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1 de setembro de 2022

STAR WARS RPG

*ESTE TEXTO FOI PÚBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ NO ANO DE 2005. ELE NÃO SOFREU ATUALIZAÇÕES, APENAS COLOQUEI A HISTÓRIA RESUMIDA NO FINAL

Como ainda não deu para escrever a segunda parte do primeiro capítulo da Espaço Aberto, decidi publicar uma história que fiz para uma personagem de RPG de Star Wars.
Depois que me formei na faculdade perdi o contato com muitos amigos, pois cada um foi para um canto, alguns casaram outros voltaram para casa dos pais e teve aqueles que nem sabemos onde foram parar. No entanto, eu e mais um amigo tentamos jogar uma aventura de rpg via orkut, ele criou uma comunidade (
Star Wars – RPG), criamos os perfis e começamos a jogar, porém o jogo não avançou muito. O principal motivo foi falta de tempo, especialmente do moderador, e muitos dos amigos que jogaram conosco durante a faculdade não se animaram com a idéia.
Na época em que o Bueno me fez o convite pessoalmente para esse jogo me empolguei muito e até escrevi uma história para o personagem (6 páginas em Arial 9). Essa narrativa cobre os momentos anteriores ao início da aventura.
Decidi publicá-la na tentativa de manter o blog sempre atualizado. Escrevi isso faz quase dois anos.
Quem tem orkut pode acompanhar como se desdobrou a história de Yashïmar nos tópicos da
Comunidade, a aventura começou no tópico Coruscant.
Espero que gostem.
Comentários serão sempre bem vindos. FICO POR AQUI



Descrição do Personagem

Nome:Yashïmar Fett
Altura:1.83 meters
Raça:Clone Mandaloriano (Jango Fett)
Ex-afiliação:Republic Clone Troopers
Posto:Comandante
Ex-associação:Senate Guards Clone commandos: Jedis Hunters


Prelúdio

Darth Sidious: — Você não se chama mais Anakin, a partir de agora você é Darth Vader, levante-se.

A ordem

O protocolo de comunicação de todo o exército da república foi alterado, todos os comunicadores entraram na mesma frequência. Um holograma com a imagem de Darth Sidious passou a ser veiculado para as forças armadas da República, e uma ordem foi dada. Todas as divisões dos Clone Troopers (seatroopers, snowtroopers, spacetroopers, oficiais, etc.) receberam o comando. Era hora. O programa escondido nos clones foi ativado. O exército de Clones que garantiu até o momento, com a ajuda dos Jedis, a sobrevivência da República contra as forças comandadas pelo General Greivious voltou suas armas contra os, agora inimigos da República, cavaleiros Jedis. Por todas as partes da Galáxia os cavaleiros caiam. Lutando contra batalhões inteiros, vitimas de emboscadas, dentro de cockpits de naves, eles lutavam e caiam bravamente. Era o início.

Coruscant – capital da República

O cerco se fechava em torno do Templo Jedi, ninguém podia sair nem entrar. Cavaleiros jedis que tentavam sair do interior do templo pelas saídas conhecidas encontravam invariavelmente a morte, um conflito generalizado se espalhava pela magnífica capital da República. Uma tropa de elite protegia o senado até que uma nova ordem foi dada por Lord Sidious.

Darth Sidiuos: — Comandante.
Clone trooper: — Sim, Senhor.
— Instruções J-4.9.5. Reúna o seu comando e acompanhe meu novo pupilo Lord Vader ao Templo Jedi.
— Sim, senhor.
— Siga as indicações deste mapa e traga a mim este objeto.
— Entendido meu Lord.

O comandante passou pelos comunicadores a nova ordem. Imediatamente o novo comando especial se reuniu, os soldados mais bem preparados tecnicamente e com melhorias genéticas sabiam exatamente sua tarefa, pois seu programa genético já os havia preparado para isso. Eram 30 comandantes dos Clone Troopers que durante os últimos acontecimentos ficaram com seus comandados em Coruscant. Esperando a hora.
Darth Vader caminhava em silêncio, o ódio e o poder eram tamanhos que por onde o novo Lord Sith caminhava tudo silenciava. O comando especial o aguardava.

— Ao seu comando Lord Vader.
Vader apenas olha para o Clone trooper.
Comandante: — Jedis Hunters em frente. Tudo que se mexer dentro do templo Jedi atirem para matar.
Era o início da queda.

A queda

“Clone trooper training stressed complete indoctrination in the tenets of the New Order, and individuals would obey their officers without question, without regard to the rights of others or even to their own safety. Clone troopers abandoned individuality in exchange for their loyalty.”


