judeus refugiados articulada pelos países líderes na Liga das Nações, dentre os quais estavam os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. Em vários momentos, o Brasil comprometeu-se a fornecer, por mês, 3 mil vistos de entrada para esses refugiados, mas, na prática, o que se via era o oposto”, disse.

Segundo ela, essa postura foi mais sistemática de 1937 a 1945, endossada primeiro pelo Itamaraty e, depois, pelo Ministério da Justiça. “É como uma orquestra em que se somam ações intolerantes por parte de vários ministérios, que apregoavam o cumprimento das regras impostas por circulares secretas. Circulares que obstruíam o salvamento de milhares de judeus, centenas de ciganos e dissidentes políticos do nacional-socialismo. Essa é uma dívida que o Brasil tem para com o povo judeu e outras minorias tratadas como ‘raças indesejáveis’”, afirmou.

Esse é o conteúdo de grande parte dos documentos disponíveis no site, como, por exemplo, ofícios e circulares secretas antissemitas classificados na época como secretos pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Nesses registros – muitos dos quais são assinados por importante ministros, como Oswaldo Aranha, Gustavo Capanema, Francisco Campos e Raul Fernandes, e por diplomatas brasileiros em missão na Europa – fica evidente a recomendação de dificultar a entrada de judeus no país.

De acordo com a historiadora, ajudar judeus era visto como “um ato contra a nação”. Mas, durante a guerra, alguns raros nomes se sobressaíram como sinônimo de indignação e coragem.

“Foi o caso do embaixador brasileiro em Paris, Luiz Martins Souza Dantas, e de uma funcionária do consulado em Hamburgo, Aracy Moebius de Carvalho, mais tarde esposa do escritor Guimarães Rosa. Tanto Aracy, conhecida como ‘o anjo de Hamburgo’, como Souza Dantas desobedeceram às ordens do governo Vargas e liberaram centenas de vistos de judeus para o Brasil”, contou.

Ferramenta pedagógica

No portal, além de documentos oficiais, os usuários podem consultar um inventário de judeus refugiados no Brasil com dados e correspondências pessoais, fotografias, passagens de navio e bibliografia sobre o tema. Essas informações encontram-se distribuídas em vários links: “Arquivo”, “Justos & Salvadores”, “Periódicos”, “Artistas & Intelectuais”, “Rotas de fuga”, “Testemunhos” e uma “Biblioteca Virtual” com livros de memórias. O site também será alimentado com novos relatos, a partir do link “Indique um sobrevivente”.

O objetivo é disponibilizar histórias e memórias dos sobreviventes de campos de concentração e refugiados do nazifascismo radicados no Brasil até 1960, considerando o árduo e longo processo daqueles que procuraram naturalizar-se brasileiros.

Segundo Tucci Carneiro, a partir de 1950 o Itamaraty adotou uma postura mais liberal, após a divugação das atrocidades praticadas pelos nazistas e da resolução da Organização das Nações Unidas que definiu genocídio como crime contra a Humanidade.

A diplomacia deixou de, por exemplo, usar o termo “raça semita” e as circulares secretas antissemitas caíram no limbo da história. “Houve um esvaziamento da política antissemita enquanto instrumento do Estado, mas nem por isso o antissemitismo deixou de existir alimentado por grupos da extrema direita e da esquerda. Daí a importância do Arqshoah neste momento em que diferentes vozes negam o Holocausto”, disse.

Além de “arquivo-testemunho”, o Arqshoah pretende também ser uma ferramenta pedagógica importante para professores e alunos do ensino fundamental, médio e universitário. Segundo a professora da USP, tanto o Holocausto como o antissemitismo raramente são analisados nos livros didáticos e, quando aparecem, entram como adendo da Segunda Guerra Mundial.

“Normalmente, quando os professores falam sobre a guerra ou sobre a Alemanha nazista têm poucas informações sobre esse contexto. A ideia é romper o silêncio e promover o debate sobre o Holocausto enquanto genocídio singular e crime contra a humanidade”, disse a pioneira nos estudos sobre o antissemitismo na Era Vargas, título do seu livro publicado em 1988.

Memória oral

Além do acervo digitalizado, o portal Arqshoah terá arquivos de áudio e vídeo. Até o momento foram gravados mais de 30 depoimentos com sobreviventes ou seus filhos.

