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4 de agosto de 2014

CASA NOVA COM NOVIDADES






Olá  a todos os visitantes e seguidores!

Agora estamos de casa nova e com uma excelente novidade: um PODCAST dedicado a temas históricos.

Um Podcast é uma especie de programa de Rádio feito para a Internet. Saiba mais 1; Saiba Mais 2 (recomendado)

Para conferir acesse www.fronteirasnotempo.com

Veja nossa lista de episódios clicando na imagem a seguir:




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FICO POR AQUI - UM NOVO COMEÇO

8 de junho de 2014

A Copa do Mundo

Voltando às atividades do Blog...

Vivemos um momento de muitas controvérsias com relação à Copa do Mundo. Uma análise fria do assunto me leva a reconhecer que, de fato, teremos um legado muito menor do que foi prometido, de que se trata de um evento puramente comercial, organizado por uma entidade cuja idoneidade é muito suspeita, enfim, teria uma série de ressalvas a fazer a respeito de tudo isso que vem acontecendo. Entretanto não quero me lembrar deste momento como algo negativo.
À parte destas amarguras está a beleza do futebol. Aquela beleza e emoção que ainda podemos encontrar numa partida, não importando se estamos vendo um jogo da Champions League ou do "amadorão" de alguma cidade do interior. Sempre é uma alegria ver a bola correndo de pé em pé, os dribles, chutes certeiros, defesas e demais lances. Mesmo aqueles momentos em que o juiz erra, causando certa confusão, são garantidores de momentos de emoções incomparáveis. Apesar de ter que confessar que está cada vez mais chato assistir futebol na TV - talvez eu esteja ficando ranzinza também - a Copa do Mundo exerce um fascínio muito grande em mim e, pouco a pouco, venho experimentando o aumento da expectativa por assistir aos jogos, especialmente do Brasil. É inevitável: ficarei sim, em frente à TV torcendo como um maluco, sem muito tempo para lembrar de todos os problemas da administração do futebol atual. É da nossa cultura, dessa identidade criada que eu racionalmente sei que não deveria ter tanta importância, mas da qual não consigo - e nem quero - me desvencilhar. Não há como apagar aquilo que desde a infância tem me proporcionado tantas emoções. 
Sendo assim, fiz uma seleção modesta de alguns dois momentos das Copas passadas que mais me marcaram. 

Brasil 3 X Holanda 2 1994

Talvez o jogo em que eu tenha descoberto o que é torcer em uma copa do mundo. Brasil vencendo fácil a Holanda, que empata em pouco tempo. Falta e chute de Branco, desviada providencial do gênio Romário. Gol. Vitória.


Brasil 0 X Argentina 1


A primeira grande decepção em uma Copa. Tinha 11 anos, vivia toda a empolgação de assistir a um jogo já entendendo alguma coisa. Meu pai havia feito uma festa em casa. Mas hoje em dia sei que o time não era grande coisa. O técnico, medíocre. Lembro bem da sensação ruim, fui pra rua, encontrei uns amigos, a frustração era total. 

Eu também estava presente nas copas de 1982 e 1986 e me lembro de algumas coisas, mas vivemos a chance de reconstruir as memórias daqueles momentos graças aos vídeos disponibilizados na internet. Como não falar do maravilhoso time de 1982? Estão ali, para quem quiser ver, talvez a última vez em que se pode observar um futebol jogado com maestria e - outra beleza do esporte - a injustiça de que o melhor não tenha ganhado. Se fosse sempre a vitória do melhor time, não teria a menor graça torcer. 

Um tributo à seleção de 1982

É um evento especial. Quem quiser passar os próximos dias torcendo o nariz, fique a vontade. Eu vou aproveitar para viver novas emoções com meu esporte predileto. Vou guardar meu espírito crítico para quando estivermos falando de um assunto mais sério. É o que, em inglês, denomina-se "guilty pleasure": hora de vestir a camisa amarela, convidar uns amigos, preparar os petiscos e curtir um futebol. Quem vem comigo? 







20 de maio de 2011


Texto publicado no Farrazine #21 escrito por mim mesmo.

O efeito dominó em ação!
Sobre abolição, origens e em nome da planta...


Embora a definição correta em qualquer dicionário ou enciclopédia seja ‘‘área degradada de uma determinada cidade caracterizada por moradias precárias e blábláblá etc. e tal...’’ todos sabemos que a força e importância das chamadas ‘‘favelas’’ é muito mais do que isso.

Desde que começou o ‘‘boom’’ do funk carioca e do lançamento do filme ‘‘Cidade de Deus’’, esta palavra nunca tinha sido tão falada, modernizada, industrializada e sendo ainda mais direto... Nunca havia estado tanto na mídia como nos últimos anos!

Tivemos a série ‘‘Cidade dos Homens’’, o filme ‘‘Tropa de Elite’’ e ‘‘5x Favela - Agora Por Nós Mesmos’’ entre outros longas-metragens, seriados, programas de televisão, camisetas, documentários e várias outras coisas. Todos eles abordam o assunto sobre a mesma perspectiva, algo que não acho necessário comentar aqui porque vocês já sabem o que quero dizer.

Em suma, deturpando uma frase do Humberto Gessinger, hoje em dia, a Favela é Pop! E vocês, leitores curiosos, sabiam que esse pop veio da planta?

Parem de pensar besteira, porque nããão... Eu não estou falando da diversão nº 1 de Bob Marley, Gabeira e Marcelo D2! Tampouco é uma mensagem subliminar sobre os pontos de venda dessa erva.

Humpf!

Realmente há uma planta chamada Favela - Cnidoscolus phyllancatus - que produz óleo comestível e combustível. Ela é bem comum no norte do Brasil e quase nunca comentada nos outros lados. Pois esta plantinha, tão sã e bacaninha, deu nome a umas das representações habitacionais mais conhecidas no mundo.

Na verdade a evolução desse nome, até chegar ao significado que conhecemos hoje, envolve uma série alucinante de eventos que desencadeiam no Rio de Janeiro do século XIX. E dela participaram figuras históricas!

Acreditem, é uma história incrível! E como todas as histórias incríveis, começa por causa de uma garota.

Bom, não era bem uma garota e sim, uma mulher!

Reparem: Todos os grandes acontecimentos interessantes têm alguma mulher como protagonista ou antagonista, como por exemplo: Evita Perón e a paixão que criou na Argentina; a misteriosa, sensual e exótica Mata-Hari na primeira guerra mundial; ou ainda, a impactante voz de Janis Joplin na revolução musical dos EUA nos anos 60 e 70, e convenhamos, o relato bíblico sobre a criação fica bem mais interessante quando conhecemos a Eva.

A mulher que estamos falando, responsável indireta (ou direta?) na origem da estória das favelas se chama Brasilina Laurentina de Lima.

Ok, eu concordo que o nome não tem tanto glamour como Eva, Janis ou Mata-Hari, mas o peso histórico e importância são os mesmos, posso garantir...

Em 1857, Brasilina, ou Lina para os amigos, se casa com um primo estabelecendo sua vida em Sobral, no Ceará. Logo são obrigados a mudar-se de cidade em cidade chegando, finalmente, a Ipu onde a vida matrimonial sofreria mudanças radicais, no caso de um deles. E é depois de alguns anos, ainda nessa cidade, que o marido de dona Brasilina flagra ela na cama de sua casa, em plena traição conjugal, com um sargento da Polícia de Ipu.

