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18 de abril de 2007

CONTOS DE FADAS: A MOURA TORTA


Estava lendo para minha filha de quase 4 anos o livro “O Fantástico Mistério de Feiurinha” de Pedro Bandeira. Ela ficou vidrada na história e consegui ler até a metade do livro sem grandes interrupções, ela apenas me perguntava “Quem?” quando não conseguia entender entre qual das personagens se dava o dialogo, afinal são muitas que aparecem, dentre as quais destacamos: Dona Chapeuzinho Vermelho, Dona Branca Encantado, Dona Cinderela Encantado, Dona Bela Adormecida Encantado, Dona Bela-Fera Encantado e, por fim, Dona Rosa Della Moura Torta Encantado.

Esta última eu nunca tinha ouvido falar, quer dizer, quando li pela primeira vez o texto de Bandeira ouvi, mas não sabia de qual história ela havia surgido. Graças ao Google pude, enfim, descobrir quem era essa princesa. Trata-se de uma personagem de um conto espanhol que tem sua origem estimada no período no qual a península Ibérica estava se libertando da dominação árabe e deixando de ser Al Andaluz (nome árabe para a região).

Bem, fucei daqui, fucei dali e descobri que Pedro Bandeira fez uma adaptação desta história e a publicou com o título “Rosaflor e a Moura Torta”. Ainda não tive a oportunidade de ler. Navegando mais um pouco encontrei algumas versões do conto, uma na qual a Moura Torta é uma cigana e outra em que ela é negra. As duas contam a mesma história com pequenas alterações de situações, mas não no desenrolar do enredo e no fim.

Deixo ao prazer do leitor o conhecimento desta história. Em um próximo post sobre o assunto pretendo descrever as diferenças entre o conto “A sereinhazinha” de Hans Cristian Andersen e a adaptação cinematográfica dos estúdios Disney, “A pequena sereia”.

Deliciem-se...

A MOURA TORTA

1ª VERSÃO

Era uma vez um rei que tinha um filho único, e este, chegando a ser rapaz, pediu para correr mundo. Não houve outro remédio senão deixar o príncipe seguir viagem como desejava. Nos primeiros tempos nada aconteceu de novidades. O príncipe andou, andou, dormindo aqui e acolá, passando fome e frio. Numa tarde ia ele chegando a uma cidade quando uma velhinha, muito corcunda, carregando um feixe de gravetos, pediu uma esmola. O príncipe, com pena da velhinha, deu dinheiro bastante e colocou nos ombros o feixe de gravetos, levando a carga até pertinho das ruas. A velha agradeceu muito, abençoou e disse:- Meu netinho, não tenho nada para lhe dar: leve essas frutas para regado mas só abra perto das águas correntes. Tirou da sacola suja três laranja e entregou ao príncipe, que as guardou e continuou sua jornada.Dias depois, na hora do meio-dia, estava morto de sede e lembrou-se das laranjas. Tirou uma, abriu o canivete e cortou. Imediatamente a casca abriu para um lado e outro e pulou de dentro uma moça bonita como os anjos, dizendo:- Quero água! Quero água!Não havia água por ali e a moça desapareceu. O príncipe ficou triste com o caso. Dias passados sucedeu o mesmo.

Estava com sede e cortou a Segunda laranja. Outra moça, ainda mais bonita, apareceu, pedindo água pelo amor de Deus.O príncipe não pôde arranjar nem uma gota. A moça sumiu-se como uma fumaça, deixando-o muito contrariado.
Noutra ocasião o príncipe tornou a Ter muita sede. Estava já voltando para o palácio de seu pai. Lembrou-se do sucedido com as duas moças e andou até um rio corrente. Parou e descascou a última laranja que a velha lhe dera. A terceira moça era bonita de fazer raiva. Muito e muito mais bonita que as duas outras. Foi logo pedindo água e o príncipe mais que depressa lhe deu. A moça bebeu e desencantou, começando a conversar com o rapaz e contando sua história. Ficaram namorados um do outro. A moça estava quase nua e o príncipe viajava a pé, não podendo levar sua noiva naqueles trajes. Mandou subir para uma árvore, na beira do rio, despediu-se dela e correu para casa. Nesse momento chegou uma escrava negra, cega de um olho, a quem chamavam a Moura Torta. A negra baixou-se para encher o pote com água do rio mas avistou o rosto da moça que se retratava nas águas e pensou que fosse o dela. Ficou assombrada de tanta formosura. Meu Deus! Eu tão bonita e carregando água? Não é possível... Atirou o pote nas pedras, quebrando-o e voltou para o palácio, cantando de alegria.