“Alguns dos entrevistados haviam gravado depoimentos para a Survivors of the Shoah Visual History Foundation (Fundação dos Sobreviventes da História Visual do Shoah), fundada em 1994 pelo cineasta norte-americano Steven Spielberg, cujas cópias procuramos recuperar. Novos registros estão sendo gravados sob um outro olhar, sendo esse mais um segmento coordenado pelo professor Pedro Ortiz e pela historiadora Rachel Mizrahi, ambos pesquisadores do LEER”, disse Tucci Carneiro.

“Vamos também tornar públicos os processos de naturalização dos judeus que entraram no Brasil de 1933 a 1950, documentos sob a guarda do Arquivo Nacional e que vão inaugurar a segunda fase do projeto, em 2010. Segundo a legislação brasileira, somente após dez anos os estrangeiros poderiam se naturalizar brasileiros. A partir do passaporte anexado ao processo é possível identificar o diplomata que emitiu o visto e a estratégia de entrada no Brasil, burlando as circulares antissemitas. Além disso, a naturalização exige atestados de trabalhos e, no caso dos intelectuais, eles anexavam também artigos e livros para mostrar sua produção, como ocorreu com o crítico e historiador de arte Otto Maria Carpeaux”, contou.

A difícil trajetória daqueles que conseguiram entrar no Brasil (com documentos falsos ou como católicos) pode ser conhecida através de alguns links, dentre os quais o do “Inventário de Sobreviventes” e “Artistas & Intelectuais”. “Pode também ser vislumbrado um conjunto de obras do pintor Lasar Segall, que entre 1936 e 1947 denunciou a a brutalidade praticada pelos nazistas contra os judeus”, disse Tucci Carneiro.

Mais informações: www.arqshoah.com.br ou arqshoah@usp.br.

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ANJOS E DEMÔNIOS NA ESFERA CELESTIAL

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Coletânea reúne cartas que anteciparam o embate entre Galileu e a Igreja do século XVII
Traduzida diretamente dos documentos originais por Carlos
Artur do Nascimento, especialista em filosofia e história
medieval, chega agora ao Brasil a compilação das famosas
cartas copérnicas, onde Galileu Galilei discute com
representantes da nobreza e clero do século XVII a ideia
de que a terra gira em torno do Sol. Em Ciência e
- cartas de Galileu sobre o acordo do sistema
copernicano com a Bíblia, lançamento da Editora Unesp, o
leitor terá a chance de se aprofundar nos pontos
principais da argumentação galileana sobre o papel da
interpretação religiosa e científica, numa coletânea que
antecipa o famoso embate entre o astrônomo e a Inquisição
no ano de 1616.

Estes diversos documentos foram produzidos entre 1613 e
1616, entre cartas e comentários enviados pelo próprio
Galileu a D. Benedetto Castelli, ao Monsenhor Piero Dini
e à Senhora Cristina de Lorena, Grã-duquesa mãe da
Toscana. Nos textos, o astrônomo traz suas conclusões
científicas, baseadas em estudos empíricos. Ao mesmo
tempo, atesta a validade dos ensinamentos bíblicos uma
vez que os considera essenciais para a construção moral e
religiosa do povo, sem acreditar, entretanto, que devam
ser interpretados à luz das ciências da Natureza.

Além das cartas, Ciência e Fé traz comentários de
Galileu sobre os estudos de Copérnico e de sua teoria
heliocêntrica documentados nas três Considerações sobre a
opinião copernicana. É graças à sua crença nessa teoria -
que comprovou ao estudar as fases do planeta Vênus - que
o astrônomo é considerado um herege pela Inquisição pouco
tempo depois. Entre os textos reunidos no livro, estão
também registros dos pensamentos da Igreja em relação às
conclusões do cientista, em carta do Cardeal Roberto
Belarmino, então consultor do Papa para assuntos da
Inquisição. Há ainda o decreto da Congregação do Índice
que proibia a publicação dos estudos de Nicolau Copérnico
(1473 - 1543) sobre a teoria heliocêntrica.

Sobre o tradutor e organizador - Carlos Artur R.
do Nascimento é pós-doutorado em História da Filosofia na
e doutor em Estudos Medievais pela Université de
Montréal. Atualmente é professor assistente doutor na
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC).