O esposo de Lina, transtornado com a situação, decide tomar a atitude mais rebelde que alguém poderia ter, estando em seu lugar!
Não amigos. Ele não decidiu matá-la, ou suicidar-se, ou acabar com a raça daquele sargentinho sem-vergonha! O que ele fez foi muito mais hardcore e underground!

Ele... andou!

Sim! No melhor estilo hippie, ele pegou uma trouxa e saiu caminhando pelo sertão para esquecer a humilhação sofrida em seu casamento. Logo começa a inventar milagres e dar conselhos ao povo que precisava de ajuda. Com o tempo, ele passou a ter mais e mais seguidores, sem twitter nem nada, só protegendo os oprimidos pela pobreza e cuidando dos ex-escravos libertos pela abolição que não tinham nenhum meio de subsistir. O cara, simplesmente, era o messias do Agreste!

Para os modelos atuais, como forma de comparação, podemos dizer que ele virou uma mistura de Forrest Gump, Jesus Cristo e Lula para o povo. Vocês imaginam o que seria capaz de fazer uma figura assim? Se vocês não imaginam, eu digo:

A GUERRA DOS CANUDOS!

Sim senhore(a)s! Este cidadão, ex-marido de dona Lina, corno manso por opção e revolucionário por natureza se chamava ANTÔNIO CONSELHEIRO!

A histórica Guerra dos Canudos deixou várias vítimas, tendo como umas das mais conhecidas o famoso coronel Moreira César. A força da trupe de Conselheiro era tão grande que matou Moreira e, no mesmo dia, assassinou a pessoa que o substituiu no cargo. Com a morte dos dois coronéis, as tropas do governo ficaram abaladas e retrocederam produzindo uma repercussão incrível sua derrota.
O ministro de guerra da época preparou uma expedição superpoderosa, que sairia com soldados do Rio de Janeiro a Canudos armados com a melhor tecnológica bélica daquele período e muito ‘‘sangue nos olhos’’, na gíria de hoje em dia. Depois de alguns anos, Antônio foi derrotado e morto e os soldados cariocas que sobreviveram puderam voltar aos seus lares com a vitória.

A volta ao lar teria sido um bonito tempo de paz se o governo não tivesse lhes pregado uma peça! E foi que depois que acabou a guerra e a situação civil estava controlada, o governo deixou de pagar o salário daqueles que foram seus heróis.

Sem dinheiro para poder manter o mesmo nível de vida de antes e vendo que ninguém tomava nenhuma providência, os soldados decidiram, por eles mesmos, tomar a providência. E fizeram isso literalmente.
Esses soldados invadiram um morro, o da Providência, e passaram a fazer suas casas com as condições que o dinheiro que sobrava lhes permitia. Daí foi uma ajudinha de alguns ex-escravos aqui (que acabaram adotando morada lá também), outra mãozinha de desabrigados acolá e pronto; só faltava definir o nome do lugar por algo mais pop que Providência. Porque apesar de chamar-se assim antes, não deixava de ser uma anedota do destino com relação a nome-situação e isso não era fashion.
Na verdade, a mudança na nomenclatura do novo lar dos soldados veio naturalmente. O morro da Providência era muito parecido ao morro que eles tinham ficado na Guerra dos Canudos. E aquele morro se chamava favela pela abundância dessa planta nele. Tudo veio com uma simplicidade singela tipo:

 Bom dia, ex-soldado fulano! Por onde tens andado?
 Bom dia, amigo ex-soldado! Estou morando ali no Providência, na favela, lembra?

Mudança sutil não é? Até hoje o morro da Providência se chama Providência no Rio de Janeiro. E o nome Favela virou sinônimo de moradia precária até pouco tempo... Depois vocês já sabem, Michael Jackson veio fazer clip, Edward Norton foi morar em uma como Bruce Banner e o Capitão Nascimento virou super-herói nacional correndo por elas com fuzil na mão.

E como eu tinha falado antes, tudo começou com a dona Brasilina...


1 de maio de 2011

QUEM CONTROLA O PASSADO CONTROLA O FUTURO

O título desse post é uma referência ao livro 1984 de George Orwell. No romance uma crítica muito poderosa é feita aos regimes totalitários, especialmente ao governo do outro lado da cortina de ferro.
 
Uma das ferramentas do “governo” do Big Brother era manipular o passado (alterando eventos e livros didáticos) para convencer e cooptar os cidadãos contemporâneos e, finalmente, integrá-los a verdade construída pelo regime totalitário.
 
A vida imita a arte e a arte é inspirada na vida. Mas tem momentos que a ficção torna-se um duro, frio e cruel espelho da realidade. O governo Dilma acaba de soltar uma das pérolas típicas de governos autoritários – embora deva ressaltar que o atual governo não tem nada de autoritário e que nossa democracia é pulsante (esse texto é prova disso ).
 
O MEC acaba de aprovar livros didáticos, de História principalmente, que exaltam o governo Lula e criticam abertamente o governo FHC. A função básica da educação coetânea é contribuir para a formação de cidadãos, que entre suas habilidades esteja a de formular uma análise crítica sobre os eventos do passado recente e compará-los a sua vida. Entretanto, essa habilidade, a da crítica e comparação, não deve ser direcionada por um discurso oficial do Estado, pelo contrário.
 
Os jovens cidadãos devem desenvolver suas competências de forma livre e, assim, poderem por si próprios elaborar opiniões acerca do Mundo. É extremamente questionável a opção do Ministério da Educação em direcionar de forma político-partidária o discurso historiográfico apresentado à jovens e crianças.
 
Leia a seguir matéria publicada  no jornal Folha de S. Paulo (1/5/2011) e tire suas próprias conclusões





Livros aprovados pelo MEC criticam FHC e elogiam Lula
Obras atacam privatizações feitas pelo tucano e minimizam o mensalão

Comissão formada por professores avalia os livros, que são usados por 97% das escolas da rede pública de ensino

LUIZA BANDEIRA
RODRIGO VIZEU
DE SÃO PAULO

Livros didáticos aprovados pelo MEC (Ministério da Educação) para alunos do ensino fundamental trazem críticas ao governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e elogios à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Uma das exigências do MEC para aprovar os livros é que não haja doutrinação política nas obras utilizadas.

O livro "História e Vida Integrada", por exemplo, enumera problemas do governo FHC (1995-2002), como crise cambial e apagão, e traz críticas às privatizações.
Já o item "Tudo pela reeleição" cita denúncias de compra de votos no Congresso para a aprovação da emenda que permitiu a recondução do tucano à Presidência.
O fim da gestão FHC aparece no tópico "Um projeto não concluído", que lista dados negativos do governo tucano. Por fim, diz que "um aspecto pode ser levantado como positivo", citando melhorias na educação e a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Já em relação ao governo Lula (2003-2010), o livro cita a "festa popular" da posse e diz que o petista "inovou no estilo de governar" ao criar o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.
O escândalo do mensalão é citado ao lado de uma série de dados positivos.
Ao explicar a eleição de FHC, o livro "História em Documentos" afirma que foi resultado do sucesso do Plano Real e acrescenta: "Mas decorreu também da aliança do presidente com políticos conservadores das elites". Um quadro explica o papel dos aliados do tucano na sustentação da ditadura militar.
Quando o assunto é o governo Lula, a autora -que à Folha disse ter sido imparcial- inicia com a luta do PT contra a ditadura e apenas cita que o partido fez "concessões" ao fazer "alianças com partidos adversários".
Em dois livros aprovados pelo MEC, só há espaço para as críticas à política de privatizações promovida por FHC, sem contrabalançar com os argumentos do governo.