Assim que Darth Vader entrou no templo o comando também o fez. Logo na entrada um jovem padwan, da idade de Vader, os aguardava com seu sabre de luz em punho – em desespero. Vader passou por ele direto, o aprendiz de cavaleiro nem se mexeu, o lado negro da força que fluía como uma grande catarata pelo Sith o paralisou, segundos depois um disparo de uma blaster pistol o atingiria no peito. Um pouco a frente, três cavaleiros Jedis partiram para cima de Vader, dois caíram rapidamente.
O primeiro, um Moon Calamari, teve suas mãos decepadas com um único movimento do sabre de Vader, caído ao chão recebeu tantos disparos que seu corpo entrou em chamas. O segundo, um humanóide, ofereceu uma certa resistência, mas uma thermal detonator, lançada por um dos soldados, explodiu em sua face, assim que Vader o afastou usando a Força. O último cavaleiro era um velho Jedi que ajudava os aprendizes a perceber e a manipular a força nos níveis iniciais. Há muito não empunhava um sabre de luz em combate. O velho bravamente sacou seu sabre de luz e usou a força para atrair outro sabre para sua mão mecânica. Darth Vader lembrou-se dele, o velho havia feito uma recriminação a ele perante os outros padwans quando mostrara que já conhecia alguns atalhos da Força. O ódio aumentou, o solo em volta de Vader tremia. Angústia. Fúria. O velho resistiu aos três primeiros golpes de Vader e desviara alguns disparos, percebendo que a derrota seria iminente, juntou os dois sabres por suas partes traseiras e formou uma nova arma – uma lança, usada quase que exclusivamente por guerreiros Sith. Vader percebeu que a luta estava apenas começando e que aquele velho escondia muitos segredos por detrás daquela dócil aparência.

— Soldados, cumpram seu dever. Sigam as instruções do Dark Lord of the Siths. O objeto é muito importante aos nossos propósitos.
— Sim meu Senhor, a suas ordens.

O som das armas se tocando ainda dava para ser ouvido quando os soldados chagavam ao fim de um estreito corredor as costas do velho. Vader seguia sozinho, e sozinho continuaria até que o último Jedi fosse morto dentro do templo.
Passado o corredor um grande salão decorado com gravura de grandes batalhas vencidas pelos Jedis, ostentavam a vitória da Luz sobre a Sombra. O maior deles, localizado na parede ao lado direito dos soldados trazia a imagem de um cavaleiro do lado claro da Força e em suas costas, como que representado o passado, uma seqüência de sua travessia pelo lado escuro da força acompanhada por dor, perda, sofrimento, angustia e fracasso. O cavaleiro Jedi – num passado remoto – tinha sido um grande Lord Sith e encontrara o verdadeiro caminho da força quando se converteu em Jedi. Admirando este quadro um humanóide com vestes jedi e com a cabeça coberta, de costas para os soldados. Ao seu lado surgiu uma figura brilhante, uma espécie de fantasma com aparência humana, cabelos e barba longa, rosto marcante e vestindo um manto jedi. O fantasma caminhou na direção dos soldados que dispararam inutilmente em sua direção. Ele parou diante do comando que já se postara na defensiva instintivamente. Fitando todos os soldados ele fixou o olhar por poucos segundos sobre um deles e sorriu, em seguida desapareceu. Algo estava por vir.
O homem que admirava o quadro já não estava mais sozinho, ao seu lado havia quatro cavaleiros Jedi. O comandante dos Clone troopers ordenou os disparos. Todos desviados pelos sabres de Luz. Novamente o comandante deu uma ordem, porém, essa nova ordem não foi de disparo. Silenciosamente os soldados começaram a trocar de posição, o grupo de 30 passou a se dividir em pequenos grupos de 5 troopers. O primeiro deles seguiu em direção aos jedis, outros dois se posicionaram na retaguarda, os três restantes escalaram as marquises que contornavam o grande salão.
Os jedis rebatiam os tiros, contudo, o ângulo que esses soldados disparavam impedia que os cavaleiros os rebatessem em sua direção. Rapidamente os soldados posicionados nas marquises miravam e disparavam na direção de pontos vitais incessantemente. Ocupados desviando de tantos disparos, o raio de ação dos cavaleiros ia se reduzindo cada vez mais, até que eles perceberam que os disparos cessaram de uma vez só e os troopers recuaram e se atiraram ao chão. Os dois grupos da retaguarda montaram as pequenas peças de artilharia, e uma pequena dezena de diminutos mísseis foi lançada na direção dos jedis, ao mesmo tempo em que os soldados detonavam as marquises sobre as suas cabeças.
A explosão abriu um enorme buraco na parede, onde antes se localizava o quadro com a imagem do grande Jedi que outrora tinha sido um grande Sith. Quanto aos 4 cavaleiros não restava nenhum sinal.

— Comandante, nenhum sinal dos Jedis.
— Grupos 2, 5 e 6 vasculhem a área.
— Sim senhor.

Minutos depois
— Comandante
— Sim líder 2.
— Nenhum sinal dos jedis nas salas adjacentes.
— Entendido líder 2.
— Grupo 3, siga na frente pela passagem.
— As suas ordens comandante.
— Os outros sigam logo atrás.