Quando a viram voltar sem água e toda importante, deram muita vaia na Moura Torta, brigaram com ela e mandaram que fosse buscar água, com outro pote. Lá voltou a negra, com o pote na cabeça, sucumbida. Meteu o pote no rio e viu o rosto da moça que estava na árvore, mesmo convencida da própria beleza. Sacudiu o pote bem longe e regressou para o palácio, toda cheia de si. Quase a matam de vaias e de puxões. Deram o terceiro pote e ameaçaram a negra de uma surra de chibata se ela chegasse sem o pote cheio d'água. Lá veio a Moura Torta no destino. Mergulhou o pote no rio e tornou a ver a face da moça. Esta, não podendo conter-se com a vaidade da negra, desatou uma boa gargalhada. A escrava levantou a cabeça e viu a causadora de toda sua complicação.- Ah! É você, minha moça branca? Que está fazendo aí, feito passarinho? Desça para conversar comigo. A moça, de boba, desceu, e a Moura Torta pediu para pentear o cabelo dela, um cabelão louro e muito comprido que era um primor. A moça deixou. A Moura Torta deitou a cabeça no seu colo e começou a catar, dando cafuné e desembaraçando as tranças. Assim que a viu muito entretida, fechando os olhos, tirou um alfinete encantado e fincou-o na cabeça . esta deu um grito e virou-se numa rolinha, saindo a voar.

A negra trepou-se na mesma árvore e ficou esperando o príncipe, como a moça lhe tinha dito, de boba. Finalmente o príncipe chegou, numa carruagem dourada, com os criados e criadas trazendo roupa para vestir a noiva. Encontrou a Moura Torta, feia como a miséria. O príncipe assim que a viu, ficou admirado e perguntou a razão de tanta mudança. A Moura Torta disse:- O sol queimou minha pele e os espinhos furaram meu olho. Vamos esperar que o tempo melhore e eu fique como era antes.O príncipe acreditou e lá se foi a Moura Torta de carruagem dourada, feito gente. O rei e a rainha ficaram de caldo vendo uma nora tão horrenda como a negra. Mas, palavra de rei não volta atrás e o prometido seria cumprido. O príncipe anunciou seu casamento e mandou convite aos amigos A Moura Torta não acreditava nos olhos. Vivia toda coberta de seda e perfumada, dando ordens e ainda mais feia do que carregando o pote d'água. Todos antipatizavam com a futura princesa.Todas as tardes o príncipe vinha descansar no jardim e notava que uma rolinha voava sempre ao redor dele, piando triste e fazer fpena. Aquilo sucedeu tantas vezes que o príncipe acabou ficando impressionado. Mandou um criado armar um laço num galho e a rolinha ficou presa. O criado levou a rolinha ao príncipe e este a segurou com delicadeza, alisando as peninhas. Depois coçou a cabecinha da avezinha e encontrou um caroço duro.
Puxou e saiu um alfinete fino. Imediatamente a moça desencantou-se e apareceu bonita como os amores. O príncipe ficou sabendo da malvadeza da negra escrava. Mandou prender a Moura Torta e contou a todo o mundo a perversidade dela, condenando-a a morrer queimada e as cinzas serem atiradas ao vento. Fizeram uma fogueira bem grande e sacudiram a Moura Torta dentro, até que ficou reduzida a poeira. A moça casou com o príncipe e viveram como Deus com seus anjos, querida por todos. Entrou por uma perna de pinto e saiu por uma de pato, mandou dizer El-Rei Meu Senhor que me contassem quatro...