MENSALÃO
Já na apresentação da gestão Lula, há dois livros que não citam o mensalão.
Em "História", uma frase resume o caso, sem nomeá-lo: "Em 2005, há que se destacar, por outro lado, a onda de denúncias de corrupção que atingiu altos dirigentes do PT, inúmeros parlamentares da base do governo no Congresso e alguns ministros do governo federal".
A Folha não conseguiu falar com os autores da obra.
Uma das críticas feitas a Lula é o fato de ter continuado a política econômica do antecessor.
Os livros aprovados pelo MEC no Programa Nacional do Livro Didático são inscritos pelas editoras e avaliados por uma comissão de professores. Hoje, 97% da rede pública usa livros do programa.
São analisados critérios como correção das informações e qualidade pedagógica. As obras aprovadas são resenhadas e reunidas em um guia, que é enviado às escolas públicas para escolha dos professores.

Fonte: Folha de S. Paulo

FICO POR AQUI - THE BIG MULUSCO IS WHATING YOU

14 de abril de 2011

AS ORIGENS DO PORTUGUÊS BRASILEIRO (PT-BR)

 
Língua que desembarcou das caravelas e se espalhou pelo país era, originalmente, o português caipira, conta Ataliba Teixeira de Castilho, coordenador do Projeto de História do Português de São Paulo 
 
 
 
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 Especiais

Bandeirantes da língua portuguesa

14/4/2011
Por Mônica Pileggi
Agência FAPESP – O Projeto de história do português paulista (Projeto Caipira), coordenado pelo professor Ataliba Teixeira de Castilho, mobiliza pesquisadores de diversas instituições com o objetivo de resgatar a história da língua trazida pelos portugueses que desembarcaram na Baía de São Vicente, em 1532.

Do litoral paulista, a língua se espalhou pelo país por diversas vertentes. O Temático, que reúne mais de 200 pesquisadores – 60 deles em São Paulo –, estuda, em uma espécie de “bandeirantismo”, os caminhos percorridos pelos falantes da língua portuguesa e sua transformação até chegar à língua falada hoje.

A 12ª edição do Seminário do Projeto de História do Português Paulista termina nesta sexta-feira (15/4) no Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). O encontro procura avaliar os resultados obtidos pelo projeto apoiado pela FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Projeto Temático, concluído no fim de 2010.

Castilho foi professor titular da USP, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Atualmente, aos 74 anos, é professor colaborador voluntário na Unicamp.

O pesquisador presidiu a Área de Letras e Linguística da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) (1987-1990), a Associação Brasileira de Linguística (1983-1985) e a Associação de Linguística e Filologia da América Latina (1999-2005).

Entre seus livros recentes estão Nova Gramática do Português Brasileiro (Contexto, 2010), Gramática do Português Culto Falado no Brasil (Editora da Unicamp, 2008), Descrição, História e Aquisição do Português Brasileiro (Pontes, 2007), Gramática do Português Culto Falado no Brasil (Editora da Unicamp, 2006).

Ataliba Teixeira de Castilho
Agência FAPESP – Professor Castilho, como surgiu o Projeto Caipira?
Ataliba Teixeira de Castilho – O projeto de pesquisa teve origem em 1998, durante o primeiro seminário que fizemos sobre o tema. Participaram professores brasileiros especializados em linguística histórica. Pensei em convidá-los para o projeto de modo que eles pudessem transformar aquele projeto estadual em nacional. E deu certo.

Agência FAPESP – E por que fazer esse projeto em São Paulo?
Castilho – Porque a língua portuguesa começou a ser implantada em 1532, em São Vicente, aqui no Estado de São Paulo. Foi o primeiro povoamento, quando os portugueses decidiram explorar de fato o território. Isso não ocorreu quando Pedro Álvares Cabral chegou à Bahia e partiu em seguida para as Índias. Durante 32 anos o território descoberto não foi colonizado ou ocupado. Foi em 1532, em São Vicente, que o Brasil realmente começou.

Agência FAPESP – Então, foi a partir do Estado de São Paulo que ocorreu a penetração da língua portuguesa pelo país?
Castilho – Sim, foi onde tudo começou. Depois de São Vicente vieram Santo André, São Paulo e Santana do Parnaíba. Foi por essas quatro cidades que começou a penetração do português no Brasil – com exceção do então Norte (Grão Pará e Estado do Maranhão), que era praticamente outro país e onde a colonização começou entre os séculos 17 e 18. Devido à proximidade do rio Tietê, o movimento do bandeirismo partiu de Santana do Parnaíba e começou a expansão da língua para o Mato Grosso. De Santana do Parnaíba, os bandeirantes também foram até o Peru, atrás das minas de prata, percorrendo um caminho construído pelos índios Peabirus. Como lá a colonização foi espanhola, o português não se implantou. De São Miguel Paulista, os bandeirantes levaram o português para Minas Gerais, subindo por Itaquaquecetuba e Taubaté, atrás do ouro.

Agência FAPESP – A partir do Estado de São Paulo ocorreu a penetração da língua portuguesa pelo país por esses caminhos?
Castilho – Sim, mas no fim do século 18 surgiu um terceiro caminho: o dos comerciantes que andavam com mulas. Esses tropeiros levaram o português até o Uruguai, que no tempo do império era uma província brasileira, a Cisplatina. Chegaram à Colônia do Sacramento, cidade uruguaia criada por tropeiros de Sorocaba. Tudo isso foi movimento dos paulistas. Quando São Paulo se desenvolveu mais do que todas as outras, tornou-se a maior capitania do Brasil, que inclui o que hoje são estados independentes. O termo capitania foi substituído por província e depois por estado. Então, pode-se ver que ao estudar que língua portuguesa chegou aqui e como ela se desenvolveu e mudou, conhecemos a própria história do português brasileiro.

Agência FAPESP – Uma dimensão que está espelhada no número de pesquisadores reunidos pelo projeto coordenado pelo senhor.
Castilho – Tem que ser assim, é preciso reunir muitos especialistas. Só no Estado de São Paulo somos em 60 pesquisadores, das três universidades públicas e também da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Esse grupo maior também fez uma espécie de bandeirismo (risos). Hoje, o Projeto de História do Português Brasileiro (PHPB) tem cerca de 200 pesquisadores integrados em 11 equipes regionais, cada uma trabalhando com questões locais.

Agência FAPESP – Em todo o Brasil?
Castilho – Não, pois ainda não temos ninguém no Norte. Mas queremos ter colaboradores nessa região.

Agência FAPESP – Poderia dar alguns exemplos de contribuições do projeto para o conhecimento da história do português brasileiro?
Castilho – Esse projeto trata do conhecimento de como o português se implantou e de como ele mudou. A grande pergunta, como diz um colega nosso, é: “Que língua foi aquela que saiu das caravelas?”. Sabemos hoje que foi o português médio, um momento da história do português europeu. E aqueles navegadores que saíram das caravelas quando crianças aprenderam a falar essa modalidade, o português arcaico médio, que vai de 1450 até 1530. Essa é justamente a base do nosso português. Temos um grupo em nosso projeto que estuda como foi esse português médio para poder descrevê-lo. Nesse grupo está minha mulher, Célia Maria Moraes de Castilho, que também é linguista e leu o que se publicou dos inventários e testamentos, do século 16 até 1920, que estão guardados no Arquivo Público do Estado de São Paulo. Para entender como se deu o espalhamento desse português a partir de São Paulo, outro grupo, coordenado pelo professor Manoel Morivaldo Santiago Almeida, da USP, estudou como foi o deslocamento da língua pelo Tietê, levado pelos bandeirantes. Esse grupo verificou, por exemplo, que no Mato Grosso se guarda até hoje pronúncias do português médio arcaico. Em vez de dizer chão, eles dizem “tchon”. Palavras com “ch” são ditas com “tch”, e “x” é dito “xê”. Então temos “tchapéu” ou “tchuva”. Eles não têm o ditongo nasal “ão”, e sim a vogal nasal “on”, como era no português antigo. Estou falando de fonética, mas há também outras características gramaticais que se conservaram lá.

