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15 de outubro de 2009

MENINOS EU VI: BASTARDOS INGLÓRIOS


Faz tempo que não vou a uma sessão de cinema e vejo uma platéia se empolgar tanto com um filme. Pois é, o aclamado Quentin Tarantino de pérolas cinematográficas como Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992), Pulp Fiction (1994), Jack Brown (1997) e Kill Bill v.1 e 2. (2003/2004) se superou com sua mais nova produção BASTARDOS INGLÓRIOS (2009).

É um filme de Tarantino (isso é obvio), com referências a muitas outras coisas que já realizou em suas obras anteriores (não conto agora para não dar spoiler), mas é O filme de Tarantino. Não espere fidelidade a história da segunda guerra mundial que já foi contada e recontada muitas e de diferentes formas no cinema.

Em Bastardos Inglórios o diretor toma a liberdade de criar uma versão própria, uma “Vendeta da Guerra”, um Western (o popular bang-bang, só que refinado), com muitas línguas e culturas que se chocam, interpõe, harmonizam e criam um mundo próprio, conflituoso, inumano, aético e extremamente violento.

Assim como em cães de aluguel, um grupo seleto é reunido para a realização de uma missão especial – exterminar nazistas. São heróis e anti-heróis ao mesmo tempo, assim como também os são alguns soldados que lutaram do lado nazista.

São duas oposições claras entre os americanos e os nazistas que se focam nos personagens Hans Landa (Christoph Waltz – ator genial) e Aldo Raine (Brad Pitt – em seu melhor papel depois de Tyler Durden de O Clube da luta). Landa é um detetive, intelectual meticuloso, resultado de anos de amadurecimento do discurso técnico-científico (iluminista) e da racionalidade alemã, enquanto Raine com seu sotaque sulista extremamente carregado é um ex-contrabandista que domina a arte da guerra e evoca as tradições hibridas do novo mundo, que reúnem práticas indígenas relidas e o pragmatismo norte-americano.

Se em Plano Perfeito (Inside Man, 2006) de Spike Lee a vingança contra os crimes de guerra é realizada de maneira simbólica e as marcas do passado são guardadas em cofres e uma espécie de restituição é feita ou se dá como um ato do anjo da história do filosofo alemão Walter Benjamin, no filme de Tarantino ela (a vingança) é implacável, carnívora e sua marca é deixada na testa, para não ser esquecida ou disfarçada.

Não há chance para uma queda solitária e esquizofrênica em um banker (veja o filme A Queda), a vitória é conquistada num alegórico inferno cinematográfico onde anjos e demônios se encaram frente a frente e desferem rajadas de metralhadoras na face.

Veja o trailer logo a seguir e confira a crítica emocionada de Mauricio Saldanha no seu genial CABINE CELULAR.

TRAILER – BASTARDOS INGLÓRIOS

FICO POR AQUI – “EU SOU A FACE JUDIA DA VINGANÇA”

Um comentário:

  1. Muito bom o texto, você me fez ter vontade de ver o filme.
    beijos

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