2ª VERSÃO

Havia um rei que tinha um filho. Quando este chegou à idade de casar, disse a seus pais:
- Quero me casar com a mulher mais formosa do mundo. Assim, vou percorrer o mundo até encontrá-la. Saiu do palácio e caminhou até chegar a uma fonte, onde parou para tomar água.
Ao inclinar-se para beber, viu refletidas na água, três laranjas. Ergueu os olhos e viu que de uma frondosa laranjeira pendiam três grandes e belas laranjas.
- Que saborosas devem ser, disse o príncipe, e dizendo isso, subiu na árvore e cortou as três preciosas laranjas. Partiu a primeira e, como por encanto, saiu dela uma jovem muito linda que, ao ver o príncipe, lhe disse: - Dá-me pão. - Não posso, disse ele, porque não tenho. - Então volto para minha laranja, disse a jovem. Desaparecendo, deixou a laranja intacta. Partiu o príncipe a segunda laranja e da fruta saiu outra jovem, muito mais bela que a primeira. - Dá-me pão, disse ao príncipe. - Não posso, pois não tenho, ele falou. - Então volto para minha laranja. A laranja se fechou e ficou como antes. O príncipe ficou pensativo e, decidiu conseguir pão, a fim de dar à ultima jovem da laranja. Assim pensava o jovem, quando coincidiu de passar por ali um cigano em seu coche.
- Amigo, gritou o príncipe - te darei uma moeda de ouro por um pedaço de pão. Rapidamente o cigano desceu da carruagem e correu a levar o pão ao príncipe. O príncipe ficou muito contente e satisfeito. Partiu a terceira laranja e, como havia imaginado, do coração da fruta saltou uma jovem muito mais formosa que as anteriores. - Dê-me pão, ela disse. O príncipe alegremente deu o pão à jovem, que em seguida falou: - Agora te pertenço, podes fazer de mim o que quiseres. - Contigo me caso, lhe disse o príncipe. Como a jovem estava nua, o príncipe queria antes vesti-la para levá-la ao palácio. Deu uma olhada na roupa do cigano que ainda permanecia ali, porem notou que estavam muito sujas. O príncipe então disse à jovem: - Espera aqui com este cigano até que eu volte com uma roupa.
O cigano tinha uma filha que viajava com ele no coche, que havia dormido durante todo o tempo em que a história das laranjas ocorria. Ao despertar, no momento em que o príncipe subia no cavalo, caiu de amores por ele. Desceu logo do coche e foi perguntar ao seu pai o que estava acontecendo. Ele lhe contou o ocorrido. A cigana, vendo a jovem, lhe disse: - Deixa-me te pentear para que fiques mais bonita para o regresso do príncipe.
A jovem consentiu, e enquanto a cigana penteava sua formosa cabeleira, sentiu que lhe cravavam um alfinete na cabeça. Imediatamente a dama da laranja se transformou numa pomba.
A cigana então tirou a roupa e se colocou no lugar onde ela estava, aguardando o príncipe. O príncipe voltou e quando viu a cigana, disse: - Senhora! Como escureceste! A cigana respondeu: - É que demoraste e o sol acabou me queimando. O príncipe, acreditando ser a mesma jovem da laranja, levou a cigana ao palácio e se casou com ela. Um dia, chegou uma pombinha ao jardim do rei e disse ao jardineiro:
- Jardineirinho do rei, como está o príncipe com sua mulher? - Umas vezes canta, porém mais vezes chora - disse o jardineiro. Todos os dias chegava a pombinha e fazia a mesma pergunta ao jardineiro, até que este contou a história ao príncipe. O príncipe deu ordem ao jardineiro para que prendesse a pombinha. O jardineiro untou de visgo a árvore onde diariamente pousava a pombinha e, quando esta chegou para sua visita diária, ao querer voar, ficou presa à árvore. O jardineiro apanhou-a e levou-a ao príncipe. O príncipe se enamorou da pombinha. Colheu-a com carinho e ao acariciar-lhe a cabeça, encontrou o alfinete que ali tinha sido cravado. Ao retirá-lo, imediatamente a pombinha se transformou na bela dama da laranja.
A formosa jovem contou sua aventura ao príncipe e, entrando os dois no palácio, comunicaram o ocorrido ao rei. O rei, indignado, deu ordens para que imediatamente matassem a cigana. O príncipe e a dama da laranja se casaram e foram felizes para sempre.




FICO POR AQUI

19 comentários:

Clarice disse...

Que bom que a Alice está gostando do livro.
Pra falar a verdade quando eu lí essa história da Feiurinha pela primeira vez, lá pelos meus 7 ou 8 anos de idade, fiquei encantadíssima com a história, mas nem liguei para a tal Moura Torta.
Mas quando lí a história pela segunda vez, há uns 3 anos atrás, fiquei curiosa sobre essa dona, mas não pesquisei nada. Agora achei interessante a história dela. Por que será que a Disney nunca fez um desenho para este conto?
Este livro que você está lendo para a Alice foi o primeiro livro que eu lí em minha vida, e eu o recomendo para quem quer iniciar seus filhos no maravilhoso mundo da Literatura.

Ah,atualizei o meu blog e o link para o seu.

Beijos.

César Agenor disse...

Clarice, a Disney não produziria um desenho com essa história, se o fizesse faria muitas adaptações, pq não sei se vc percebeu que ambas as versões do conto são carregadas de uma visão etnocentrica do mundo, ou seja, preconceituosa

Isac Andrade disse...