Agência FAPESP – E isso até na capital, Cuiabá?
Castilho – Sim. E é no meio familiar que você surpreende isso, essas pronúncias todas do português de antes.

Agência FAPESP – Como se desenvolveram aqui em São Paulo o português popular e o português culto?
Castilho – A professora Ângela Cecília Souza Rodrigues, da USP, é a responsável pelo projeto sobre o português não padrão, que é o dos analfabetos e de pessoas que aprendem em casa. O objetivo é documentar e achar nos documentos traços desse português popular.

Agência FAPESP – Ela já obteve resultados?
Castilho – Ela começou de trás para frente, descreveu primeiro o que tem hoje no português popular. Não é só paulista que fala o português popular, pois o estado atraiu gente de todos os lados. A professora Ângela encontrou nos primeiros documentos de traços linguísticos a questão da concordância. Ela observou que muito da concordância que hoje se considera padrão popular era usada pelos portugueses naquele tempo, como em “os menino chegou”, por exemplo. Isso não foi uma criação daqui não, estava lá. Outro grupo de pesquisa estuda a formação do padrão culto, a história do português ensinado nas escolas. As professoras Marilza de Oliveira (USP) e Maria Célia Lima-Hernandes (USP) estudam esse ponto, de como se formou o português culto em São Paulo.

Agência FAPESP – O que elas descobriram?
Castilho – O que se descobriu é que até algum tempo atrás o português culto era idêntico ao português europeu, mesmo aqui em São Paulo. Só se começou a falar o português culto bem tardiamente. No começo era um povão, indistinto, que falava o português popular. Foi preciso surgir escolas para que aparecesse essa outra variedade. Aqui em São Paulo foi muito importante a fundação da Faculdade de Direito, em 1827, que trouxe gente do Brasil inteiro. Na mesma época, começou a haver um interesse maior em ler jornais, escrever e ler poesias, romances. Era o Romantismo. Pois esse grupo de pesquisa analisa esses documentos e observa que reação as pessoas que vinham para cá tinham em relação à língua falada aqui, que era o caipira.

Agência FAPESP – E como se desenvolveu o português culto?
Castilho – Do início do século 19 até a instituição da USP, em 1934, foram criadas várias escolas isoladas, pois não havia a concepção de universidade como existe hoje. No século 19, o português culto era imitação exata do português culto europeu. Em 1922, com o movimento modernista e o crescimento da comunidade de São Paulo, não se considerava mais que o português culto era o português dos portugueses, nós nos descolamos disso. Ainda em 1920, 1930, tínhamos certa sensação de nação colonizada. Quando isso passou é que nos desgarramos do português escrito culto europeu. E aí os modernistas tiveram um papel muito importante, sobretudo Mário de Andrade. Ele criou biblioteca, departamento de cultura, fundou a revista do Arquivo Municipal. Houve uma grande agitação cultural e as pessoas foram assumindo com mais naturalidade a forma como elas escreviam.

Agência FAPESP – Hoje, a característica caipira é muitas vezes encarada de forma depreciativa. Naquela época ocorria a mesma coisa?
Castilho – Caipira não era uma palavra depreciativa, era a designação do português falado pelos paulistas. Depois, com o desenvolvimento da cidade de São Paulo como centro cultural, aí sim ficou muito assemelhado ao português popular, de pessoas sem escolaridade. E como a cidade cresceu demais, esse português foi empurrado para o interior do estado e ali ficou.

Agência FAPESP – Em uma entrevista, o senhor fala sobre o uso da internet pelas crianças e diz que elas passaram a escrever mais, o que seria positivo. Mas, ao mesmo tempo, a rede não incentiva a grafia errada?
Castilho – Sim, as crianças passaram a escrever mais e, sobretudo, não por que o professor manda. Para nós, linguistas, essa questão do escrever errado ocorre quando uma pessoa escreve e a outra não consegue entender. No mais, é uma variedade que você está jogando. O que é escrever errado? É o português não culto? A internet não atrapalha, ela ajuda e resolve um problema de ortografia, no caso de uso de abreviações, como é tudo abreviado. A ortografia é convenção, ela vai atrás da língua com o seu dinamismo. Eu vejo muito o lado positivo. Como linguistas nos perguntamos o tempo todo como é que a mente humana conseguiu criar essa variedade louca de expressões, essa enorme complexidade. Essa é a nossa grande questão.
 

26 de setembro de 2010

BARRABÁS, TORERO, HISTÓRIA E HUMOR


Sexta-passada (24/10) tive a oportunidade de ouvir pessoalmente as divagações sobre história, literatura e cinema do escritor e cronista esportivo José Roberto Torero (Blog do Torero).

Além dos romances históricos e da paixão pelo futebol o literato é roteirista e diretor, especialmente de curtas-metragem. Você pode conferir parte da produção dele clicando aqui.

Um boa praça esse Torero. Bom de papo. A palestra se centrou na interação. A platéia composta por jovens universitários o bombardeou com uma série de perguntas sobre diversos temas, indo do processo criativo passando por Machado de Assis e chegando as suas concepções de literatura e história.

Curioso como sou, visitei seu blog e encontrei um link para um vídeo promocional de seu novo livro O Evangelho de Barrabás (objetiva, 2010, 520p), escrito em parceria com Marcus Aurelius Pimenta.

Torero leu os 3 primeiros capítulos para a platéia e conseguiu arrancar uma porção de risos. O vídeo promocional é uma peça que vale a pena ser assistida, pois nada mais nada menos do que a primeira meretriz e o filho do altíssimo deixaram suas impressões sobre o texto. O riso é garantido.

Logo a seguir vocês podem conferir o vídeo e uma sinopse do Evangelho de Barrabás.



Sinopse do livro retirada do site da livraria da Travessa

“Primeiro romance adulto de José Roberto Torero e Marcus Aurelius Pimenta em dez anos, esse livro traz um texto ágil e uma trama marcada por reviravoltas que nos prendem rapidamente. Por trás das aventuras do protagonista, porém, há uma pesquisa extensa sobre o Antigo e o Novo Testamento.

Os autores mergulharam no universo bíblico para imaginar como teria sido a vida de Barrabás. Como conseqüência, O Evangelho de Barrabás traz inúmeras citações relacionadas aos textos sagrados. A declaração de amor que ele faz para Maria MagdaLena, por exemplo, foi retirada quase que inteiramente do Cântico dos Cânticos, capítulo de teor erótico do Antigo Testamento que teria sido escrito por Salomão.


As maldições enumeradas no embate entre Barrabás e Caifás no Templo foram extraídas do Deuteronômio, do mesmo livro. Já o Novo Testamento aparece nas citações às parábolas do grão de mostarda (que ocorre quando os discípulos vão se despedir de Barrabás após o milagre das águas) e do filho pródigo, que ganhou um final diferente.