A buraco aberto pela explosão revelava uma parte do corredor que os levaria ao objetivo da missão. Nenhuma surpresa entre a travessias de corredores, decida de escadas, entrada em túneis. A estratégia de invasão era perfeita, os soldados se posicionavam de tal maneira que dificilmente o comando seria pego de surpresa. Provavelmente estes eram clones que mais se assemelhavam a sua matriz genética, a sua habilidade de enfrentar Jedis era algo impressionante, como se há muito houvessem aprendido maneiras de derrotar cavaleiros da força. Afinal, em última instância, eram Mandalorianos. No caso desses soldados o treinamento secreto que receberam e que estava guardado em algum lugar do seu subconsciente os fizeram ser provavelmente um dos esquadrões mais bem preparados para a queda dos jedis. Além destes 30 troopers que se encontravam em caminhos secretos do Templo Jedi, guiando-se por mapas fornecidos por Darth Sidious, havia mais 100 soldados de sua safra espalhados por diversos pontos da galáxia. O mapa que os orientava era cem por cento exato. Logo chegaram a uma grande porta que ostentava o símbolo da academia Jedi. Por detrás desta porta localizava-se o primeiro templo jedi em Coruscant, erguido em uma época na qual a força não buscava equilibro e muitos jedis e siths circulavam e lutavam pela galáxia distante. O objeto que buscavam deveria estar por trás desta porta, no salão principal do templo.
O líder 2 conectou cabos a sua armadura e também a uma pequena fechadura localizada a direita da porta. Instantes depois a porta se abria. Uma forte luz emanava e inundava o local conforme a porta ia se abrindo, um estranho calor tomava os corpos por debaixo das armaduras. Os filtros de luz foram ativados automaticamente nos capacetes e eles puderam ver que a porta dava para um salão grande, muito maior do que indicado pelo mapa e com as medidas desproporcionais para o local em que estava embutido.

— Soldados. Entrem com cautela. Formação Defensiva.
Enquanto isso, na parte conhecida do templo o sabre de Vader decepava a cabeça do último padwan. Não havia mais lugar para cair.


O encontro

A medida que os soldados adentravam o templo a impressão que tinham era de que esta sala era ainda maior. Adornavam as paredes estatuas de antigos jedis que traziam em suas bases a inscrição dos princípios dos cavaleiros Jedis. Eram estatuas grandes e pareciam sustentar toda a estrutura deste templo.
As estatuas pareciam observar cada movimento, respiração, batimento cardíaco dos Clone troopers. O silêncio reinava; a sensação de um calor reconfortante aumentava cada vez mais na medida em que eles exploravam as profundezas daquele lugar que, aparentemente, não tinha saída. Era completamente fechado e a única maneira de deixá-la era por onde haviam entrado. O lugar não era claro, nem escuro, não havia pontos de iluminação, mas havia luz por toda parte.
Ao final da grande sala havia um ponto que parecia emanar luz, e sob este ponto um pedestal de madeira e ouro. Sobre este pedestal um pequeno cubo que poderia ser segurado com apenas uma das mãos, ele era negro como a solidão do vácuo do espaço, sem brilho, sem desenhos, sem aberturas, com a superfície completamente lisa sem nenhuma ondulação – mesmo em níveis imperceptíveis. O cubo possuía uma superfície perfeita.
Os soldados pararam. O Comandante deu a ordem.

— Soldados encontramos o objeto da missão. Separem-se em grupos e verifiquem todo o lugar. Líder 2 me acompanhe.
— Sim senhor. Grupo 2, proteja a retaguarda.
— Sim senhor.

Os dois troopers se aproximaram do pedestal. O Líder 2 verificava o pedestal com alguns medidores de radiação e tentava descobrir se não havia nenhum mecanismo secreto que faria algo explodir quando o cubo fosse tocado.

— Comandante, tudo limpo.
— Ok. Retire o objeto e o entregue a mim.
— Sim senhor

O Líder 2 pegou o pequeno cubo com ambas as mãos e o colocou imediatamente na direção do seu comandante. Uma sensação estranha passou pela cabeça deste clone trooper. Um sorriso cintilante veio a sua mente. Pela primeira vez sua mente se desconcentrou por um misero instante da tarefa em toda sua existência.

— Líder 2, o artefato.
— Aqui senhor.

Antes que o líder 2 entregasse o artefato um som veio do outro lado, a porta estava se fechando. A frente da porta estava um homem todo de preto, com o rosto escondido por baixo do capuz do manto.

— Identifique-se.

O homem manteve-se em silêncio, o único som que ecoou pelo salão foi a de seu sabre de luz de cor púrpura sendo ativado. Segui-se o ataque dos Clone Troopers, o primeiro grupo atacou, mas agora os disparos que impossibilitavam o contra golpe não estavam funcionando, soldados iam ao chão, cinco deles em poucos movimentos.

— Soldados reagrupar.

O misterioso cavaleiro permaneceu imóvel enquanto os soldados reagrupavam e se preparavam para flanqueá-lo. Assim o fizeram sem reação de seu oponente, parecia que o inimigo já sabia a próxima ação dos seus adversários. A única coisa que conseguiram foi que ele se move um pouco para frente para que ficasse cercado. Os Clone troopers estavam posicionados e protegidos por colunas e pequenas estatuetas que se encontravam espalhadas aleatoriamente pelo templo. Aparentemente estavam com o domínio da situação. O primeiro disparo foi feito, seguido pelo lançamento preciso de algumas thermal detonators. Com poucos movimentos de seu sabre e de corpo o cavaleiro desviava tiros e devolvia as bombas e seguia na direção de um grupo de soldados. Em poucos instantes algumas partes dos corpos dos soldados eram arremessados com o poder da força contra outros troopers. Era impressionante a facilidade encontrada pelo guerreiro de rosto encoberto para derrotar estes poderosos soldados.

— Tenham cautela soldados — Foi a última instrução do Comandante.

