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29 de maio de 2008

Sicko

Venho aqui hoje fazer uma recomendação: S.O.S saúde (Sicko) de Michael Moore. É mais um documentário polêmico deste diretor. Trata-se de uma investida atroz de Moore sobre o sistema de saúde norte-americano, que é, atualmente, baseado na atuação de instituições privadas.

Quando ouvi falar desse filme, a primeira coisa que me veio a mente foi: o que me interessa ver alguém criticando o sistema de saúde norte-americano, se o nosso, no Brasil, é infinitamente pior? Será que posso me surpreender com algum problema que venham enfrentando na sede imperial? O que me motivou a assistir foi o pequeno revolucionário que existe dentro de mim, que é extremamente anti-americano! :^)

De fato, nosso sistema de saúde é péssimo. Nojento. Eu mesmo não tenho plano de saúde, e ainda que tivesse, não acho que estaria certo de que iria sobreviver caso necessitasse muito de auxílio médico. Por que penso isso? Devido ao que o novo filme de Moore me ajudou a ver: a indústria dos seguros saúde. Sim, nos EUA, 250 milhões de cidadãos estão cobertos por algum plano de saúde, mas Moore constrói o documentário recheando-o de casos que tentam comprovar sua tese de que as empresas que gerenciam estes seguros fazem de tudo (tudo mesmo!) para não pagar intervenções médicas mais caras ou tratamentos experimentais.

É interessantíssima a forma como Moore montou seu documentário, mas nada surpreendente, visto seus outros filmes. Ele nos leva a uma viagem profunda na sociedade estadunidense, mostrando-nos as contradições da terra da liberdade. O filme desconstrói a idéia anti-estatal que os americanos têm da gestão da saúde por meio de exemplos de outros países onde o sistema é público e gerido pelo Estado, como a Inglaterra, Canadá, França e Cuba. Nessa viagem, são feitas constatações bastante instigantes da relação entre a privatização dos sistemas de educação superior e saúde, no sentido que, quanto mais as pessoas contraíssem dívidas, fossem menos educadas e menos saudáveis, mais facilmente seriam controladas. Isso é argumentado de uma maneira bem inteligente pelo diretor.

Outra característica de Moore é seu bom humor: até ao abordar um assunto dramático a esse ponto – mostrando diversos casos de pessoas que morreram por falta de assistência dos seus planos de saúdeele consegue ser muito engraçado! Não engraçado de rolar de rir, claro, mas pela sua acidez mórbida e ironia que, juntas, beiram o mau gosto, mas que, no fim, o deixam mais intrigado e ansioso para saber o desfecho.

Não é novidade que Moore é um ferrenho crítico das forças político-econômicas que governam os EUA e um dos poucos personagens públicos que podem ser identificados como de esquerda naquele país. Por isso, como em tudo, não devemos ver o documentário e levantar suas bandeiras ou acreditar em tudo o que ali é dito. Eu, por exemplo, fiquei com sérias dúvidas quanto ao tamanho das desgraças do sistema de saúde norte-americano. Não acredito que o problema seja tão grande assim e, ideologias a parte, tenho certeza de que as coisas funcionam melhor nos EUA do que em Cubaum dos exemplos utilizados por Moore em contraposição do modelo americano. Isso mostra somente que o filme é feito para provar o ponto de vista do autor e não para ser imparcial e justo. Moore claramente não gosta do sistema de saúde de seu país, acha pornográficos os lucros das corporações que administram esses fundos, e desumano o tratamento que seus segurados recebem (quando recebem). É isso que se verá no documentário.

Vale a pena conferir esse excelente documentário. Talvez pela pouca expectativa que depositei antes de assistir, esse foi o melhor filme de Michael Moore na minha opinião.

Clique aqui para baixar o torrent do o filme e aqui para a legenda. Divirtam-se!

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