Não é preciso conhecer a Bíblia, no entanto, para se divertir. Basta gostar da combinação de inteligência ferina com humor e história, marca registrada da dupla Torero-Pimenta.”


FICO POR AQUI – AS MULHERES TOCAVAM PANDEIRO E OS HOMENS FLAUTA

21 de setembro de 2010

MUSEU DO CAFÉ EM SANTOS PROMOVE EVENTO

4ª Primavera dos Museus - Programação Museu do Café

Clique na imagem para ampliar,

maiores informaçoes
Museu do Café
Assessoria de Comunicação
(13) 3213-1750  
  (13) 3213-1750  / Ramal 1761
Thiago Santos - (13) 7803-9711  
(13) 7803-9711  / 90*515
Caroline Nóbrega - (13) 7803-9712  
(13) 7803-9712 / 90*516

1 de setembro de 2010

100 ANOS EM BRANCO E PRETO


Uma simples e pequena homenagem ao centenário de um dos clubes mais queridos desse país. Quiçá o maior.

Minha história com esse time tem aproximadamente 22 anos. Um nada comparado aos seus 100.

Um gol de carrinho, de um garoto negro da periferia que iniciava sua história no futebol, Viola. Um título paulista, mais um do maior campeão.

Eu tinha 6 anos, me apaixonei pelo preto e pelo branco. A torcida enlouquecida. Eu nem sabia direito o que era futebol e nem mesmo a vida, mas descobri meu primeiro grande amor.

Poucos meses depois, um amigo corintiano do meu pai são paulino me presenteou com a camisa do timão que no lado esquerdo ostentava o brasão da federação paulista que é estampado nas camisetas campeãs.

Nessa minha história com o clube do parque São Jorge vi o time ganhar 4 títulos brasileiros, uma boa quantidade de paulistas, sendo que em um desses títulos fui testemunha ocular, pois estive presente, em 2001, no Estádio Santa Cruz (Ribeirão Preto-SP) no primeiro jogo da final contra o Botafogo – vitória por 3 a 0. Vi também o timão ser campeão do Rio-São Paulo, 3 vezes da Copa do Brasil e ser campeão Mundial.

Sofri, como todo bom corintiano em 2007. A queda para a 2ª divisão não foi o pior, mais triste do que isso foi presenciar o clube vítima de interesses escusos de homens sem caráter e de mafiosos internacionais. Saímos mais na página policial no que na de esportes.

Caímos no campo, mas as péssimas administrações corroeram o pouco que havia de bom, a queda era quase inevitável.

Mas por que estou escrevendo sobre isso num dia que deveria ser apenas de comemoração?

Por que caro leitor corintiano, ou não, esse foi provavelmente um dos eventos mais sombrios na linda, gloriosa e popular história do Sport Club Corinthians Paulista. Essa mancha não pode ser esquecida, pois nesse país de memória curta, qualquer deslize e falta de vigilância pode dar a chance para que esses erros aconteçam novamente.

Fiquemos de olhos atentos, tais como Gaviões, sobre o projeto, orçamento e execução da nossa nova casa, nosso estádio em Itaquera. Precisamos ficar atentos para evitar qualquer manobra ilegal. O Corinthians merece respeito e, sobretudo, um comportamento ético de seus timoneiros, capitães e imediatos. Os marujos estarão sempre lá gritando como um bando de loucos.

Somos uma nação, uma nação popular. Hoje é dia de festa. Dia de usar preto e branco, de expressar seu amor, sua história, suas memórias. Que nossos descendentes comemorem mais cem anos de glórias.





FICO POR AQUI - "ETERNAMENTE DENTRO DOS NOSSOS CORAÇÕES"

22 de agosto de 2010

Batalha de Stalingrado



Olá, pessoal! Voltei. A pedido do meu amigo César, estou aqui para falarmos sobre assuntos variados e, para começar, vou direto ao assunto que tem sido minha, digamos, diversão atualmente: a Batalha de Stalingrado. Para quem não sabe, esta foi, sem dúvida, a mais brutal e sangrenta batalha da Segunda Guerra Mundial e ocorreu entre julho de 1942 e fevereiro de 1943. Foi uma batalha muito importante na qual os alemães sofreram sua primeira grande derrota. Os entusiastas pelo estudo da guerra, historiadores ou não, sabem bem disso, e encontrarão uma farta bibliografia a respeito. Mas não é nesse ponto que quero tocar. Não é surpresa que, de maneira geral, as pessoas guardem uma imagem da segunda guerra muito ligada ao Dia D e à participação dos EUA. O motivo é óbvio: propaganda do cinema. Parti, então, para uma busca de filmes sobre Stalingrado.



O primeiro que me lembrei foi o bom filme "Círculo de Fogo", de 2001, com Jude Law. Lembro que quando o vi naquela época, gostei muito. E realmente é um filme que entretem muito, é divertido acompanar a história do sniper que aterroizou as tropas alemãs em Stalingrado. Mas algumas coisas me incomodaram, principalmente as entrelinhas do filme que se mostraram, ao meu ver, um tanto inadequadas historicamente, vamos a elas: 1. soldados desmotivados: os alemães cometeram muitas atrocidades quando entravam na União Soviética, certamente haveria muita motivação e também muito medo por parte dos soldados russos, mas o filme faz questão de mostrar somente o último sentimento. 2. Os soldados russos desertores sendo massacrados pelos próprios oficiais: no filme isso é mostrado de uma maneira terrível e, é claro, esta não é uma situação das mais agradáveis. Contudo, trata-se, como sabemos, de uma situação normal durante uma guerra, os desertores ou aqueles que descumpriam ordens são executados. O filme faz também uma crítica ferrenha ao stalinismo, mas isso aí não me incomoda, não devia ser fácil viver na União Soviética mesmo...

No geral é um bom filme e eu recomendo.

Procurei, então, alguma obra cinematográfica que não fosse hollywoodiana e foi aí que cheguei ao motivo deste post. Deparei-me com um filme alemão bem bacana de 1993, chamada Stalingrad. É um tipo de filme de guerra que, como outros, te dá aquela sensação de que guerra não é legal...



As cenas de combate em si são horripilantes, no mínimo. Há várias cenas que incomodam pela crueza com que as mortes acontecem e pela maneira como você é levado a se sentir tocado pela vida perdida. São cenas brutais, de uma batalha brutal. Outro detalhe interessante é que, com este filme traz uma visão diferente sobre os alemães: nem todo soldado alemão que lutou na guerra era um criminoso, pelo menos não em situações que eles tivessem controle. E isso, acreditem, incomoda bastante também, pois não somos acostumados ver os soldados alemães dessa forma. E realmente é difícil de engolir por um tempo, mas é bem provável que a situação do filme tenha em alguma medida uma verossimilhança com a realidade. O filme, como a batalha, é claro, não tem final feliz. Não é um filme fácil de encontrar aqui no Brasil, mas eu sei que, se vocês chegaram até aqui, descobrirão um "jeitinho" de encontrá-lo.... Segue um trailer para degustação.

Clique aqui para ver o Trailer no Youtube




16 de julho de 2010

ERA UMA VEZ O HOMEM CORDIAL

Olá Turminha!!!


Viajarei amanhã e o blog ainda permanecerá desatualizado, porém, não vou sair sem deixar um sinal de que a volta se dará com toda a força em breve.