Cara, que bom que encontrei um igual. Bem deixe-me explicar, estou desenvolvendo uma pesquisa sobre as diferentes ilustrações dos livros infanto-juvenis, seus porquês e sua importância. Dentro desse estudo também, juntamente com um grupo de colegas, analisamos as marcas dos contos clássicos nesses textos modernos e a maneira como os autores rompem com essa tradição sem "matar" o imaginário da criança, e também sem negar ao clássico. Eu também estranhei o nome MOURA TORTA e resolvi procurar esse conto, já que nunca tinha ouvido falar dele, e encontrei esse seu blog que me foi muito útil. Obrigado por sua curiosidade, porque, afinal, fico maravilhado, quando não honrado, em encontrar alguém com visão artística e indole curiosa, qualidades que muito valoriso no mundo e que você fez com que eu renovasse esse deslumbramento. Aqui fica o meu MUITO OBRIGADO!

Jucimara disse...

Nossa eu nem acredito q eu toh lendo essa história de novo...
eu li ela quando eu estava na 4ª serie i nem terminei... Ai ano passado eu tava lendo o livro da feiurinha mais foi uma adaptação do livro intaum nem colocaram a história da Dona Rosa Della Moura Torta Encantado, e esse ano q eu peguei o livro pra ler pela segunda vez em O Mistério da Feiurinha eu vi o nome da Dona Rosa Della Moura Torta e fikei curiosa pra saber qm era...
Dai em um pedaço da história da Feiurinha q estava sendo contada pela Jerusa eu vi q ela dizia um pedaço do livro dela...
Dai eu me lembrei desse livro i q eu nunca tinha terminado de ler ele...
i Desde a quarta serie eu procurei ele em varias bibliotecas de todas as escolas q eu estudei... i nunca encontrei ele...Mais graças ao livro da Feiurinha e ao César Agenor eu toh podendo terminar de ler .....
agora eu toh no 1º ano do coegial...
tenho 16 anos i tinha uns 10 anos quando li ele pela primeira vez....
ObrigadO moxo...

Anônimo disse...

Caro Cesar,
Pelos mesmos motivos seus procurei a história "Moura Torta" e cheguei até sua pesquisa, que facilitou bastante o meu trabalho!... Obrigada por compartilhar com a web o material em questão!
Agora tenho a história para contar aos meus alunos, complementando "O fantástico mistério de Feiurinha".
Bjs...
... Maria Paula Rizzo 13/10/2007

Ka disse...

Bom eu li o livro da feiurinha acho que´faz uns 2 anos e bom eu realmente gostei da história e fiquei meio curiosa para saber quem era a tal Moura Torta mas nunca procurei a história até que á um tempo lembrei dela e resolvi procurar...

Vanessa Pampolini disse...

É. Parece que não fui só eu que me deparei com "Quem é Dona Rosa Encantado Della Moura Torta".
Também tive que procurar a história por conta do livro do Pedro Bandeira, que conheci pelos meus alunos de teatro, que me indicaram. Amei a história da Feiurinha, e fico mais aliviada por não ser a única a não conhecer a história da Della Moura. Que ela seja mais uma história recontada e espalhada.

Ângela Susanei disse...

Sempre li contos de fadas para minha filha e nunca tinha ouvido falar em Moura Torta ou Feiurinha até ler o livro o fantástico mistério de feiurinha, de Pedro Bandeira, pesquisei muito e encontrei versões das duas histórias. Fiquei encantada. Mas, ainda não descobri quem foram seus autores. Se puderem me ajudar com este enigma.
Obrigada.

César A. disse...

@ Angela

Olá, em primeiro lugar muito obrigado pelo comentário. Eu me alegro muito ao ver as pessoas interagindo com o blog. Essa postagem sobre a Moura Torta é que fornece o maior número de visitas ao Fronteiras.

Como em quase todos os textos que chamamos de contos de fadas, a Moura Torta tem origem popular, não tem um autor definido. Branca de Neve, Rapunzel, Cinderela, entre outras histórias, também tem a mesma origem, mas no século XIX os irmãos Grimm e Hans Christian Andersen repaginaram esses histórias e as publicaram, ficando as versões modernas sobre a autoria deles.

Interessante de se observar é que os contos de fadas antes das novas versões eram bem diferentes das de hoje.

A Chapeuzinho Vermelho, por exemplo, em uma das versões antigas come conscientemente junto com o lobo a carne da vovó servida a mesa e depois se despe lentamente para o animal, que queria antes de devorá-la fazer sexo. Chapeuzinho escapa por uma pequena artimanha, quando pede para ir ao banheiro e se livra da corda que a prendia ao pé da cama.

Como vê, nada infantil.