Título: Ciência e Fé - cartas de Galileu sobre o
acordo do sistema copernicano com a Bíblia
Autor: Galileu Galilei
Tradução e organização: Carlos Artur R. do
Nascimento
Páginas: 143
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 26
ISBN: 978-85-7139-939-6
Data de publicação: 2009

Os livros da Fundação Editora da Unesp podem ser
adquiridos pelo telefone (11) 3107-2623 ou pelos sites:
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MENINOS EU VI: BASTARDOS INGLÓRIOS


Faz tempo que não vou a uma sessão de cinema e vejo uma platéia se empolgar tanto com um filme. Pois é, o aclamado Quentin Tarantino de pérolas cinematográficas como Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992), Pulp Fiction (1994), Jack Brown (1997) e Kill Bill v.1 e 2. (2003/2004) se superou com sua mais nova produção BASTARDOS INGLÓRIOS (2009).

É um filme de Tarantino (isso é obvio), com referências a muitas outras coisas que já realizou em suas obras anteriores (não conto agora para não dar spoiler), mas é O filme de Tarantino. Não espere fidelidade a história da segunda guerra mundial que já foi contada e recontada muitas e de diferentes formas no cinema.

Em Bastardos Inglórios o diretor toma a liberdade de criar uma versão própria, uma “Vendeta da Guerra”, um Western (o popular bang-bang, só que refinado), com muitas línguas e culturas que se chocam, interpõe, harmonizam e criam um mundo próprio, conflituoso, inumano, aético e extremamente violento.

Assim como em cães de aluguel, um grupo seleto é reunido para a realização de uma missão especial – exterminar nazistas. São heróis e anti-heróis ao mesmo tempo, assim como também os são alguns soldados que lutaram do lado nazista.

São duas oposições claras entre os americanos e os nazistas que se focam nos personagens Hans Landa (Christoph Waltz – ator genial) e Aldo Raine (Brad Pitt – em seu melhor papel depois de Tyler Durden de O Clube da luta). Landa é um detetive, intelectual meticuloso, resultado de anos de amadurecimento do discurso técnico-científico (iluminista) e da racionalidade alemã, enquanto Raine com seu sotaque sulista extremamente carregado é um ex-contrabandista que domina a arte da guerra e evoca as tradições hibridas do novo mundo, que reúnem práticas indígenas relidas e o pragmatismo norte-americano.

Se em Plano Perfeito (Inside Man, 2006) de Spike Lee a vingança contra os crimes de guerra é realizada de maneira simbólica e as marcas do passado são guardadas em cofres e uma espécie de restituição é feita ou se dá como um ato do anjo da história do filosofo alemão Walter Benjamin, no filme de Tarantino ela (a vingança) é implacável, carnívora e sua marca é deixada na testa, para não ser esquecida ou disfarçada.

Não há chance para uma queda solitária e esquizofrênica em um banker (veja o filme A Queda), a vitória é conquistada num alegórico inferno cinematográfico onde anjos e demônios se encaram frente a frente e desferem rajadas de metralhadoras na face.

Veja o trailer logo a seguir e confira a crítica emocionada de Mauricio Saldanha no seu genial CABINE CELULAR.

TRAILER – BASTARDOS INGLÓRIOS

FICO POR AQUI – “EU SOU A FACE JUDIA DA VINGANÇA”

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1820-1822: PORTUGAL QUERIA NOS RECOLONIZAR?


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Historiador discute a polêmica sobre o projeto de recolonização do Brasil

Em 1822, durante a regência de D. Pedro, o termo "recolonização" apareceu em alguns documentos oficias para denunciar intervenções das Cortes no Brasil. Apesar de deputados portugueses negarem categoricamente um possível plano para restabelecer a dominação colonial, o assunto – ainda não desvendado - fascina historiadores. Na busca por uma resposta, o professor de história da USP, Antonio Penalves Rocha, escreveu A recolonização do Brasil pelas Cortes.

O livro, recém lançado pela Editora Unesp, começa discutindo o termo "recolonização", já que é necessário compreender o seu sentido e as mudanças ao longo do tempo. Aborda, então, a questão controversa sobre o eventual uso político do termo: desde o seu aparecimento foi constantemente usado para justificar as reações contra o intervencionismo luso, servindo de argumento para desobedecer às determinações de Lisboa e defender a separação com Portugal. Com a independência, a palavra "recolonização" passa a ser empregada para efeitos de legitimação do Estado Nacional brasileiro. O que o autor, ao examinar sua permanência na historiografia dos séculos XIX e XX, define como "invenção historiográfica".