Restavam 15 Clone Troopers. A batalha seguia rapidamente, em poucos instantes estratégias diferentes foram adotadas para derrotar tão poderoso adversário, em vão. Os troopers continuavam caindo, um a um. Em uma tentativa final deste comando o Líder 2, agora líder dos Jedis Hunters, conseguiu ficar em vantagem frente a frente com o cavaleiro, seu olhar se cruzou rapidamente com o do cavaleiro. A cor púrpura de seus olhos foi a única e última coisa que conseguiu ver antes de ser arremessado com violência para trás.
(Thermal Detonator)

Sonhos

Dor.
Ao abrir os olhos não sabia exatamente onde estava, nem sabia o que era. Estava mergulhado em um liquido quente dentro de um tubo. Lembrava-me vagamente de ser esse o terceiro tubo no qual havia sido colocado em pouco tempo. Também me parecia que a cada vez que era mergulhado minhas mãos pareciam ter envelhecido, assim como todo o resto do meu corpo. Porém, eu sabia que não era para estar acordado naquele momento, algo estava errado.
Dor.
Fui retirado do tubo e submetido ao longo e árduo treinamento. Os exercícios eram repetidos uma única vez e nunca mais saíam de minha cabeça, como se fossem feitos apenas para me lembrar do que havia apreendido em algum momento.
Dor.
Seres altos, esguios e de pele acinzentada me acompanhavam com seus olhos e eletrodos a todo o instante. Não sei, parece que havia algo errado comigo, ninguém sabia dizer o que era, nem eu mesmo, sempre me comportei como os outros, que por sinal eram idênticos a mim, em cada centímetro do corpo, em cada gesto e reação. Mas aqueles seres continuavam a injetar agulhas em meu corpo, e a cada nova injeção pensar se tornava cada vez mais difícil, só havia instinto, disciplina e hierarquia, nada mais. Uma frase: “Ordem 66: Imperial Stormtroopers don’t die... They can only go to hell and regroup.”
Frio. Muito Frio.
Tudo é cercado de neve, esse planeta é inóspito, não acredito como estou conseguindo enxergar alguma coisa com tanta neve por aqui. Estou me lembrando de algo...
...
Criatura maldita, bem que me avisaram que esse negócio de ir atrás do passado remoto ia ser perigoso demais, droga...
Calor. Muito Calor.
O prédio inteiro está ruindo, aqueles dois lutando sobre dutos com sabres de luz, espere, acho que conheço esses dois guerreiros, eles já foram mestre e aprendiz. Mas não são...
...
Tarde demais. O aprendiz se tornou mestre e o antigo mestre, agora velho, se tornou um fantasma.
Fantasma. Sorriso.
Dor. Muita dor.
Preso com cabos a uma mesa, agulhas espetando meu corpo inteiro. E uma pergunta sendo feita, sem resposta... não responderei nem mesmo para ele.
Felicidade.
Era um quarto escuro, sujo e sons de disparos podiam ser ouvido a poucos metros dali. Nada disso me importava, ela passava as suas mãos em meu longo cabelo enquanto uma sensação que nunca havia sentido antes dominava meu corpo.
...
Minhas cicatrizes já não a incomodam mais, ela apenas sorria.
Medo.
Nunca havia sentido isso antes, mesmo aquela vez em que fui capturado e obrigado a servir novamente, mas foi por pouco tempo. Mas agora estou realmente com muito medo parece que ele está logo ali, depois daquela esquina, odeio esta cidade.
Compreensão.
Posso ver e entender claramente o que essa mulher está fazendo, ela é uma Jedi e enquanto ela ora os pilotos e soldados ganham mais força no combate, parece que o Dark Lord of The Sith está condenado ao fracasso, ao menos por enquanto.
Descoberta. Amor. Dor.
Acabamos de escapar, ela me resgatou do interior da nave imperial. Ela me perguntou quem eu era. Eu nunca soube. Pergunte aquele homem postado diante do templo Jedi, ele vai te apontar um caminho e você se lembrará daquilo que ainda vai aprender. Mas agora querido Yashïmar acorde.
Sweet Dreams. Sweet.
Acorde. Acorde. O tempo se esgota.