Recebi esse vídeo-documentário via Orkut, mas achei de extrema valia compartilhar com todos os seguidores do Fronteiras.


O vídeo em questão, em seu primeiro episódio, discute a natureza violenta da sociedade brasileira histórica e atualmente.


Faz  muito tempo que compramos a idéia de que nossa sociedade é pacífica, que o brasileiro é cordial, porém, a gênese ou a genealogia desse discurso descansa nos anos de 1930 quando foram publicadas duas obras fundamentais para as ciências humanas tupiniquins: Casa-Grande & Senzala e Raízes do Brasil, de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, respectivamente.

Não vou falar muito sobre o doc, mas creio que vale a pena assistir e quem sabe postar comentários.

Conto com vocês!!!

Abaixo o vídeo
LUTAS.doc Ep.: 01
 

FICO POR AQUI – “ESCRAVOS DE JÔ, JOGAVAM CAXANGÔ!!!”

7 de julho de 2010

HISTÓRIA DA ÁFRICA A POUCOS CLIQUES DAQUI

da Série Ctrl C + Ctrl V

retirado do boletim da AGÊNCIA FAPESP recebido por e-mail.

 Notícias

 

Especiais

África mais acessível

7/7/2010
Por Alex Sander Alcântara
Agência FAPESP – O Instituto de Estudos Brasileiros (IEB) da Universidade de São Paulo (USP) começou a disponibilizar na internet livros e documentos raros sobre a África produzidos do século 16 ao 19.
O projeto Brasil África, que tem apoio da FAPESP por meio da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular, já construiu a base de dados sobre os documentos para facilitar a pesquisa detalhada das referências e começa a digitalizar imagens.

De acordo com a Márcia Moisés Ribeiro, pesquisadora do IEB e coordenadora do projeto, o objetivo é permitir o acesso a livros e documentos raros sobre o continente africano.
“O IEB possui uma das mais importantes bibliotecas de livros raros de São Paulo. A ideia foi construir um banco de dados para reunir informações sobre esses documentos e obras que, em seguida, serão digitalizados e disponibilizados”, disse à Agência FAPESP.

Márcia atualmente desenvolve o projeto de pesquisa “Medicina e escravidão nas dimensões do universo colonial: a América portuguesa e o Caribe francês no século 18”, que será concluído no fim do ano.

O site já conta com informações detalhadas sobre cada documento selecionado. “Há dados sobre autor, obra, data e local da publicação. A base de dados traz também um breve resumo de cada documento indicado”, explicou.

É possível encontrar documentos que envolvem as mais diversas áreas sobre o continente, como história, geografia, medicina, religião e temas relacionados ao tráfico de escravos.

“São livros raros de viagem, de medicina, sobre a fauna e flora, além da história e das religiões africanas. Sobre a escravidão, há assuntos relacionados ao comércio e tráfico negreiro, como condições da travessia desses escravos, entre outros temas”, disse Márcia.

O processo de digitalização dos documentos da base de dados foi iniciado em maio e a previsão é que até o fim deste ano todas as obras estejam disponíveis no site.

A pesquisadora estima a existência de cerca de 600 documentos e livros raros sobre a África nas várias coleções do IEB. “Até agora trabalhamos apenas com os documentos da biblioteca do IEB, que tem cerca de 300 documentos que já estão no banco de dados, mas ainda não disponíveis na versão digital, que será disponibilizada em julho. A próxima etapa será a documentação do arquivo, no qual se encontram os manuscritos”, destaca.

Nos manuscritos há diversas correspondências entre governantes da África e governadores das capitanias brasileiras. “É uma documentação rica, sobretudo porque muitos são documentos únicos”, disse Márcia.
Divulgar e preservar

De acordo com a historiadora, a ideia surgiu a partir de sua própria pesquisa. “Trabalho com história da medicina e escravidão no período colonial e, ao ter contato com o material no IEB, percebi que o instituto guardava documentos e livros importantes para historiadores”, contou.

Grande parte dos temas envolvendo o continente africano, segundo ela, era estudada principalmente pela relação com a escravidão. “Mas, nas últimas décadas, outros temas relacionados à África têm despertado interesse de pesquisadores. A história do continente, por exemplo, só passou a ser obrigatória como disciplina há cerca de dez anos, nos programas das universidades. Mas ainda é restrita, quando comparada com a história da América, por exemplo”, destacou.

Márcia salienta que, ao ampliar o acesso a textos e imagens raras – com possibilidades de impressão –, será possível estimular os estudos de forma geral sobre o continente. “Além de democratizar o acesso pela internet, a digitalização é uma forma de preservar as obras raras, evitando o manuseio excessivo e desgaste”, disse.

Mais informações: www.ieb.usp.br/online/telaSubCateg.asp?id=23
 

3 de maio de 2010

CORREIO DA MANHÃ PARA PESQUISADORES

da Série Ctrl C + Ctrl V

retirado do boletim da AGÊNCIA FAPESP recebido por e-mail.

 Notícias

Correio da Manhã para consulta

3/5/2010

 



Agência FAPESP – O Arquivo Público do Estado de São Paulo disponibilizou para consulta pública uma coleção de originais do jornal Correio da Manhã de 1904 a 1974. Até então, a instituição dispunha apenas de dois exemplares do jornal.

A coleção foi doada no fim de 2009 pelo Arquivo Edgar Leuenroth (AEL), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no âmbito da parceria entre esta instituição e o Arquivo do Estado.

O Correio da Manhã foi lançado no Rio de Janeiro em 1901 por Edmundo Bittencourt, tendo sido publicado até 1974. Segundo o Arquivo do Estado, destacou-se como um jornal de opiniões fortes e engajado nas disputas políticas da sociedade brasileira.

Entre seus colaboradores se destacaram os escritores Lima Barreto, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Carlos Heitor Cony e Antonio Callado, além dos críticos José Lino Grünewald e Antonio Moniz Vianna.

A coleção recebida pelo Arquivo do Estado passou por tratamento técnico antes de ser aberta à consulta.

O Setor de Consulta funciona de terça a sábado das 9h às 17h, sendo 16h o horário-limite para solicitação de material.
 
Mais informações: www.arquivoestado.sp.gov.br e (11) 2089-8100 
 

23 de abril de 2010

DIAS NA CONTRA-MÃO

da Série Ctrl C + Ctrl V

retirado do boletim da AGÊNCIA FAPESP recebido por e-mail.

 Especiais

Voz destoante

23/4/2010
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – No primeiro semestre de 1850, a revista Guanabara publicou três capítulos de Meditação, uma obra inacabada de Gonçalves Dias (1823-1864). O texto, escrito em prosa poética, é hoje praticamente desconhecido, apesar da notável importância histórica: pela primeira vez um escritor do romantismo criticava de forma implacável a sociedade, o Estado e, em especial, o sistema escravista.

Um estudo feito por Wilton José Marques, professor do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), abriu a discussão sobre esse texto pioneiro do poeta maranhense.

Os resultados da pesquisa – um pós-doutorado realizado com bolsa da FAPESP entre 2002 e 2003 no Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) – formaram a base para o livro Gonçalves Dias: o poeta na contramão, que acaba de ser publicado com apoio da Fundação na modalidade Auxílio à Pesquisa – Publicações.

De acordo com Marques, o que mais chama a atenção em Meditação, é o fato de escancarar as mazelas sociais do país de forma inédita entre os escritores canônicos românticos naquela época. O eixo central do livro nasceu a partir do texto As ideias fora do lugar, de Roberto Schwartz. Uma das teses do crítico, segundo Marques, sustenta que em meados do século 19 os escritores viviam quase exclusivamente dos favores do governo.