Nesse cenário, Penalves Rocha salienta que o entendimento mais amplo das ideias econômicas do século XIX são essenciais para debater como os deputados portugueses e brasileiros se posicionavam perante a realidade que se configurava. Isso porque uma possível recolonização também afetava diretamente os interesses ingleses e as recomendações do Congresso de Viena. Além disso, a denúncia de recolonização pela elite brasileira - que
aspirava fazer frente à intervenção de Lisboa nos negócios brasileiros - tinha como pano de fundo a defesa das mudanças ocorridas no Brasil após 1808. Por outro lado, as Cortes pretendiam que Portugal exercesse domínio comercial sobre o Brasil, sem, no entanto restaurar o estatuto colonial.

Deste modo, ao resgatar a polêmica sobre a recolonização, o livro debate o sentido de identidade nacional que começa a se formar nos primeiros anos da independência. A recolonização do Brasil pelas Cortes mostra como a idéia da nacionalidade brasileira começa então a se diferenciar da portuguesa.

Sobre o autor - Antonio Penalves Rocha, natural de Bragança Paulista (SP), é professor do Departamento de História da FFLCH-USP, ator de A economia política na sociedade escravista (Departamento de História-USP e Hucitec), Visconde de Cairu (Editora 34) e Abolicionistas brasileiros e ingleses (Unesp), além de diversos capítulos de livros e artigos em periódicos acadêmicos.

Título: A recolonização do Brasil pelas Cortes: histórias de uma invenção historiográfica
Autor: Antonio Penalves Rocha
Páginas: 134
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 28
ISBN: 978-85-7139-933-4
Data de publicação: 2009

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REVISTA DA ECA SOBRE ARTE E FOTOGRAFIA


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Especiais

Arte e fotografia

8/10/2009

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Idealizada pelo Grupo de Estudos de Arte & Fotografia da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP), a revista anual Boletim, que reúne textos inéditos, artigos e anais de seminários realizados pelo grupo, acaba de ganhar um novo formato em sua nova edição.

O nascimento de Boletim está ligado às atividades do grupo de estudos, criado em 2004, no Departamento de Artes Plásticas da ECA e coordenado por Tadeu Chiarelli. O terceiro volume, segundo ele, é o primeiro a ser publicado em parceria com uma editora.

“Publicamos na revista resultados de pesquisas e atividades realizadas pelos alunos. As primeiras edições foram impressas de forma artesanal. Desta vez, a partir da repercussão das experiências anteriores, tivemos a ideia de produzir uma revista mais encorpada.”, disse Chiarelli à Agência FAPESP.

Uma das principais atividades do grupo, segundo Chiarelli – que é chefe do departamento de Artes Plásticas da ECA –, além das reuniões semanais em que se discutem textos, é a realização do seminário nacional “Arte, Cultura e Fotografia: Metodologias de Investigação”, que ocorre desde 2006 e que teve, nas duas últimas edições, o apoio da FAPESP na modalidade Auxílio Organização – Regular.

De acordo com Chiarelli, a revista apresenta três blocos temáticos que dialogam entre si, colocando a fotografia e a imagem fotográfica no centro do debate da arte brasileira e internacional nos últimos 160 anos. O terceiro volume ganhou forma e conteúdo que mais se afinam com a proposta do grupo.

“Essa é a primeira edição do boletim que tem um trabalho de arte na capa. E também é o primeiro a trazer um diálogo com a ilustração. Aos poucos, vamos ampliando a complexidade que envolve a discussão da arte e fotografia”, explica Chiarelli.

A publicação traz, pela primeira vez em português, um ensaio do teólogo e fotógrafo alemão Andreas Müller-Pohle, no qual são analisados os impactos da fotografia nas artes.

“É um texto seminal, sobretudo para o Brasil. As ideias de Müller-Pohle chamaram a atenção de muitos jovens artistas dos anos 1980. Não é um texto fácil de ser encontrado, mesmo no original. A tradução foi feita por nós”, diz.

Chiarelli destaca também o artigo da pesquisadora Anat Falbel, intitulado “Peter Scheier: fotografia e paisagem urbana no Novo Mundo”. Segundo ele, Peter Scheier se tornou conhecido por fotografar arquitetura. “A relação entre fotografia e arquitetura é muito pouco divulgada no Brasil e pouco estudada. Foi uma contribuição importante”, afirma.