A fuga

“Levante-se”
Ao abrir os olhos o soldado vê os corpos dos Clone troopers amontoados próximos a porta, não havia sobrado ninguém, e o salão parecia estar limpo e reorganizado, como se nenhuma batalha houvesse ocorrido ali. O misterioso cavaleiro de manto negro estava em pé a sua frente e lhe estendia a mão. Seu rosto estava descoberto, ele era branco, sem pelo algum no rosto e na cabeça e seus olhos eram púrpura e brilhavam levemente em tons de lilás e dourado. Ele era um homem muito poderoso, sua voz era estrondosa e sua presença preenchia todo o espaço e o tempo daquele lugar.
— Preste atenção Yashïmar, tem pouco tempo, logo este templo voltará a fazer parte do tempo e do espaço e não poderemos nos ver mais neste local, por isso, preste atenção.
Em silêncio Yashïmar parece compreender o que está ocorrendo e se dá conta de que não é mais apenas um clone e de que pela primeira vez em toda sua vida sonhou.
— Este objeto que agora está sob sua responsabilidade não pode cair em mãos erradas de maneira nenhuma. Você deve levá-lo a um planeta muito distante e lá aprenderá como usá-lo. Você tem um mundo de escolhas daqui para frente, o universo só lhe reservará dor e paz, as vezes os dois ao mesmo tempo. Em hipótese alguma ele pode cair nas mãos do
— Imperador... — disse Yashïmar.
— Isso mesmo, por enquanto.
— Eu não consigo me lembrar de muitas coisas, tudo está muito confuso para mim, não sei quem eu sou, se sonhei, se vivi, se não estou morto. Não me lembro como empunhar uma arma direito, e as palavras vão e voltam, parece que sei falar muitas línguas e ao mesmo tempo nenhuma. Me sinto forte e jovem ao mesmo tempo em que sinto que a vida se esgota a cada segundo.
— Calma Yashïmar, você acabou de nascer e tudo virá no momento certo, você não é igual aos outros soldados, apesar de ser idêntico a eles. Sua alma e coração guardam segredos que nem mesmo eu posso ver.
— Fett, meu nome é Yashïmar Fett.
— Não te disse que nos momentos certos as respostas aparecerão.
— mas...
— Calma... você deve seguir por aquela passagem e buscar ajuda, alguém especial te ajudará a sair deste planeta e te levar a um lugar onde você possa se organizar para ir até o planeta longínquo, que no momento adequado você saberá qual e como chegar. Alguns aliados se juntarão a você e inimigos te perseguirão.
Yashïmar começa a perceber que as grandiosas estatuas agora são apenas ruínas e tudo está escuro, apenas os pedaços dos corpos dos Clone Troopers estão empilhados no mesmo local. O grandioso salão agora parece mais uma pequena sala.
—Agora meu jovem você pode ir e lembre-se “que a força esteja com você e te sirva bem”
— Cavaleiro quem é você?
— Tudo em seu momento. Agora vá, siga aquela luz.
Uma luz emanava dos olhos de uma estátua caída ao chão, quebrada ao meio, e apontava para uma abertura na parede. Assim que Yashïmar atravessou a abertura ela começou a se fechar. O misterioso cavaleiro parecia ter sumido. Antes de seguir Yashïmar ouviu o barulho de um comunicador ser ativado, as vozes que ouviu a seguir eram extremamente familiares.

— Lorde, os soldados não cumpriram a sua missão, todos estão mortos e nenhum sinal do objeto.
— Não se preocupe com isso agora meu jovem aprendiz, temos outros problemas mais importantes para resolver no momento. Com o Templo derrotado e em nossas mãos Lord Vader teremos muito tempo para descobrir onde podemos encontrar esse e outros artefatos importantes.
— Vá Lorde Vader! temos muito a fazer.
— Sim senhor.

Fim do prelúdio

Capítulo 1 – Fuga de Coruscant

A passagem que Yashïmar atravessou o levou a um lugar distante do Templo Jedi.
Agora a sorte está lançada.


História resumida

Eu sou um clone e servia as forças republicanas como um clone troopper, contudo, recebemos uma ordem do chanceler Palpatine – Ordem 66 – e todos os Jedis se tornaram nossos alvos preferenciais. Recebi ordens para acompanhar Lorde Vader junto ao comando especial Jedis Hunters para invadir e destruir todos dentro do Templo Jedi em Coruscant. Além disso, fomos encarregados de resgatar um artefato em forma de cubo em uma sala secreta do templo. Derrotamos alguns jedis e nos separamos de Lorde Vader e fomos cumprir nosso objetivo. Encontramos a sala com ajuda de um mapa cedido por Darth Sidious, porém, nos deparamos com um misterioso e poderoso cavaleiro que derrotou todo meu comando e destravou minha consciência do programa implantado em todo Clone Troopper. Este mesmo cavaleiro me entregou o cubo que procurávamos, mas não vou entregá-lo a Palpatine vou levá-lo a um planeta longínquo e apreender a usá-lo como me aconselhou o guerreio. Antes preciso fazer algumas transformações em minha armadura e no meu visual.

7 de setembro de 2012

Tropeçando nas palavras - fragmentos




Boa madrugada, caros!

Tenho aqui em mãos um livro com páginas faltando, onde pode-se ler somente o título - esse que vai aí no post - e o autor, um tal de Fernando Alves Pe. Alguns textos parecem não concluídos; as páginas também estão embaralhadas.

No último fim de semana terminei de ler "A queda", de Albert Camus e revi "Into the Wild". Por isso, essa semana tem sido bem reflexiva. Sorte minha que topei com esses fragmentos e encontrei um que fala de projeções, de encontros e desencontros...
Não sei o motivo, mas lendo me lembrei de uma música do André Abujamra.