Como eu disse no post o Pedro Bandeira fez como os irmãos Grimm e publicou a história sob sua autoria no século XX. Creio que atualmente ele seja o autor do conto, ou pelo menos de uma de suas versões modernas.

Muito obrigado pelo comentário e espero ter sido util.

Abraços

Anônimo disse...

Oi, eu ganhei esse livro no ano de 2006 e agora eue stou lendo pela segunda vez e quando eu li eu e minha mae nao sabiamos quem era falamos muitas princesas mas, esse ano de 2009 resolvi pesquisar no google para saber quem era essa princesa e esse foi o primeiro site que apareceu para mim e eu entrei e fiquei sabendo, esse ano de 2009 eu estou com 14 quase 15 e pequei paa ler de novo para ver se eu adivinava quem era essa princesa pq eu adoro essa historia.

César A. disse...

@anônimo

Uma pena que você não assinou o comentário. mas fico feliz em ter sido útil para matar sua curiosidade sobre a Moura Torta.

Quando li "O fantastico mistério de feiurinha" pela primeira vez tinha 11 anos, provavelmente a mesma idade que vc tinha quando o leu também.

Pelo que andei vendo a Xuxa vai levar as tels do cinema uma versão da história da princesa feiurinha. Espero que o filme pelo menos faça com que o livro seja ainda mais divulgado, por que dificilmente sairá algo bom daí, vide os ultimos filmes da rainha dos baixinhos.

Mas de qualquer forma, obrigado pelo comentário.

Abraços

Anônimo disse...

Existem outras versoes mais antigas em que a origem etnica da moura "torta" ( na realidade "torta" indicaria nao a postura da mesma, mas o facto de ser cega de um olho ou ser vesga) chega quase a passar despercebida para um publico leitor , ja muito distanciado nao so temporal, mas culturamente das ideologias justificativas da reconquista crista do territorios maomedanos de Al Andaluz. O que e interessante notar nas duas versoes que o objecto "Moura" se adapta com perfeicao as teorias racistas modernas, a dicotomia do uebermensch, o branco superior puro, contra o "outro" inferior, seja este em uma superposicao de papeis , a "moura-negra" e a "moura-cigana" . E a grande ironia dos tempos actuais seria recuperar a identidade original da " moura" , a muculmana, a islamista, a inimiga numero um da cultura judaica-crista ocidental em um post 9/11.

C. A. disse...

@anonimo

gostaria de conhecer as versões anteriores desse conto. Achei interessante seu ponto de vista e o grau de conhecimento que possui acerca das teorias raciais. uma pena que não tenha assinado o comentário para que eu pudesse entrar em contato.
de qualquer forma, muito obrigado pela manifestação constritiva.

abraços

Anônimo disse...

Oi gente parece que não foi so eu que fiquei em dúvida de que era a tal ´´Moura Torta``. Estava eu lendo o livro O Fantástico Mistério de Feiurinha quando me deparei com essa princesa não sabia quem era então procurei no Google e me apareceu como resposta esse blog onde li a historia da Moura Torta e conheci essa princesa desconhecida agora vou para a minha escola recontar a linda história que li!
Bjs
Obrigada!
Ellen Mayra 26/06/2011

Anônimo disse...

Foi muito bom encontrar este conto, pois já tinha ouvido há muito tempo,na infância. Era um dos favoritos para dormir. agora já amadurecida posso atualizar este texto a outro contexto.Em especial no fator de relacionamentos. Grata por tê-la reproduzido.

Anônimo disse...

Li o conto da feiurinha e fiquei super curiosa para saber quem era a rosaflor e quem era a moura torta. Já tinha ouvido essa historia mais nao sabia que essa era da moura torta. ADOREI conhecer.

Anônimo disse...

procurei em muitos sites mas esta historia foi melhor.

fisico-quimico disse...

Horrível,. Muito preconceituosa, essa história!

Unknown disse...

Há um estudo que fala da utilização desse e de outros contos na educação (O ESPELHO DA MOURA TORTA
Luiz Fernando de Souza), segue um trecho:
A Moura Torta nos revela a história de uma bruxa negra, escrava, caolha que não
desenvolveu a menor noção de sua corporeidade e sensibilidade, e que, devido a um
trágico engano, confunde sua imagem refletida nas águas de um rio com a de uma
mocinha jovem, branca, encarapitada numa árvore a esperar pela volta do príncipe. A
partir daí, motivada pelo ciúme, pela raiva, pelo despeito, a negra (assim se refere a ela
Cascudo, durante toda a narrativa) comete uma série de delitos que acabam por ser o
motivo de sua perdição, queimada viva numa fogueira e tendo suas cinzas jogadas ao
vento.

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