Essa primeira parte traz artigos de autores convidados pelo grupo e trata de tópicos diversos. No segundo bloco, a publicação traz diversos textos referentes às con¬ferências e comunicações proferidas durante a segunda edição do seminário, ocorrida em 2007. E a terceira parte é dedicada aos projetos em andamento.

A terceira edição destaca também o projeto de iniciação científica de autoria de Thiago Gil de Oliveira, bolsista de iniciação científica da FAPESP.

Segundo o pesquisador, o grupo – constituído de alunos da graduação e da pós-graduação – apresenta uma linha de pesquisa que entende a discussão sobre a fotografia “como elemento constitutivo da arte contemporânea”.

“Desde o primeiro número, feito de forma muito simples, apresentamos textos sobre arte e fotografia publicados no século 19 ou início do século 20, difíceis de serem encontrados, ou artigos significados em outra língua que não foram ainda publicados em português”, conta Chiarelli que, na edição, colaborou com o artigo “Marc Ferrez e a tradição da pintura”.

Boletim 3 – Grupo de Estudos de Arte & Fotografia
Organizador: Tadeu Chiarelli
Ano: 2009
Páginas: 168
Preço: R$ 35
Mais informações: www.alamedaeditorial.com.br

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REVOLUÇÃO FRANCESA REVISITADA EM LIVRO

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Chartier analisa a Revolução Francesa sob ótica sócio-cultural

O historiador francês Roger Chartier é mundialmente
reconhecido por seu trabalho no estudo sobre conteúdo de
livros e comportamento de leitores de diferentes culturas
e épocas. Em seu novo ensaio, Origens culturais da
Revolução Francesa
, lançado no Brasil pela Editora

Unesp, o pesquisador muda o foco de sua abordagem,
percorrendo as razões históricas que tornaram possível a
Revolução Francesa, sugerindo debates e questionamentos
ao invés de um mero resumo dos fatos. Seu estudo valoriza
principalmente a análise sociológica e cultural da França
ao longo de todo o século XVIII.

O livro acaba por se configurar em um curso sobre a
história francesa que antecede a Revolução e suas
consequências, positivas e negativas. Afinal, o autor não
usa um tom ufanista ao debater as maneiras (geralmente
violentas) encontradas pelos revolucionários para
implantar suas mudanças. Pelo contrário, é muito crítico

em relação às transformações geradas no campo da
política, da religião e da relação interpessoal pós-
revolucionária.

Sua análise traça uma lógica entre as origens do
Iluminismo, a importância da popularização da leitura de
livros e panfletos para a difusão de ideias e discussões.
Neste ponto, Chartier faz uso de seu conhecimento sobre
livros e leitura para apontar em que medida a palavra
impressa foi decisiva para a dessacralização do rei
absolutista, antes "pai do povo e regenerador da França",
e de sua monarquia.
O historiador ainda dedica parte de seu trabalho à forma
de vida e aos interesses dos camponeses, à cultura da
nobreza e também da burguesia parisiense desde o século
XVII até o XVIII.

Chartier baseia sua pesquisa numa bibliografia extensa,
mas fundamentada sobretudo nas obras de Daniel Mornet,
autor de Les Origines Intellectuelles de la Révolution
Française, Hippolyte Taine e Aléxis de Tocqueville, de
quem o autor empresta argumentos e a quem faz críticas em
determinadas análises.

Sobre o autor - Roger Chartier é historiador do
livro e da leitura, diretor de estudos no Centro para
Pesquisa Histórica da École des Hautes Études em Science
Sociales (França) e professor convidado da Universidade
da Pensylvania. É autor de A aventura do livro - do
leitor ao navegador (1998), Os desafios da escrita
(2002), Leituras e Leitores na França do Antigo Regime
(2004) e Inscrever e apagar, cultura escrita e literatura
(2007), publicados pela Editora Unesp.

Título: Origens culturais da Revolução Francesa
Autor: Roger Chartier
Páginas: 316
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 46
ISBN: 978-85-7139-931-0
Data de publicação: 2009

Os livros da Fundação Editora da Unesp podem ser
adquiridos pelo site: www.editoraunesp.com.br ou telefone
(11) 3242-7171. Ramal 417
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