O texto vai em seguida:

Tropeçando nas palavras - fragmento


- Eu escrevi para você...
- Como você escreveu para mim??
- Olhei para você, estava bem ali, na minha frente. Olhei nos seus olhos e não pude resistir...
- Mas eu nunca te vi antes. Como pode ter feito isso?
- Não acredita?
- Não.
- Você estava bem ali, na minha frente, numa daquelas noites  em que o sono escorre pelo ralo, numa daquelas madrugadas em  que parece  que o Sandman caiu em alguma armadilha e que a gente nunca mais vai fechar os olhos...
- Ei, não dispersa. Não pode, você nunca me viu antes...
- Também nunca vi um átomo, nunca vi Deus, nem um monte de coisas ...
- Tô falando de coisas palpáveis...
- E existem coisas palpáveis? A gente sempre busca o palpável sem nunca alcançar. Desde o início dos tempos que estamos condenados ao meio do caminho. A gente parte buscando conhecer e acaba voltando modificado.  Ao final, a gente não é mais quem partiu, nem o que buscou. Estamos condenados ao meio do caminho minha cara! Estamos condenados à perdição. E a perdição - ah, a perdição! - pode ser algo doce. Me perderia muito bem ao teu lado...
- E você, o que busca?
- Nesse momento?
- Sim.
- Vou acabar essa cerveja, virar esse meio copo num gole só. Depois vou sentar desse seu lado da mesa, vou olhar nos seus olhos, colocar minha mão esquerda na sua nuca, por debaixo do seu cabelo, vou aproximar minha boca da sua e falar baixinho “eu escrevi pra você.”
- E se eu me levantar agora, virar as costas e ir embora te achando um louco? Pior, e se eu esperar você sentar do meu lado e derrubar acidentalmente a minha cerveja nesse seu jeans anos oitenta?
- De qualquer forma, já estou no meio do caminho - a sorte está lançada!  Minha vida sempre foi tropos. Afinal, é tarde demais, minha cara. Sempre foi tarde. Felizmente. E, felizmente, já me sentei ao seu lado sem que você se desse conta. Deus salve a cerveja e o meio do caminho!

Fernando Alves Pe

20 de agosto de 2012

Nara, Nasser e as borboletas congeladas

Boa madrugada, caros!

Estava aqui revendo uns textos antigos e tive vontade de compartilhar algo com vocês. Trata-se de um texto terminado em 2009, iniciado muito tempo antes - o nome que dei foi "Borboletas congeladas". Os personagens que estão neste trecho, a Nara e o Nasser, me fizeram companhia durante madrugadas e madrugadas seguidas. A Nara, principalmente, foi uma figura mais que inspiradora, que ainda me fascina. Sinto falta desse pessoal... o texto ainda está sendo enviado para publicação; a releitura deste trecho me fez ter vontade de revisitá-lo. 

Quase todo o texto foi escrito ao som de The Doors e Pedro Luís e a Parede, no álbum com Ney Matogrosso,  que me foi apresentado pelo César:



Dito isso, aí vão as linhas mal traçadas, fragmentos de um texto antigo:

Ela dançava feito o vento numa noite de outono em Macondo. Como os fantasmas livres das correntes de aço. Como os anjos em dia de festa. Mas não com a doçura e com a leveza dos anjos ... era um ser sobrenatural, capaz de enfeitiçar com o seu perfume. Não conseguia retirar seus olhos daquela figura. Estava ela como ele, com os pés sobre a proteção da ponte, talvez como ele prestes a se precipitar rumo à água escura como o destino. Teria sonhado também?
Trovões, relâmpagos. A chuva caiu dos céus enquanto ela permanecia impassível. Não sabia como agir ... pensou em correr, se esconder. Teve a dimensão da sua covardia. Temer a água que caia do céu no momento em que pretendia entregar-se a água turva do rio. Foi quando ela notou a sua presença. Olhou como quem não olhava. Abriu os braços num gesto incerto. Levantou a cabeça e suspirou em um gesto de prazer. Pulou para trás, para dentro da ponte. O coração de Nasser se acelerou. Virou-se para ela, enquanto se aproximava. Parou em frente a ele.
- pra que viver se você não pode sentir a chuva?
- o que?...
- a chuva ... sentir a chuva ... não vale a pena viver se a gente não pode sair por aí numa noite como essa, fazendo essas coisas ... do jeito que a gente tá fazendo agora...
Possuía olhos castanhos, como a enxurrada que parecia chamar o seu corpo lá em baixo.
- O que você tava fazendo aqui? Por que tava aí parado?
- pelo mesmo motivo que você ... a final, pra que viver se...
- se você não pode sentir a chuva – completou. Parecia que você estava procurando alguma coisa.
- como?
- não sei. Você tem olhos de quem procura alguma coisa. Você acha mesmo que vai encontrar olhando aí pra baixo. Aí só tem água e sujeira. Galhos, restos de entulho, talvez os sapatos de alguém levados pela enxurrada. A boneca esquecida por alguma menininha na calçada de casa, restos de comida, camisinhas usadas, nada além disso. Nada que possa preencher alguém. Eu acho.
Era incapaz de admitir os seus atos, as suas intenções. Ou então estava simplesmente perdido, frente aquela figura desconhecida. A saia florida, branca e rosa, molhada junto ao seu corpo ...  os seios insinuantes que teimavam em sobressair e se mostrar por debaixo do tecido fino, sem proteção. Mais que tudo, o seu olhar ... os olhos de quem sustentava a presença pela indiferença ... firmes, despreocupados, misteriosos ... traiçoeiros talvez, como a enxurrada. 

Paulo R. O. 

17 de maio de 2012

Os triângulos negros


por rdelton.


Lentamente ela se ajoelha e esfrega as mãos protegendo-as contra o frio, a culpa e o sofrimento. De súbito, sente a garganta arder e, por inércia, tosse duas vezes. Simula, em seguida, uma onomatopéia de dor aproveitando para cobrir melhor seu pescoço. Não era habitual tão baixa temperatura em uma nevada naquele lugar, mas aquela noite não era como as outras.