“Os intelectuais brasileiros viviam uma relação de dependência com o Estado. Essa política do favor explica por que a literatura nacional só passou a abordar criticamente o tema da escravidão quando o abolicionismo já dominava o debate nacional”, disse Marques à Agência FAPESP.

Segundo ele, quando Gonçalves Dias publicou Meditação, a literatura romântica praticamente não tinha referências explícitas à escravidão e a violência do sistema não transparecia em nenhuma obra. Os primeiros textos abolicionistas de Castro Alves (1847-1871), por exemplo, só entraram em cena a partir de 1863, quando a discussão já tomava as ruas.

“O texto de Gonçalves Dias é uma crítica ferrenha à escravidão e é incrível que seja tão pouco conhecido. Praticamente não há referências à sua existência. O meu livro procura preencher essa lacuna, discutindo a posição do intelectual em relação ao Estado e a forma como ele se insere na máquina estatal por meio de uma relação de favores”, disse Marques.

Apesar da virulência do texto, Gonçalves Dias não estava isento da “política do favor”. Em 1846, quando começou sua carreira literária e mudou-se para o Rio de Janeiro, o poeta tornou-se funcionário público, trabalhando como professor no Colégio Pedro 2º.

Com a economia baseada na escravidão, o trabalho livre praticamente não existia. O intelectual, assim, não tinha alternativa além de trabalhar e ser remunerado pelo Estado. Os escritores eram obrigados a se resignar a uma espécie de “cumplicidade cabisbaixa”.

“Em um país que tinha 70% da população analfabeta e os livros eram exclusividade de uma pequena elite, era natural que os escritores atuassem como funcionários públicos. Mas, apesar de se sujeitar a isso, Gonçalves Dias fez uma literatura que questionava o estado das coisas. A primeira expressão dessa contestação está em Meditação”, disse Marques.

Dedo na ferida

Gonçalves Dias estava consciente da própria situação de cooptado e acreditava que a dependência em relação ao Estado era danosa para a produção artística. Em uma carta da década de 1860, o poeta ressaltou que, “enquanto o literato precisar de empregos públicos, não poderá haver literatura digna de tal nome”.
Em sua análise, Marques discute como Gonçalves Dias estava na contramão das expectativas românticas, de valorização da natureza e do índio como “brasileiro autêntico”.

“Além de criticar a escravidão e fugir da corrente comum dos escritores canônicos do romantismo, ele, naquele texto, também criticou de forma virulenta a elite brasileira. Atacou a classe política – que acusou de se aproveitar do bem público para interesses particulares – e criticou a exclusão social”, apontou.

O poeta desferiu golpes não só contra as esferas do poder, mas principalmente contra as esferas do saber. “Em determinado momento ele defendeu que é preciso dar educação ao povo. A estrutura política do Império era excludente em vários aspectos, mas especialmente em relação à educação. Gonçalves Dias colocou o dedo nessa ferida sem rodeios”, afirmou.

Em seu livro, Marques levanta a hipótese de que uma parte particularmente contundente do terceiro capítulo de Meditação pode ter sido censurada. O trecho não foi publicado na versão de 1850 da revista Guanabara, mas reapareceu em uma publicação de 1868. < p> “Esse trecho retrata uma conversa noturna dentro de um palácio – que remete ao Palácio São Cristóvão – na qual políticos discutem o que fazer com o Brasil. Um deles questiona o que o Imperador pensará de tal debate. Um dos políticos levanta o véu da cama e diz: ‘o Imperador dorme’. O trecho remete ao período da regência, quando o Imperador era jovem demais para exercer o poder”, disse.
Em sua crítica à escravidão, Gonçalves Dias lançou mão principalmente de argumentos econômicos, segundo o professor da UFSCar. A entrada do Brasil na modernidade, para o poeta, só se daria por meio da implantação do trabalho assalariado.
 
“Gonçalves Dias não fez uma leitura humanista, como a de Castro Alves. Ele acreditava na superioridade racial dos brancos. Mas, em sua visão, a escravidão era um atraso por impedir a adoção de um modelo capitalista”, disse.

12 de janeiro de 2010

ANIMAÇÃO CONTA A HISTÓRIA DA FILOSOFIA OCIDENTAL

Assisti ao vídeo antes de visitar Morpheus e o achei bem interessante.

Não é nada 2010, mas é bacaninha. Discordo de alguns pontos, mas a idéia foi muito bacana e a execução idem.

Divirtam-se

HISTÓRIA DA FILOSOFIA OCIDENTAL (Animação)

30 de outubro de 2009

MÉMORIAS DO ANTISSEMITISMO E DO HOLOCAUSTO

Série Crtl C + Ctrl V
retirado do boletim da AGÊNCIA FAPESP

recebido por e-mail.

História de sobreviventes

30/10/2009

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Ao analisar documentos emitidos pelas missões diplomáticas sediadas no exterior entre 1933 e 1950 percebe-se a postura do governo brasileiro diante do antissemitismo e da perseguição aos judeus na Alemanha nazista e nos países colaboracionistas. Ofícios e relatórios secretos dão uma dimensão dos bastidores da política brasileira no período, como aponta pesquisa coordenada pela historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro, professora do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP).

Milhares desses documentos estão disponíveis na internet desde 17 de outubro, no portal Arquivo Virtual sobre Holocausto e Antissemitismo (Arqshoah), projeto do Laboratório de Estudos de Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER) do Departamento de História da FFLCH.

Na base de dados, documentos oficiais podem ser cruzados com passaportes, fotografias, passagens e relatos de sobreviventes, permitindo reconstituir o cotidiano de algumas cidades europeias, como Berlim, Viena e Varsóvia, em um momento em que os judeus eram expulsos, presos ou exterminados. Todo esse acervo documental pode ser consultado livremente por pesquisadores, professores e pelo público em geral.

O projeto, intitulado “Arquivo virtual sobre Holocausto e antissemitismo: o Brasil diante do Holocausto e dos judeus refugiados do nazifascismo em 1933-1945”, tem apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular. Tucci Carneiro também coordena o Projeto Temático “Arquivos da repressão e da resistência. História e memória. Mapeamento e análise da documentação do Deops/SP e Deip/SP”, apoiado pela Fundação.

De acordo com a coordenadora, cerca de 10 mil cópias dos documentos originais foram reunidas durante sua pesquisa de doutorado sobre o antissemitismo na Era Vargas (1930 a 1945), concluída em 1987 e publicada pela Editora Perspectiva. A coleta dessa documentação teve continuidade na investigação para sua tese de livre-docência, defendida em 2001 – “Cidadão do mundo – O Brasil diante da questão dos judeus refugiados do nazifascismo (1933-1950)”.

“Grande parte são documentos secretos confidenciais produzidos durante a época de Getúlio Vargas e o período do pós-guerra. Tendo em vista o volume e a riqueza dessas fontes, muitas das quais ainda inéditas, resolvi disponibilizá-las da melhor forma possível por meio de um arquivo virtual. Dessa forma, novos projetos de pesquisa podem ser elaborados ,contribuindo para a construção de novos conhecimentos sobre a história do Holocausto e do Brasil contemporâneo”, disse à Agência FAPESP.