Havia frio, neve, umidade e sangue.

Uma sensação de desespero a possui ao observar o chão desde outra perspectiva. Um massacre de corpos mutilados e baleados rodeavam seus pés. Foi nesse momento que seu espírito fraquejou… Perdeu a autoridade sobre suas pernas ao ordenar que parassem de tremer. Uma avalanche de pertubações invadiu sua cabeça e a aflição terminou por convencê-la a voltar ao solo.

Então caiu.

Ainda embriagada pela dor e agonia suas pupilas dilatam, seu pulmão exige mais oxigênio e o estômago recusa seguir usufruindo do que não presta.

De repente passos.

Silêncio.

Os ruídos firmes e espaçados trazem a morte e o ódio consigo. Percebendo a iminente chegada dos verdugos se abstém de respirar, aparentando um defunto mais entre todos os outros ao redor. Logo, nota que o ar impregna agonia, danação e fedor a coturno.

Aos poucos segundos é inebriada pela pólvora recém queimada da Sturmgewehr 44 que passeiava cuspindo convites ao inferno com estabilidade atípica e pragmática contudência.

Houve euforia entre os cadáveres ao contacto com os disparos. A sinfonia que regiam os fuzis infudiam medo e era ensurdecedora. Já não sabia se o sangue que escorria pelo sua têmpora era seu ou alheio. Lhe apetecia que todo aquele pesadelo terminasse ali, que todos os gritos em homenagem ao Reich fossem cessados e que a melodia de suas ferramentas calasse em consequência.

Ao notar que a violência rejeitava o desejo, seu coração acelerou com a mesma intensidade das balas. Sabia que seria seu fim e já havia perdido a conta de quantos pedaços foram  decepados de seu corpo durante o festival de projéteis que ecoavam contra todos.

Foi quando girando sua cabeça, observou as faces de pavor empapadas de rubro pela chacina. Rostos de pânico e olhares perdidos de crianças e idosos estavam entre o assassínio… O eufemismo apelidado de Solução Final não licenciava clemência aos não-arianos.

Seu olhar concentra-se no céu por alguns instantes. Os flocos de neve caiam com uma coreografia magnífica louvando a beleza da Mãe-Natureza, e então ela sonha…

Sonha com um dia onde poderia ser livre e autónoma…

Sonha com o tempo em que o irascível seria útil e pacífico…

Quando a aversão daria protagonismo a tolerância… E quando os contrastes fossem transformados em príncipios.

Ela sonha… E sonhando com a vida e todo seu esplendor ela fecha os olhos aguardando o inevitável. E ensaia um suspiro ao relembrar a epístola que deixou como despedida;

Queridos meus,
Sinto minha alma cansada, apesar de saber que o que farão conosco me aliviará o espírito, expulsará a agonia e a fome de mim… E me matará em conclusão.

Amanhã pela noite seremos fuzilados por ser diferentes da sociedade ideal. Por gritar por liberdade e querer dar ouvidos aos moribundos. Por fazer escolhas sentimentais duvidosas ou por nascer no país errado… Pagaremos, por estar vivos, com uma morte cruel.


Amados, lembro-me ainda de seus conselhos e levarei todos em meu coração apesar de não ter dado ouvidos a nenhum deles. Não estou arrependida ou com medo, porém.


Tenho vontade de viver!


Quisera ser livre como o ar ou as folhas. Não direi como meus colegas fizeram, aos seus familiares, que está tudo bem.


Não é verdade!


Está tudo errado. E aqui, aonde estou, posso ver o distorcida que pode chegar a humanidade com seus interesses.


Quero que entendam bem isso… Eu quero viver! Nenhum sentimento é tão grande como o que eu tenho agora.


Sei que estareis comigo em minha última hora e também depois disso.


Com carinho,

As sensações intensificam e afloram fazendo-a entregar-se a mórbida realidade. Então ouve, baixinho, a palavra “Gnadenschuss” acompanhada de sossego e paz.

18 de julho de 2011


Num lampejo, enquanto olhava em seus olhos, pensou em café. Imaginou que a vida em muitos momentos se apresentava a ele como uma chícara de café, doce ou amarga, a depender da situação, da lua, da posição das estrelas do céu ou de algo que não conseguia definir. Muitos momentos poderiam ter a sua duração comparada com a de uma chícara de café quente, que permanecia em contato com os lábios por momentos fugazes e por fim terminava. Achou a comparação boba e decidiu que nunca a colocaria no papel.

O impressionava a maneira como ela correspondia ao seu olhar, como o sustentava durante minutos, enquanto permaneciam ali, parados, contemplando-se. Também se lembrou do livro na cabeceira de sua cama, onde os personagens teciam diálogos mentais solitários, projetando o que deveria ser dito, mas não era. Uma carta de intensões secreta, a qual nenhum dos lados possuia acesso; assim era o texto de Cristovão Tezza.

Com eles não era isso que acontecia. Havia sim um diálogo, uma conversa profunda, sem palavras, sem a necessidade de cordas vocais ou do mexer dos lábios. Diziam-se coisas que não verbalizavam. Talvez não existissem as palavras, ou talvez as guardassem...

Naquele mesmo fim de semana assistiria a um filme que lhe faria relembrar a situação: “Os olhos falam muito. É melhor que se calem; às vezes é melhor não olhar.”

Gostava do cinema argentino, pelo pouco que conhecia; mas a frase, apesar de remetê-lo aqueles momentos cujo gosto ainda carregava, não estava de acordo com o que o seu sentido mais profundo lhe dizia. Não se pouparia do olhar, queria ver e ser visto. Queria que ela buscasse ali, em suas órbitas castanhas como as dela, aquilo que carregava há tempos e que tentava lhe entregar como um livro de viagens que registrava os seus passos, desde o primeiro momento que se encontraram. Já fazia uma década. Mas uma vez, a vida como um chícara de café; rápida intensa, com um um sabor marcante ao paladar, podendo ser agressivo ou doce. Mas uma vez, fugiu da comparação... definitivamente, não a escreveria.

“Estrelas” pensou consigo mesmo. Seria isso que diria a ela em momento propicio. Ela entenderia a imensidão dos significados contidos naquela palavra, utilizada já em seus primeiros momentos.

“Parece que seu olhar me invade, que entra aqui na minha cabeça e toma os meus segredos. Parece que você já sabe tudo sobre mim” Ela havia dito faziam poucas horas. Não era aquilo, pensava naquele momento. Não queria o que ela não quisesse dar. A ele, só interessava compartilhar o que ela lhe oferecesse de bom grado.

“No que você está pensando?”

“Em café e estrelas...”

E imaginava o que ela lhe oferecia por trás daqueles olhos. Era o olhar que ela lhe dava que queria para si, que queria contemplar, saber, conhecer.

“Fico imaginando o que o seu olhar quer dizer.” Perguntaria horas depois, mais uma vez olhando-a nos olhos.

“O que você acha que ele quer dizer?”

Torcia para que aquele momento não acabasse tão logo como uma chícara de café; torcia para que se estendesse como o impressão que fica gravada nas papilas gustativas após o primeiro gole quente.

“Acho que você gosta de mim.”

P. R. O.

1 de março de 2011

Volta ao Fronteiras

Olá meus amigos!
Pois é, depois de algum tempo sumido, estou de volta para colaborar com o Fronteiras. E como me disse o César, "vamos fazer do ano de 2011 o melhor ano do blog".
Tenho um texto sobre o clube dos 13 para postar; mas como esse é meu primeiro post de 2011, quero dividir com vocês um texto que escrevi faz algum tempo, publicado originalmente no Blog do Paulinho. Assim, mas pessoas que meus fiéis 6 leitores poderão ler. Abraços e lá vamos nós!!

A montanha que virou pó

Da primeira vez que ouvi falar me pareceu ser aquela uma montanha chegada a devaneios cinematográficos, ou então membro de algum fã clube do ator que em tempos idos se vestia de frango para ganhar o pão. Não fazia muito tempo que havia passado por lá, mas segundo o que me chegava aos ouvidos, a velha montanha que antes sustentava neve em seu cume como sintoma de sua condição de anciã, havia diminuido pela metade.

No início não entendi. Por que uma montanha buscaria a juventude à custa da perda de sua vista para o mar? Por que iria querer perder a imponência. Simplesmente não encontrava a resposta. Não pude me deslocar naquele momento. Estava incapacitado de percorrer as centenas de quilômetros que me separavam dela.

Mas as notícias continuaram chegando. Primeiro pelos amigos, que conheciam o meu respeito e admiração pela montanha. Depois pela imprensa oficial, que não conseguia descrever com a sua ciência jornalística o estranho fenômeno. A montanha, em determinados espaços de tempo, diminuía em progressão geométrica. Logo desapareceria.

Não pude mais esperar. Vesti minhas botas. Peguei o primeiro ônibus. Ao fim de algumas horas estava onde um dia se encontrava a montanha frente a qual havia tido momentos felizes irrecuperáveis. Era, quando a reencontrei, da minha altura. Nada mais que um pequeno amontoado de pedras e terra.

A encarei. É claro que não olhei nos olhos nem conversei com ela. Não seria minimamente verossímil falar tamanha bobagem ou escrever sobre semelhante ilusão. Olhei sim onde imaginava que, fosse provida pela natureza com a faculdade da visão, estariam os olhos. Foi então que entendi.

Entendi o que se passava com a minha velha conhecida quando notei que a fisionomia que sustentava não era aquele marcada pela felicidade da recuperação do tempo, pelo rejuvenescer. ERa uma cara de decepção, de sofrimento, de quem havia sido surrado. Compreendi que ela sofria de cólera, ou de amor, que nas palavras do grande escritor tem os mesmos sintomas. A cada decepção, a cada desilusão, a montanha se voltava para dentro. Diminuía de tamanho.

A pobre montanha possuia dimensões que nem de longe se comparavam com as da época que a conheci. Era simplesmente o que havia restado dela. Virei as costas e saí. Sabia que em pouco tempo ela não seria mais visível. Se tornaria uma partícula minúscula; pó. Dias depois, o desaparecimento da montanha foi noticiado com grande alarde. Fiquei pensando em quantas montanhas já havia varrido do chão do meu apartamento, identificando-as apenas com a sua condição final; com o seu aspecto de pó.

Mas então entendia o sentimento destas partículas incômodas e imperceptíveis individualmente. Ou simplesmente atribuia a elas algo que era meu.

P. R. O.

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