Foram necessários dois anos para selecionar, classificar e digitalizar uma parte significativa do acervo da historiadora, que, somente sobre esse tema, reúne 10 mil documentos que estão sendo identificados pela equipe técnica.

“A maioria dos documentos foi reproduzida do Arquivo Histórico do Itamaraty, que nos autorizou a publicar na internet. Importante ressaltar que esses documentos estão disponíveis para consulta pública no Rio de Janeiro desde 1995. Devemos levar mais dois anos para digitalizar o restante, sem contar com novos documentos cedidos por sobreviventes e de outras bases, como o Arquivo Nacional do Rio de Janeiro”, explicou.

Os documentos fornecidos pelo Itamaraty revelam, segundo Tucci Carneiro, as “decisões diplomáticas articuladas nos bastidores, a postura do governo brasileiro diante do genocídio praticado pela Alemanha nazista e os desdobramentos políticos na Europa durante a Segunda Guerra Mundial”.

“O governo brasileiro se tornou, indiretamente, colaboracionista. Fechou as portas, negando vistos de entrada aos judeus que procuravam fugir da Alemanha e dos países invadidos por Adolf Hitler”, apontou. Apesar de a política emigratória no país estar identificada com a postura intolerante da Alemanha, a posição pública do governo brasileiro era ambígua em relação ao Holocausto e à Segunda Guerra Mundial, disse a cientista.

“O governo se posicionava como solidário à política de salvamento aos judeus refugiados articulada pelos países líderes na Liga das Nações, dentre os quais estavam os Estados Unidos e a Grã-Bretanha. Em vários momentos, o Brasil comprometeu-se a fornecer, por mês, 3 mil vistos de entrada para esses refugiados, mas, na prática, o que se via era o oposto”, disse.

Segundo ela, essa postura foi mais sistemática de 1937 a 1945, endossada primeiro pelo Itamaraty e, depois, pelo Ministério da Justiça. “É como uma orquestra em que se somam ações intolerantes por parte de vários ministérios, que apregoavam o cumprimento das regras impostas por circulares secretas. Circulares que obstruíam o salvamento de milhares de judeus, centenas de ciganos e dissidentes políticos do nacional-socialismo. Essa é uma dívida que o Brasil tem para com o povo judeu e outras minorias tratadas como ‘raças indesejáveis’”, afirmou.

Esse é o conteúdo de grande parte dos documentos disponíveis no site, como, por exemplo, ofícios e circulares secretas antissemitas classificados na época como secretos pelo Ministério das Relações Exteriores e pelo Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Nesses registros – muitos dos quais são assinados por importante ministros, como Oswaldo Aranha, Gustavo Capanema, Francisco Campos e Raul Fernandes, e por diplomatas brasileiros em missão na Europa – fica evidente a recomendação de dificultar a entrada de judeus no país.

De acordo com a historiadora, ajudar judeus era visto como “um ato contra a nação”. Mas, durante a guerra, alguns raros nomes se sobressaíram como sinônimo de indignação e coragem.

“Foi o caso do embaixador brasileiro em Paris, Luiz Martins Souza Dantas, e de uma funcionária do consulado em Hamburgo, Aracy Moebius de Carvalho, mais tarde esposa do escritor Guimarães Rosa. Tanto Aracy, conhecida como ‘o anjo de Hamburgo’, como Souza Dantas desobedeceram às ordens do governo Vargas e liberaram centenas de vistos de judeus para o Brasil”, contou.

Ferramenta pedagógica

No portal, além de documentos oficiais, os usuários podem consultar um inventário de judeus refugiados no Brasil com dados e correspondências pessoais, fotografias, passagens de navio e bibliografia sobre o tema. Essas informações encontram-se distribuídas em vários links: “Arquivo”, “Justos & Salvadores”, “Periódicos”, “Artistas & Intelectuais”, “Rotas de fuga”, “Testemunhos” e uma “Biblioteca Virtual” com livros de memórias. O site também será alimentado com novos relatos, a partir do link “Indique um sobrevivente”.

O objetivo é disponibilizar histórias e memórias dos sobreviventes de campos de concentração e refugiados do nazifascismo radicados no Brasil até 1960, considerando o árduo e longo processo daqueles que procuraram naturalizar-se brasileiros.

Segundo Tucci Carneiro, a partir de 1950 o Itamaraty adotou uma postura mais liberal, após a divugação das atrocidades praticadas pelos nazistas e da resolução da Organização das Nações Unidas que definiu genocídio como crime contra a Humanidade.

A diplomacia deixou de, por exemplo, usar o termo “raça semita” e as circulares secretas antissemitas caíram no limbo da história. “Houve um esvaziamento da política antissemita enquanto instrumento do Estado, mas nem por isso o antissemitismo deixou de existir alimentado por grupos da extrema direita e da esquerda. Daí a importância do Arqshoah neste momento em que diferentes vozes negam o Holocausto”, disse.

Além de “arquivo-testemunho”, o Arqshoah pretende também ser uma ferramenta pedagógica importante para professores e alunos do ensino fundamental, médio e universitário. Segundo a professora da USP, tanto o Holocausto como o antissemitismo raramente são analisados nos livros didáticos e, quando aparecem, entram como adendo da Segunda Guerra Mundial.

“Normalmente, quando os professores falam sobre a guerra ou sobre a Alemanha nazista têm poucas informações sobre esse contexto. A ideia é romper o silêncio e promover o debate sobre o Holocausto enquanto genocídio singular e crime contra a humanidade”, disse a pioneira nos estudos sobre o antissemitismo na Era Vargas, título do seu livro publicado em 1988.

Memória oral

Além do acervo digitalizado, o portal Arqshoah terá arquivos de áudio e vídeo. Até o momento foram gravados mais de 30 depoimentos com sobreviventes ou seus filhos.

“Alguns dos entrevistados haviam gravado depoimentos para a Survivors of the Shoah Visual History Foundation (Fundação dos Sobreviventes da História Visual do Shoah), fundada em 1994 pelo cineasta norte-americano Steven Spielberg, cujas cópias procuramos recuperar. Novos registros estão sendo gravados sob um outro olhar, sendo esse mais um segmento coordenado pelo professor Pedro Ortiz e pela historiadora Rachel Mizrahi, ambos pesquisadores do LEER”, disse Tucci Carneiro.

“Vamos também tornar públicos os processos de naturalização dos judeus que entraram no Brasil de 1933 a 1950, documentos sob a guarda do Arquivo Nacional e que vão inaugurar a segunda fase do projeto, em 2010. Segundo a legislação brasileira, somente após dez anos os estrangeiros poderiam se naturalizar brasileiros. A partir do passaporte anexado ao processo é possível identificar o diplomata que emitiu o visto e a estratégia de entrada no Brasil, burlando as circulares antissemitas. Além disso, a naturalização exige atestados de trabalhos e, no caso dos intelectuais, eles anexavam também artigos e livros para mostrar sua produção, como ocorreu com o crítico e historiador de arte Otto Maria Carpeaux”, contou.

A difícil trajetória daqueles que conseguiram entrar no Brasil (com documentos falsos ou como católicos) pode ser conhecida através de alguns links, dentre os quais o do “Inventário de Sobreviventes” e “Artistas & Intelectuais”. “Pode também ser vislumbrado um conjunto de obras do pintor Lasar Segall, que entre 1936 e 1947 denunciou a a brutalidade praticada pelos nazistas contra os judeus”, disse Tucci Carneiro.

Mais informações: www.arqshoah.com.br ou arqshoah@usp.br.

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